EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 102


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PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  102

ANO 4 —Nº102 — 09 FEVEREIRO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

HELVIO LIMA

 "Nesta hora as vozes do mundo lá fora emudecem e o universo se amplia no atelier que fica imenso porque arte é vida e é hora de tecer novas urdiduras..."

"Domingo na Praça", obra do artista 

1.Quem é Hélvio Lima?
Mineiro, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, formado em letras neolatinas, sou autodidata nas artes plásticas. Comecei em criança, através do desenho, o exercício nas artes. A pintura das telas, a partir dos dezoito. Despertei para a poesia e a literatura no curso clássico e na faculdade. Taurino, 23 de abril, dia de São Jorge, sou um lutador, vou fundo nas coisas que eu gosto, e a paixão pela arte e a poesia, motivam meu trajeto nesta existência. Acredito que já tenha vivido muitas vidas e tenho outras tantas por viver. Sou um grande amigo, sincero com as pessoas com as quais me afinizo e grato a todos que cruzam meu caminho e me fazem crescer. Os desafios da vida é que nos ensinam. O aprendizado é difícil, mas necessário ao nosso aprimoramento. Busco a simplicidade, acima de tudo, na realização do meu trabalho, no convívio com as pessoas que nos rodeiam... Simplificar tudo para chegar à síntese, isto o ideal.


2.Como artista plástico já participou de mais de 300 exposições. Como é a sensação a cada nova exposição?
Desde a primeira exposição coletiva da qual participei aqui em Uberlândia, nos  conturbados anos sessenta, o desafio continua sempre o mesmo: apresentar um trabalho sério, arte, à observação do público. Submeter-se aos olhares diversos, eis a questão. De 1968 aos anos 70 expus em espaços alternativos de lojas e outros lugares, todos que apareciam, que atraiam a leitura de diferentes olhares e classes sociais. Num destes espaços mostrei um desenho grande de Guevara, um pastel/óleo, que motivou a anotação de meu nome por repressores de plantão na cidade. Os temas figurativos de cunho social sempre me atraíram. A série“Campônios/Operários”, levou-me ao reconhecimento inicial da obra. Um terrível incêndio na moldureira, uma semana antes do vernissage, em 1981, queimou 27 obras desta série. Este fato, profundo impacto em mim, mostrou-me a importância das obras que se cria, queridos filhos jogados no mundo.
 A ânsia e a expectativa que antecedem cada mostra nos impulsionam a renovar-nos com criatividade, mas a liberdade de expressão é que deve prevalecer acima de tudo. A partir da década de oitenta, com a premiação em alguns salões de arte, e exposições individuais em galerias de arte, não só em Uberlândia, como em outras cidades brasileiras, pude fazer melhor avaliação do significado e alcance da arte em minha vida. Mais de quarenta anos de carreira me proporcionaram maior segurança ao aceitar os desafios que uma exposição de arte nos impõe, porém, a sensação de uma nova mostra é sempre instigante, surpreendente e desafiadora.
Arte de Helvio LIma ©

3.Conte-nos sobre o jornal "Fundinho Cultural", desde a sua origem, aos seus objetivos.
Há 10 anos edito, no peito e na raça, sem apoios oficiais da cidade onde moro, mas com a colaboração de maravilhosos amigos, o jornal Fundinho Cultural, cujo nome se origina do bairro mais antigo de Uberlândia, o Fundinho. A idéia do jornal nasceu a partir da minha mudança de residência e atelier/galeria para este local. O objetivo da publicação, a princípio, foi trazer relatos significativos, depoimentos históricos de pessoas interessantes da cidade, entremeados de literatura não só dos escritores de Uberlândia, mas de todo o Brasil, e do exterior. À medida que as edições se sucedem, busco aprimorar a sua apresentação e o jornal ganha a apreciação e o incentivo de novos colaboradores. Costumo dizer que o Fundinho Cultural é um jornal de um artista plástico que gosta de escrever e publicar os escritores com o maior prazer. Indescritíveis e ternos momentos o Fundinho Cultural tem me proporcionado. As figuras dos mais vividos à minha porta sugerindo uma entrevista, uma matéria com alguém especial. A avó cujo neto em Dubai busca notícias do bairro onde nasceu. Aquela leitora que envia exemplares para seus parentes na Espanha ou nos Estados Unidos. Um série de histórias felizes. O Fundinho Cultural na tese de mestrado, a premiação “The Best Magazine/Cultural News”, nos Estados Unidos...

