EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

domingo, 3 de março de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 105



"O contador de histórias é um grande aliado na educação das crianças"

PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  105

ANO 4 —Nº105 — 02 MARÇO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

CAMILA GENARO
(CONTADORA DE HISTÓRIAS)
A CAIXA SURPRESA!

1.Quem é Camila Genaro?
Camila Genaro é mãe de dois meninos, esposa, dona de casa, educadora, contadora de histórias, oficineira e uma metamorfose ambulante.
Uma pessoa que por algum tempo deixou de ser idealista, para ser realista e percebeu que isso era muito chato e resolveu assumir seu sonho, e o tornou parte de si;
Uma pessoa que adora abraços sinceros e beijos de amigos;
Uma pessoa que tem fé e se decepciona porque cria expectativas;
Mas debaixo de tudo isso (ou em cima), Camila Genaro é mãe de dois meninos, esposa, dona de casa, educadora, contadora de histórias, oficineira e uma metamorfose ambulante!


2.É professora e contadora de histórias. Como consegue conciliar as duas atividades ou elas estão intrinsecamente ligadas, pelo menos no seu caso?
No curso de formação para professores que fiz, o antigo magistério, tinha na grade curricular “artes cênicas”, logo após fiz o curso de contação focando a prática somente na sala de aula. Durante 16 anos de exercício do magistério, as profissões estavam ligadas, porém ano passado, depois de um grave problema de saúde decidi colocar em prática um sonho, uma vontade que eu tinha reprimido durante muito tempo por conta do “bendito” (ou “maldito”) dinheiro: Fazer minha Caixa Surpresa de histórias, sair por aí a procura de olhos atentos para uma boa história.
Hoje, a contação de histórias passou a ser minha profissão e o magistério ficou no passado.


3.Realizou a Oficina “Era uma vez no tempo do vovô”. Pode nos comentar um pouco sobre essa oficina?
Esta oficina tem o objetivo principal de resgatar as brincadeiras antigas num tempo em que as crianças têm a tecnologia à disposição.
Percebo que quando vou narrar alguma história e/ou realizar oficinas em aniversários onde também tem vídeo games e computadores no espaço, tenho muita dificuldade em chamar atenção das crianças.
E durante essa oficina, as crianças confeccionam e aprendem a brincar com pião, Cinco Marias, amarelinha, corda, bolinhas de gude, escravo de Jó...enfim voltam no “tempo do vovô” e o que mais me agrada é que eles se encantam com esses brinquedos e brincadeiras e levam para suas vidas, ensinam os amigos.


4.Contação de História no Clubinho! O que é esse clubinho e como acontece a sua participação?
O Clubinho Casa da Árvore é uma brinquedoteca que fica na Livraria Porto das Letras, aqui de Santos. E foi uma grande parceria que fizemos!
Durante as férias de janeiro, elaborei as atividades para as crianças e adolescentes que frequentam o Clubinho. Todos os dias da semana tivemos atividades, contações, oficinas de arte educação e muita diversão! 
Nossa parceria continua com muito sucesso nos finais de semana e nos eventos da Livraria.


Histórias no "Clubinho"  ©


5.Qual a importância do contador de histórias no mundo atual?
A frase “Era uma vez...” é sempre recebida com muita atenção em todos os lugares onde é citada. O contador de histórias faz com que essa frase crie vida!
O contador de histórias é um grande aliado na educação das crianças, contribuindo para a construção do conhecimento e na formação desse indivíduo enquanto um leitor crítico através do incentivo. Li uma vez que o contador de histórias aperta um botão mágico onde o gosto pela leitura está inserido.
E num mundo onde está tudo muito fácil em termos tecnológicos, apertar este botão mágico está sendo cada vez mais necessário!

6.O que é a Caixa Surpresa?
A Caixa Surpresa é o nome que dei à caixa que me acompanha nas contações levando os objetos da narrativa. Sempre é uma grande surpresa para as crianças: “o que será que tem aí dentro”, escuto.
O nome acabou se tornando o logotipo da Camila Genaro.


7.Já participou de algum evento de “Contadores de Histórias”?

Sim, já participei de alguns eventos pequenos, e outros do ProLer. Gostaria de ter participado de muitos outros, mas como estava na sala de aula nunca consegui. Agora não vejo a hora de recuperar “o tempo perdido”

8.Mora em Santos. Conhece o Beto Fantoches? Já se encontraram?
O Beto é uma figura adorável. Nos conhecemos através das redes sociais e hoje tenho muitos fantoches que ele fez, fazem parte da minha Caixa. E estamos nos organizando para realizarmos alguns eventos juntos, em Praia Grande e Santos.