4.Vi uma postagem em seu mural com uma canção de Raberuan, artista querido e inesquecível aqui de minha região. Vejo também em você uma bela aproximação com poetas. As artes em suas múltiplas linguagens podem orientar os sentimentos do mundo?
Raberuan, conheço de pouco tempo para cá, mas já admiro bastante. Com suas lindas canções, saídas do coração, uma poética do cotidiano e uma voz personalíssima. Uma pena que ele já partiu para outro plano, tão prematuramente. Fui apresentado a ele pelos vídeos colocados no face, pelos poetas Escobar Franelas (poeta, professor e multimídia) e o Akira Yamazaki (poeta e produtor cultural), de São Paulo. Comecei o intercâmbio com poetas amigos de vários lugares, desde a década de setenta, publicando-os no jornal da empresa onde trabalhava. Continuo recebendo muitos livros e poemas e conhecendo novos talentos. E sempre grato pela gentileza das remessas, vou publicando-os no Fundinho. 
O que seria do universo sem as artes? As artes nos aproximam de Deus, e nos desprendem do chão. Que tristeza, pessoas com raízes no ter somente! E aqueles que só pensam em levar vantagem, baseados nas aparências, que sempre nos enganam?. Quem não tem um olhar para a arte e a poesia não olha prá dentro de si, não sabe o que é viver.
Entre os admiradores da arte de Helvio Lima, o lindo poeta Akira Yamasaki, 
já um fiandeiro.

Na galeria de amigos de Helvio Lima,
 Escobar Franelas, guerreiro da literatura e ativista cultural com alma de educador. 
Também já um fiandeiro.
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5.Sempre recebo belos postais com sua pintura e a reprodução de versos de poemas de poetas contemporâneos. Como é realizado esse trabalho? Como os versos são escolhidos? Pode nos falar, por gentileza, sobre isso?
Os postais, com minhas pinturas e versos do conterrâneo poeta Aricy Curvello, surgiram em 2001, a partir de um projeto inicial de 3 obras que participaram de um Salão Internacional de Artes, em Brasilia, e obtiveram o primeiro lugar. A série “O Chão que a gente pisa”, em acrílica e técnica mista sobre tela foi desenvolvida em cerca de 30 obras e quase em sua totalidade foram transformadas em edições especiais de postais que tem sido espalhados pelo mundo. No processo de elaboração, foram realizadas as pinturas e depois a busca dos poemas, de forma abstrata sem a obrigatória correlação com a obra, mas de certa forma com ela comprometida. O estudo e a admiração pela  poesia de Aricy Curvello, com seus temas da contemporaneidade levaram-me, com o consentimento do autor, a incorporá-la no trabalho plástico. Recentemente foi realizada em São Paulo, na Casa Amarela, com a curadoria de Escobar Franelas, uma exposição destes postais e algumas obras inéditas.

A arte postal de Helvio Lima, com versos de diversos poetas...

Entre os quais, Aricy Curvello

6.Promove uma mescla, uma sintonia elegante e apurada em sua arte, com motivos populares banhados num requinte de cores e técnica. Sua infância influenciou esse seu modo de ver e de fazer arte?
A infância feliz vivida em paz, num lar tranquilo, com muito amor, possibilita o equilíbrio da criança e norteia seus rumos. Natural de um lar de operários, o meu pai Iracy, desenhava bem, era pintor de paredes e me ensinou o segredo das cores. Minha mãe, Miquita, uma bandolinista, oriunda de uma família profundamente musical me ensinou a cantar. O meu avô era compositor e maestro do Jazz Band Az de Ouro. O tio, dono da Orquestra Tapajós, tinha a harmonia de  Glenn Miller em seu itinerário. Em criança ficava observando os varais da Dona Magnólia, as diferentes cores das roupas, e os canteiros de copos de leite, cravos e madressilvas. Queria saber o por que de tudo, e desenhava as primeiras formas que via com a pequena caixa de lápis de cor.
O exercício da cor é uma forte presença em minha arte e o desenvolvimento das várias técnicas me possibilitam expressar-me com liberdade. (grifado por Fiandeira)