Beto Arte Fantoches, já um Fiandeiro (Edição 100) —©


Fantoches do Beto são usados nas histórias de Camila  ©

9.No seu trabalho educativo ou como contadora de histórias, como antecede as suas apresentações. De que forma escolhe e decide por uma determinada história?
Primeiro tenho que saber qual a faixa etária das crianças que participarão do evento, os interesses e assuntos mudam conforme a idade. Depois escolho com carinho a história, pesquiso se existe alguma música ou poesia que possam agregar na narrativa. E monto os objetos que farão parte da caixa surpresa.

10.Certamente aprecia a Literatura Infantil. O que poderia argumentar para a Fiandeira sobre essa modalidade de Literatura?
Existem estudos que tem o objetivo de verificar a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Porém no meu dia a dia percebo que as crianças têm muita dificuldade e escolher um livro, ir à biblioteca...e não as culpo porque num determinado momento a leitura se torna utilitária e só. Temos que incentivar nossas crianças a fazer parte dessa parcela da sociedade que lê por ler, por diversão, por gostar. Para as crianças a leitura faz com que um mundo de possibilidades se abra: O faz de conta, a fantasia, a imaginação, a criatividade....
Literatura faz parte da minha vida, sem um bom repertório seria impossível escolher as histórias.

11.Na Rede Social naturalmente proliferam piadas banhadas de estereótipos, assim como muita trivialidade, porém, também muita divulgação artística, muita difusão cultural, além de que a Rede revolucionou a forma como os humanos se comunicam. O que nos poderia dizer sobre como vê essa nova realidade na comunicação, visto que está inserida na Rede?
Um bom exemplo das coisas boas que nos acontecem na rede é essa entrevista. Nos conhecemos (Marciano Vasques e eu) no mundo virtual, através das redes sociais.
As redes sociais têm ajudado demais todas as pessoas que querem oferecer algo, desde um carinho à distância até os produtos mais extravagantes. Essa forma de comunicação facilita a troca de informações, aumenta nosso conhecimento (tanta gente bacana conheci através do facebook!). Mas confesso que sou adepta a um bom abraço, por mim visitaria cada amigo virtual e os tornaria real, assim como aconteceu com o Beto dos fantoches, com a Luciana da Livraria Porto das Letras, a Patrícia Rogélia da loja Amor em Fios...todos amigos virtuais que se tornaram parceiros da vida real!

Amigos de Camila, na vida real
Luciana Papale, da livraria "Porto das Letras" ©

Patrícia Logelia, Loja "Amor em fios"  ©

12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Era uma vez, uma professora que leu um texto durante um curso de formação, que dizia assim:
Se eu vivesse novamente minha vida de professor, não teria tanto medo de errar...
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, correria mais riscos, ‘viajaria’ mais durante as aulas [...]”

E ao longo do texto tinha muitos outros “Se”...e depois de muito ler e reproduzir este texto em relatórios, ela leu com mais atenção o trecho que diz “não teria tanto medo de errar” e logo pensou:
- “Por quê tanto medo de tentar?”
- “Por quê não?”
E deixou algumas coisas, que eram relativamente importantes para trás, para tentar o novo, o improvável (afinal as outras pessoas diziam que ela estava louca).
Num belo dia, com a ajuda de amigos, a professora deixou de lado sua velha profissão e, principalmente, deixou de lado o “Se”.
E vive feliz, todos os dias da sua nova vida!

Desejo a todos os leitores da PALAVRA FIANDEIRA muitos amores, muitos abraços, muitos beijos, muitas cores, muita imaginação, muita cultura, muita arte, muita história, brilho nos olhos, e que o ERA UMA VEZ, continue vivo na vida de cada um independente da idade.


Curso de Libras, entregando certificados  ©

PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital de Literatura e Artes
Edições semanais, aos sábados
Edição 105 
Edição Camila Genaro
PALAVRA FIANDEIRA:
Fundada por Marciano Vasques
Ano 4 de Registros de personalidades contemporâneas da Produção artística e Literária.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 104


©

PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  104

ANO 4 —Nº104 — 23 FEVEREIRO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

JOCÉLIO AMARO




1.Quem é Jocélio Amaro?
Cantor e compositor paraibano, chegou em São Paulo em 1998, trazendo na mala um bocado de poesias e canções, sonhos e esperança de colocar sua musicalidade nessa cidade, e atuou no circuito alternativo ocupando, bares, oficinas e casas de cultura, eventos na praça, passando pela Virada Cultural em 2009.