7.A Rede é uma maravilhosa revolução na forma como as pessoas se comunicam e se relacionam, mas é nela também que vemos nos murais a reprodução de postagens arrogantes e preconceituosas, muitas vezes disfarçadas e elitizadas, como também piadas que reproduzem estereótipos, etc... Poderia, por favor, nos dar o seu depoimento sobre o que para você significa a Rede?
Demoro um pouco a acostumar-me e adaptar-me às possibilidades da informática. Mas, acredito que os tempos modernos nos impelem a encontrar na Rede os resultados para as buscas de cada um. Hoje, não tem como radicalizar-se em atitudes de negar o que foi criado pelo homem, talvez, para alguns, ativar meras conveniências das relações comerciais, mas existe um leque de novas possibilidades e abertura para rápida comunicação. As pessoas são livres para postar o que quiserem, mas, podemos ocultar os assuntos, vídeos e afins, que agridem nosso senso estético e nos causa insatisfações. Não sou favorável às denúncias, nem censuras, mas, cada um vê o que quer e tudo bem... Preencher com arte, cultura e sabedoria é sempre uma saudável dica. E fora com as postagens arrogantes e preconceituosas,  piadinhas de duplo sentido que geram discriminações. Vejo um bom vídeo, uma frase legal, um texto que nos desperta a criatividade e nos alerta para a solidariedade e o carinho pelo próximo, curto e compartilho com prazer.
Postado por Helvio Lima, na Rede, em seu mural.

8.Lembra qual foi a sua primeira pintura? E tem alguma que o tenha marcado de forma mais acentuada?
A primeira pintura, um óleo sobre tela, foi uma simples natureza morta, mas, a seguir quis pintar um conjunto musical de traços marcados, de tendência expressionista, para homenagear minha família de músicos. Esta obra faz parte do acervo do meu irmão Hélio. Pintei também uma série em pastel oleoso que retratava grupos humanos. Um grupo de crianças especiais em seu passeio pela praça conduzidos pela professora. Um quadro que retratava a explosão da alegria. Fiz o retrato de um casal de idosos, magros, o homem cego que pedia esmolas com um pequeno quadro de Nossa Senhora Aparecida. Eu os via passar por minha rua diariamente e os fixei numa tela. Pintava muito o que via, pelas formas quase acadêmicas.


9.Pode nos revelar um pouco como é o seu trabalho ao lado da companheira em seu atelier? E poderia também nos atiçar algo sobre o livro que pretende publicar em 2013?
Em nosso atelier/galeria no centro da cidade, situado ao lado da residência, trabalhamos, principalmente, quando cessam os ruídos da cidade, o telefone, a rotina dos filhos Renan e Isabela, as obrigações de todo cidadão comum. Trabalhávamos quase que diariamente com múltiplas exposições e projetos. Agora, intercalamos um pouco as atividades artísticas com as aulas do atelier livre que ministramos e as edições do jornal. Na paz do atelier do cerrado, onde Adélia Lima, minha meiga e generosa companheira há 37 anos, talentosa escultora, faz seus trabalhos de maior formato. O contato com a natureza, no campo, o encontrar-se consigo mesmo, sem telefone, sem campainha, só a passarada, nos alimenta... Tivemos em 2012 o projeto de um bom livro sobre minha história de 40 anos envolvido com as artes, aprovado pela Secretaria de Cultura de Minas Gerais, mas a não formação de uma equipe para isto e circunstâncias externas não permitiram ainda a realização deste sonho, mas a batalha continua neste ano. Tenho inúmeras críticas sobre minha obra, depoimentos de colecionadores e fotos das diversas fases para compor o livro.
Ao lado da companheira Adelia, com quem divide o atelier e a vida, entre as cores de seu viver.
10.O quadro da capa desta edição é lindo. Como é a sua rotina de produção de suas telas? Prefere as manhãs? Ou pinta nas noites? Fale um pouco sobre isso aos leitores de nossa FIANDEIRA, por favor.
Não existe uma rotina em meu trabalho, nem dia, nem hora certa para subir ao atelier e começar uma nova obra. Depois de um período afastado das tintas estou organizando o atelier para iniciar novos trabalhos neste início de ano.Tenho que me sentir completamente à vontade para produzir uma nova obra. Gosto de trabalhar à noite. Roupas velhas e leves, um radinho tocando, um lanchinho que sempre vem e deixa a vida rolar. Nesta hora as vozes do mundo lá fora emudecem e o universo se amplia no atelier que fica imenso porque arte é vida e é hora de tecer novas urdiduras...



(Ensaio na Praça)
Obras de Helvio Lima, entre cartões postais e quadros: fonte de cores e luzes.

11.Considera que alguns pintores tenham de alguma forma exercido alguma influência em sua formação como artista? Em sua infância, como se deu os primeiros contatos com a pintura. Lembra de algum autor que o tenha encantado de imediato?
Em criança, não tive contato com literatura específica à arte. Tive convivência com músicos mas não com artistas plásticos. O ambiente de onde eu vim era extremamente simples e a preocupação maior era suprir as necessidades básicas da sobrevivência, os estudos e a saúde. Nós todos, as pessoas da casa, estávamos envolvidos o tempo todo com trabalhos árduos e estafantes. No labor operário, ao lado de meu pai, na pintura de paredes, tive contato com os pigmentos e as cores e daí as primeiras experiências pictóricas, mas nisto não tive nenhuma aprovação dele. Um operário quer um filho médico, engenheiro ou advogado, não um artista ou um poeta... Pelo menos, este era o testamento lido diariamente nos meus ouvidos. Se insistisse neste assunto o coro comia, com certeza. Na adolescência e mocidade, a partir dos recursos vindos dos meus primeiros empregos, comprei alguns livros e frequentei as livrarias da pequena cidade. Gostei muito dos expressionistas, achei maravilhoso aquele estilo solto, denso e interior. Penso que no meu trabalho inicial carreguei alguma influência daquilo que vi nos livros. Impossível não citar a força expressiva de Van Gogh, Matisse, Munch, Modigliani, gênios que povoaram o meu mundo de sonhos.
 Van Gogh
©
Modiglioni

12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?

Trabalho, trabalho e mais trabalho, com prazer. Assim a aranha tece sua teia e vive sua sina. A fiandeira faz a sua parte, tecendo dia e noite o seu destino.  E eu fico aqui tecendo palavras e agradecendo ao amigo, brilhante escritor Marciano Vasques a oportunidade de fazer meus relatos, contar um pouco de mim. Muita honra estar aqui neste espaço junto com tanta gente importante! Fiquei muito feliz em passar minha experiência de vida, meu caso de amor com a arte e a poesia, um caminho de muita alegria e realizações felizes. Grato amigo Marciano e grato a todos que puderem ler meu sincero relato. Abraços gerais aqui do cerrado brasileiro, com o canto das siriemas, dos mutuns, o sabor e o perfume dos muricis.

O artista com a querida família. ©





Arte de cores e luzes


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PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital de artes e literatura
Edições aos sábados
Edição 102 —HELVIO LIMA
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques


domingo, 3 de fevereiro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 101




PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  101

ANO 4 —Nº101 —02 FEVEREIRO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

REGINA SORMANI



1—Quem é Regina Sormani?