2.Recentemente, magistralmente, interpretou Luiz Gonzaga. Como é para você essa necessidade de preservar nossas autênticas raízes musicais?
Luiz Gonzaga é responsável pela travessia da Música Popular do Brasil, aproximando o Nordeste do Sudeste, e todo o Brasil. O Brasil foi entrelaçado pelo Rei do Baião.
Não se discute a Música Popular Brasileira sem passar por essa grande referência. Sempre que canto Luiz Gonzaga me emociono. É como se devolvessem as minhas raízes.
©
3.De vez em quando se envolve em andanças pela Paraíba e pelos lugares do seu sertão. Como é esse contato, a cada volta sua?
Sempre que vou a Paraíba, tenho tocado em alguns projetos ; como o arte retirante: patrocinado pelo Banco do Nordeste Brasil.
Além dos eventos de Secretarias de Cultura de cidades vizinhas, ou seja: consegui construir uma agenda pelos palcos do nordeste.


4.Uma de suas letras de suas canções fala da América Católica. Como originou em você essa composição, em que momento, em quais circunstâncias?
América católica é uma oportunidade de se fazer um reflexão do crescimento do catolicismo, do patrimônio que o vaticano construiu, do papel dos jesuítas no processo de colonização ora atuando na catequização e por outro lado abrindo as portas para a exploração das nossas riquezas por portugueses, e nossos colonizadores, ou outros.
Disco de Jocélio Amaro
5.Na literatura ainda resiste em alguns casos a mentalidade de grupinhos, onde jamais se cita o poeta, o escritor, que não pertence ao próprio grupinho. Isso ainda acontece na Música?
Um fato que me deixa inquietante e a forma de ocultarem os compositores, geralmente o interprete ocupa todos os holofotes mediáticos mais nunca citam os compositores da obra.


6.Comete uma fusão entre a Literatura e a Música, com letras profundas e verdadeiras. Esse “Acasalamento poético” é fundamental para nos salvar esteticamente na contemporânea arte sonora?
Quando você trabalha um texto, uma poesia, de profundo contexto literário você dá a oportunidade do outros ouvirem e perceberem o poema quando musicado, isso eu tenho buscado sempre, musicando poemas de escritores e poetas e buscando essa cumplicidade de lítero&musical.


7.”Este Cabra Sou Eu”, e outros exemplos, mostra um avanço no desrespeito aos direitos autorais, aproximando a realidade da Internet, onde com algum programa tecnológico, sem pedir licença, obras são parodiadas, adulteradas, etc. Como vê essa questão?
Virou fato comum alguns artistas se debruçarem sobre as obras de outros, atreves das paródias ou maquiando essas obras com novas roupagens, o que na realidade não deixa de ser um comércio que fere brutalmente os direitos autorais e isso requer uma discussão profunda por parte de autores.


8.Não poderia fugir dessa entrevista uma pergunta sobre Raberuan, a doce figura do incansável poeta cantador. Poderia nos falar algo sobre esse artista que fisicamente nos deixou?
Aprendi muito com Raberuan, um poeta finíssimo que trabalhava o romantismo com profunda beleza, dono de belos acordes e que deixou um grande legado na Música Popular Brasileira; outra característica era a beleza que levava para o palco ou seja ele tinha um domínio total com o espaço e sabia muito bem parar uma plateia para ouvi-lo.

Raberuan©



9—Como vê, de um modo geral, a situação do artista hoje diante da mídia?
Deixo claro que hoje vivemos uma ditadura mais violenta do que a de 1964, já que esta perseguia apenas ao ativistas políticos, intelectuais, e artistas que denunciavam o regime com suas obras. Hoje a mídia entra em todas as casas e independente de camadas sociais despejam todo o lixo comercial levando toda uma sociedade a uma paralisia total, ou seja sem o poder de reflexão.

10.Irá participar de um evento musical que já se aproxima, que é o “PAULINHO JEQUIÉ na Casa dos Cordéis , Show "Coração Cantadô" . Pode nos adiantar algo sobre esse acontecimento?
Cantar com Paulinho Jequié e prazeroso além de um grande compositor, interprete e um ótimo contador de causos. Essa experiencia foi vivida a dois anos e já se tornou um realidade nas nossas agendas.