Como já disse anteriormente, sou uma pessoa que não desiste nunca. É verdade e quero acrescentar que, além disso, aprecio as coisas simples, tais como a vida no campo. Adoro cuidar do meu jardim, minha horta e pomar. E, estando ao lado da minha família, isso me deixa ainda muito mais feliz.
Regina Sormani com amigos.

2—Quais as lembranças que guarda de seu tempo de coordenadora da AEILIJ?, e diga, simplificadamente, o que é a AEILIJ.

Uma boa lembrança é a da conquista de um espaço para os associados dentro do Estande das Entidades Apoiadoras, a convite da CBL, durante a Bienal do Livro de 2010 em SP. Foi muito prazeroso ver escritores e ilustradores de Sampa e das demais regionais, ali reunidos, mostrando seu trabalho, autografando, recebendo os leitores.  AEILIJ é a associação de escritores e de ilustradores de literatura infantil e juvenil já com 13 anos e da qual sou associada.
Com o escritor e amigo Edson Gabriel

3—Uma das realizações da sua gestão foram as homenagens na Assembleia Legislativa. Tatiana Belinky, Nelly Novaes Coelho são alguns dos contemplados nesses eventos. Diga o que significou esse projeto para você e como surgiu a ideia.

A ideia inicial veio do escritor Edson Gabriel. Ele trabalha na Assembleia Legislativa de São Paulo com o deputado Giannazi que, por sua vez, gentilmente, nos ofereceu sua ajuda. Dessa forma, formamos uma bela parceria e, durante quatro anos desenvolvemos um projeto de homenagens à personalidades ligadas à literatura. Essa foi uma importante iniciativa da regional paulista da AEILIJ.
Tatiana Belinky ©

4—Antes de se tornar autônoma, PALAVRA FIANDEIRA surgiu inserida no blog que você tão bem administrou. Como sempre foi uma leitora da revista, poderia dizer quais as entrevistas que lhe foram de alguma forma marcantes, tirando a sua, naturalmente?

Sou fã da PALAVRA FIANDEIRA, você sabe. As primeiras entrevistas, com a Tatiana Belinky e o Bartolomeu Campos Queirós me cativaram pela sua espontaneidade e simpatia.
capa de PALAVRA FIANDEIRA
5—Sempre reparei um carinho todo especial de sua parte para a página CANTO&ENCANTO DA POESIA, o que traduziu uma queda sua pela poesia infantil, isso confere?

Sim, o Canto&Encanto é a minha página, porque eu realmente gosto de me comunicar pela poesia. Entretanto, preferi abrir a página a todos os associados que queiram enviar seus poemas. Você já esteve por lá, lembra?


6—Seu VICE&VERSA reuniu autores, ilustradores, editores, e, isso que foi a novidade, um entrevistando o outro. Fale-nos, por gentileza, um pouquinho dessa sua criação.
O Vice-Versa sempre recebeu muitos elogios. É mesmo uma novidade, com os dois participantes entrevistando um ao outro. Em 2011, o Vice completou três anos, sem falhar uma vez sequer. Se eu tiver alguma novidade a respeito, com certeza divulgarei.

7—Sua ideia do conto coletivo, o “Primavera em Sampa”, acabou resultando num “Almanaque”. Poderia, por favor, nos contar essa trajetória, desde a ideia inicial.

Convidei os associados de Sampa para criar contos coletivos em 2009 e 2010. Em homenagem a eles e à cidade que acolhe a todos, o projeto foi denominado Contos Coletivos Primavera em Sampa. Para abrigar os textos, montei uma revista virtual que batizei de Almanaque Primavera em Sampa que continua no ar.

8— Quais foram as grandes alegrias durante a sua coordenação da Regional? Você se sentiu plenamente realizada? Tem algo que gostaria de ter feito e não conseguiu?

Olha, tenho certeza absoluta de ter tentado fazer sempre o melhor para associação e associados. Gostaria, sim de ter realizado mais eventos, feiras, exposições. Utilizei a lista regional e o blog como instrumentos para aproximar escritores e ilustradores que até pouco tempo mal se conheciam. Mas, na realidade, nunca foi fácil. São Paulo, com quase oitenta associados ainda não tem autonomia financeira e esse fator pesa muito, na hora de agilizar um projeto, realizar uma viagem ou evento importante.


9.Pessoas novas surgiram, bons amigos, gente que se revelou, como Simone Pederson. Eis uma das conquistas do blog e da sua atuação. Aproximar pessoas, enlaçar autores com o laço da amizade. Esse foi de fato também um de seus objetivos?
Sem dúvida. Eu me empenhei muito para fazer com que os escritores e ilustradores do interior do estado e litoral participassem das reuniões, dos eventos e do blog. Temos profissionais excelentes e participativos. Deixo um beijo pra todos.
Simone, amiga da escritora

10. Estivemos juntos nas páginas de POESIAS A GRANEL. O que representa para você esse livro?



O livro de poesias para colorir Poesias a Granel que produzimos juntos, com ilustrações do Marchi, desde que foi lançado na Bienal do livro de SP,  tem me proporcionado muitas alegrias. Estive, recentemente, na Feira Literária de Agudos, minha terra, no interior do estado, e, conversando com os pequenos leitores, pude constatar que esse livro é um sucesso, de vendas e de público. Um retorno maravilhoso.
Em Agudos, com o livro POESIAS A GRANEL
Em Jaú, na bela livraria Espaço União, a TV local cobriu o evento e as imagens do nosso livro entraram nos lares jauenses. Eu soube também que Poesias a Granel está sendo recomendado para leitores da terceira idade, pois, sendo um livro para colorir, proporciona, além do lazer, a possibilidade do exercício manual, 
Estou muito feliz com esses resultados.
Regina no Pré-lançamento do livro POESIAS A GRANEL

11.Tem algum projeto que possa já divulgar aqui na FIANDEIRA?
Para 2013, pretendo lançar dois livros juvenis, ainda sem data acertada. Um deles, de ficção científica, contando as aventuras de três colegas que percorrem a cidade (fictícia) em busca de um amigo desaparecido. Será um edição do autor e as ilustrações serão do Marchi.
O outro, uma história muito divertida, em forma de poesia, será publicado por uma editora da capital. Para este livro, a editora vai escolher o  artista que fara as ilustrações, É uma boa solução para não sobrecarregar o  ilustrador da casa rsrs. Assim que tudo estiver pronto, divulgarei com mais detalhes.

12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?

Queridos leitores da PALAVRA FIANDEIRA.! Parabéns pelo bom gosto! PALAVRA está cada vez melhor. Quero convidá-los para conhecer minha revista virtual. Acessem:
http://almanaqueprimaveraemsampa.blogspot.com.br/


Na Bienal do Livro de 2013, autografando POESIAS A GRANEL

No Pré-lançamento do livro POESIAS A GRANEL

No interior de São Paulo, divulgando a obra POESIAS A GRANEL, em oficina poética

PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital de artes e literatura
Edições aos sábados
Edição 101 — REGINA SORMANI
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques


sábado, 26 de janeiro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA —100





PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  100

ANO 4 —Nº100 — 26 Janeiro 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

BETO FANTOCHES




1.Quem é Beto Fantoches?

Beto Artes Espuma é um homem menino.
E muitas vezes, um menino homem.
Uma pessoa que não teve apoio para seus projetos, mas nunca desistiu de seu sonho.
Beto Fantoches, um bonequeiro e contador de histórias.
Um pai de família com quatro filhos, e um parceiro: O mascote Yaguinho.

BETO E SEUS FANTOCHES







  • 2.Nosso primeiro encontro aconteceu numa calçada da Penha. Lá estava você com seus bonecos. Naquela final de entardecer nascia uma amizade... E logo em seguida um projeto com o jornal GAZETA PENHENSE. Pode contar como foi essa experiência?
    O amigo Marciano Vasques naquela tarde entrou em minha vida, como um presente de Deus. Eu estava expondo meus fantoches na porta do shopping Penha. Foi uma grande surpresa.
    Maior surpresa ainda,foi recebê-lo em minha casa .
    O projeto com a Gazeta Penhense foi uma grande experiência. Poder fazer o personagem do Rospo e o  da SapaBela foi um dos meus primeiros desafios e me serviu para adquirir confiança

    3.Tornou-se um narrador de histórias, um contador de casos, sempre rodeado de seus bonecos e das crianças. Pode expôr aos leitores da FIANDEIRA um pouco de suas andanças?