11.Percebe-se vicejando uma fértil produção de cantores e compositores, fora do circuito comercial midiático. Poderia traçar para FIANDEIRA um panorama desses novos artistas contemporâneos?
Existem vários projetos alternativos que fazem com que não percamos as esperanças de levar a nossa musicalidade pelos palcos desse país, cito por exemplo: o projeto "fora do eixo" que tem sido uma alternativa acontecendo por todo país é uma forma de sobreviver pela arte. 


12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Que assim como a palavra fiandeira outros meios de comunicação e informação possam surgir como uma forma de resistência para continuarmos fazendo esse contraponto a toda uma mídia burguesa à serviço do capitalismo. 

Jocélio Amaro com Akira Yamasaki:A canção e a Poesia


PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital semanal de Literatura e Artes
Edições aos Sábados
Edição 104 —JOCÉLIO AMARO
Edição em 23 de Janeiro de 2013
PALAVRA FIANDEIRA:
Fundada pelo escritor Marciano Vasques 



PALAVRA FIANDEIRA—Todas as imagens ©

sábado, 16 de fevereiro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 103



Acho difícil escolher um momento intenso, 
pois todas as vezes que subo ao palco a sensação é incrível e singular.

PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  103

ANO 4 —Nº103 — 16 FEVEREIRO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

DENISE YAMAOKA



1.Quem é Denise Yamaoka?


   Natural de Santos - SP, iniciou seus estudos artísticos ao piano, cantando em corais e atuando em grupos amadores de teatro na baixada santista. Bacharel em Música –Hab. em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da UNESP. Em 2003 ingressou como bolsista no Coral do Estado de São Paulo.E no mesmo ano participou do Festival de Inverno de Campos do Jordão como bolsista no coro de câmara, sob a regência do maestro Erick Westberg (Suécia). Também participou de workshops e masterclasses com Sheryl Millnes (EUA), Maria Zouves (EUA), e com o maestro Werner Paff (Alemanha).
             Em meados de 2006, ingressou no Curso de Canto Lírico da Escola Municipal de Música de São Paulo, sob orientação de Andrea Kaiser e desde então, já participou das montagens das operas: "L'Orfeu" - C. Monteverdi sob regência de Abel Rocha, "Così fan tutte"- Mozart sob direção de Mauro Wrona,  "Il campanello di notte"- G. Donizetti, "Tommy" Ópera Rock - The Who, “Ópera do Malandro” – Chico Buarque (numa adaptação para o Coral Municipal Zanzalá de Cubatão), "La barca"  - A. Banchieri e "O empresário" de W. A. Mozart, Em 2008, esteve em turnê na Itália junto ao Coral Luther King, onde se apresentou em diversas igrejas e teatros, sob regência de Martinho Lutero. Em 2009 e 2010 participou da montagem da ópera "Le Nozze di Fígaro" de W. A. Mozart, no papel de Susanna, sob direção de Eloísa Baldin, apresentando-se no teatro João Caetano e na Galeria Olido. No ano de 2010, se tornou bolsista da Fundação Magda Tagliaferro, orientada pela prof.ª Regina Elena Mesquita e viu a necessidade de retornar às Artes Cênicas e iniciou o curso profissionalizante no “Teatro-Escola Célia Helena”, onde desenvolveu também habilidades em maquiagem artística. Em 2011 participou da montagem da ópera “Carmen” de G. Bizet, sob direção de Mauro Wrona, no teatro do “Clube Paulistano” e participou da gravação do DVD “Queen Sinfônico” no Teatro Coliseu de Santos – uma produção da Banda Sinfônica e do Coral Municipal “Zanzalá” da Secretaria de Cultura de Cubatão.
No teatro protagonizou “Lisistrata” de Aristófanes sob direção de Ednaldo Freire; defendeu Irina na peça “Três Irmãs” de A. Tchekhov, sob direção de Gabriel Miziara e atuou na peça “O Inspetor Geral” de N. Gógol sob direção de Rafael Masini.
 Atualmente está dirigindo cenicamente um espetáculo musical na baixada santista junto ao grupo “Broadway Voices” com estréia prevista para outubro de 2013 e atuando no musical infantil “Tic Tic Tati” sob direção de Roberto Lage em cartaz na rede Sesc.


2.É cantora lírica, atriz, maquiadora: a arte, de forma polivalente encontra a sua difusão em você. Há sensações diferentes entre ser atriz, cantora lírica...?