      Mudei-me para a Praia Grande, onde conheci uma pessoa muito importante em minha vida, que me fez enxergar que eu não era apenas um artesão, eu era um artista.
      Esta pessoa foi a Dona Lourdes Marszolek , no Palácio das artes.
      Ela, através do secretário de cultura Lobão, forneceu-me uma licença onde eu poderia expôr meus fantoches e contar historias.

      (No calçadão de Netuno)

      Conheci pessoas maravilhosas: a Tatiana Felix, Eliana Grecco, entre outros.
      Fui convidado para expôr no 2° encontro de contadores de historias de Cubatão, quando pude encontrar e  conhecer muitos contadores de historias: pessoas que sinto que já trazíamos esta bagagem de outros tempos. não sei como expressar os abraços que recebi do contador Alexandre Camilo, Zé boca , Amauri,João do Couto. A lista é muito grande: não tem como falar nomes...
      Meses depois fui para o encontro de Santa Bárbara do Oeste.
      Como foram maravilhosos estes momentos!
      Ficávamos em um alojamento na escola. O dia todo, muitos contadores de histórias de diversas cidades. Foram 3 dias de muito encanto.
      Meu ultimo encontro foi o "boca do Céu".
      Um encontro internacional de contadores de histórias.
      Eu fiquei uma semana das 8h da manhã ate as 22h neste mundo mágico. Eu brincava,pulava, cantava... Creio que em minha vida eu nunca tinha feito algo assim.
      Participei de oficinas nacionais e internacionais.  Resumindo, foi o Beto fantoches ao mundo das fantasias.


      4.Em seus contos, em suas manifestações, sempre reforça a necessidade de valorizar a família e tem uma ligação profunda com seus filhos. Pode nos contar algo sobre isso?


      • Sim, eu sempre reforço a necessidade. Fui uma criança que não teve carinho, pois sou filho de pais separados. Quando eu tinha apenas 8 anos não tinha nem quem me matriculasse em uma escola, apenas quando eu tinha 10 anos que uma vizinha fez este favor de me matricular. Aprendi a ler sozinho, eu tinha uma cartilha e ia vendo as figuras e montava as palavras.
        Eu era muito inteligente, mas não tinha ninguém para perceber isto.
        Agora, aqui na praia eu vejo o rosto de uma criança abrir aquele lindo sorriso ao ver meus fantoches. A criança quer escutar histórias a família não tem paciência. Então eu sempre conto a história de um menino que junta sua mesada para comprar uma hora de atenção do seu pai.É muito comovente
        5.Seus queridos fantoches já foram utilizados num evento de contação de histórias num shopping do litoral. Confere?
        Sim, confere. Meus fantoches já se apresentaram em um shopping aqui na Praia Grande através de um grande artista palhaço Pomarola e a palhaça Lelezinha. mas eu tenho trabalhos espalhados por todo o pais.
        Este ultimo projeto que estou terminando é para uma grande amiga de Parati: Ana Rocha ,que muito me orgulhei.

        6.Já se apresentou ao lado de Netuno. Pode, por gentileza, nos falar sobre esse momento em sua vida?

        • As minhas apresentações ao lado da estátua de Netuno é um momento maravilhoso. Cada criança, cada sorriso são momentos únicos.
          muitas crianças nunca tinham visto um fantoche de perto. Quando elas conversam com o Yaguinho é algo maravilhoso, eu mesmo muitas vezes me emociono e choro.  É maravilhoso ver as crianças conversando com os fantoches brincando é muito comovente

          7.É compadre de uma personalidade do cordel, o amigo Pedro Monteiro. Fale-nos, por favor, do surgimento dessa amizade e como ela se desenvolveu?
          (Pedro Monteiro, cordelista, já teve uma edição de PALAVRA FIANDEIRA) 
          Falar de meu Compadre Pedro Monteiro é um prazer.
          Nos conhecemos lutando pelas causas de nossa querida Cidade Tiradentes. Juntamente com os padres, lutávamos, participávamos de manifestações. Pedro foi a minha base politica,cultural e social.
          Um verdadeiro homem de bem. Eu amo a sua família[esposa e filhos].


          8.Além de contar histórias, e trazer alegrias para as crianças, também realiza oficinas com seus bonecos?
          Sim,  eu realizo oficinas de confecção de fantoches em espuma e em material reciclável.
          Tenho um projeto pelo qual eu luto muito: chama-se "brincar de viver".
          Neste projeto, eu ensino as crianças a fazerem os fantoches com material reciclável,depois contar historias com os fantoches feitos pelas crianças. Histórias de valores ,preservação ,família,  entre muitos temas formando assim novos formadores de cultura e cidadãos de bem.
          É um projeto muito viável, pois o custo é muito baixo e o resultado é fantástico.

          9.Aprecia a Literatura Infantil. Acredita que a Literatura Infantil seja apenas para crianças, ou ela também pode agradar e até transmitir alguma felicidade aos adultos?

          Eu aprecio muito a literatura infantil.
          Ela é fantástica. Através dela podemos entrar no mundo das crianças e também fazer o adulto voltar a ser criança.
          Os contos são eternos e mesmo os antigos se tornam atuais.
          Pois como não falar do lobo mal , que está ai pronto para pegar as nossas crianças.
          Como não falar do lobo e os sete cabritinhos? Que estão na porta das escolas iludindo as crianças através de redes sociais ,músicas e belos carros e motos.
          Como não falar sobre a bruxinha Griselma que conseguiu permissão para vir ao Brasil sonhando com as nossas maravilhas e se decepciona com tantas desigualdades?A literatura esta sempre presente em minha vida.

          10. Hoje, conhece e convive com outros contadores de histórias e bonequeiros. Pode nos falar das alegrias e da importância dessa arte atualmente?

          • Hoje tenho o prazer de ter amigos contadores de histórias de todo o Brasil e de outros países também. Tenho amigos bonequeiros fantásticos .
            Não tenho como nomear meus amigos aqui, pois a lista seria muito grande
            a cada encontro sempre uma história momentos mágicos.
            Mas oque mais marcou foram as oficinas que fizemos juntos no "boca do Céu", estes momentos e cada contador que esteve ali eu jamais esquecerei.


            11.O que é, para você, contar histórias?


            Contar histórias é dar um presente de amor. É deixar o coração falar uma linguagem muito antiga, diretamente ao coração do ouvinte. É pintar com a voz, o gestos, imagens que qualquer um entende.
            Contar histórias é fazer a vida valer a pena, de um jeito muito especial.
            Então conte historias,tem sempre alguém esperando por uma.

            12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?


            À palavra fiandeira
            Eu agradeço muito a Deus, por ter o privilégio de fazer aquilo que eu amo.
            Mesmo em um pais onde quem fala mais alto é o poder aquisitivo, onde a cultura artística passa despercebida, eu consigo viver apenas de minha arte. Meu maior orgulho é poder ver meus trabalhos por todo o Brasil levando alegria às pessoas.
            Ver crianças manipulando os meus fantoches nas igrejas. Pais de família contando historias através dos meus fantoches.
            Entao, tenho a certeza que sou útil. Que minhas sementes estão germinando
            e com certeza os frutos serão suculentos .




            CENTÉSIMA EDIÇÃO!
            PALAVRA FIANDEIRA
            Publicação literária Digital
            Edição aos sábados.
            Edição 100
            26 de Janeiro de 2013
            Edição BETO FANTOCHES
            Fundada pelo escritor 
            Marciano Vasques