Quando se está em ação no palco, você pode ser motivado tanto pelas palavras e ações quanto pelos sons, ambas as artes são ricas em suas propriedades e a intensidade com que elas me atravessam não divergem, elas se completam. Um cantor lírico para expressar suas músicas, não conta apenas com uma melodia, ele tem que ir à fundo na compreensão do texto a ser cantado e na forma como irá interpretar e passar a mensagem musical, ou seja, ele tem que ser um ator também. 
As bodas de Fígaro 
3.É Regente do Coro da Basílica do Carmo e do Coral Infantil do C.C.A. Carmo . Fale, por favor, aos nossos leitores sobre essa sua atividade...

Cresci dentro de um movimento coral muito forte na minha cidade, foi uma época muito importante que foi decisiva na escolha dos caminhos que trilhei até aqui. Cantei num coral infantil que acabou se tornando infanto-juvenil e logo depois juvenil,  pois nós, crianças, acabamos crescendo juntos e mesmo com interesses diversos, com cotidianos diferentes, sempre tínhamos muita alegria quando tínhamos ensaio do coral, ou seja, éramos ligados pela música. Cresci e continuei com essa paixão, virei assistente de coros adultos, ingressei como bolsista no Coral Do Estado de SP e até hoje canto no Coral Profissional Zanzalá. Toda essa formação me desenvolveu tanto como musicista como socialmente, e por acreditar que o canto em conjunto traz benefícios a quem frequenta essas atividades e também a quem está em torno destas pessoas, procuro sempre manter grupos vocais, que é o caso desse dois coros. Sou muito agradecida pois a Basílica do Carmo e a diretora do CCA. Carmo me abriram as portas e deram espaço para eu criar o Coro Infantil, por acreditarem na música inclusora social e formadora de jovens. Já o Coro da Basílica do Carmo, é um coral tradicional da igreja. Ele foi formado há 5 anos pelo Frei Vinicius em conjunto com entusiastas da comunidade que atualmente me ajudam na parte burocrática do coro. Assumi a regência do Coro ano passado, fui muito bem recebida desde o começo e acho que mais do que ser regente deles eu aprendo muito com as experiências compartilhadas. Posso dizer que meus coros são meus amores.

 Lisistrata
4.Como cantora lírica, poderia nos expôr algum momento que possa ter trazido uma felicidade especial em sua vida? Ou, pela intensidade da alegria em sua mente em cada apresentação, poderia nos destacar um de seus momentos?
Acho difícil escolher um momento intenso, pois todas as vezes que subo ao palco a sensação é incrível e singular. Mas posso citar um  momento marcante que foi a primeira montagem de ópera a qual participei. Isso foi em 2005, no auditório da Unesp. Foi uma montagem estudantil da ópera "La Clemenza di Tito" de W. Amadeus Mozart, eu estava no papel principal, o "Sextus". Lembro-me de ter menos de um mês para aprender o papel, entrei no meio do processo pois quem faria o papel acabou saindo. Eu tinha acabado de iniciar meus estudos de canto e na última récita, no momento em que minha personagem estava em uma das cenas mais fortes, de rebelião, senti uma energia tão intensa, me senti tão completa que creio que foi ali, naquele momento que não duvidei mais do que eu queria fazer pelo resto da vida.
As bodas de Fígaro

5.Ocorreu recentemente uma manifestação na Rede, em seu mural, contra a programação da televisão e até bruscamente, devido a insatisfação (que MERDA de repórteres e jornalistas as televisões estão contratando!). Poderia, gentilmente, nos falar sobre essa questão da influência da mídia televisiva no cotidiano?


Não sou contra as pessoas assistirem televisão, acessarem facebook, jogar vídeo game, procurando apenas entretenimento, passatempo... aliás, eu sou sim uma dessas "jovens antenadas" que gostam de diversidade e muita, muita informação rápida. Bem... esse episódio foi um grande desabafo aos meus amigos de facebook, pois mantenho minha conta controlada e então nem todos podem ler meus desabafos, numa manhã dessas onde eu só queria ouvir as notícias do dia e ficar informada, saber sobre economia, notícias do mundo e até mesmo saber o que tinha de interessante, alguma exposição, bienal, que até pouco tempo atrás os jornais mais serios da manhã tratavam desses assuntos, e acabei colocando em outro canal, que não costumo assistir, pois naquela manhã tinha acordado mais tarde do que de costume e no fim recebi uma carga de imagens pesadas de acidentes, assaltos e violência e isso tem sido muito frequente, e não era bem o que eu queria naquela manhã, se assumo que no fim, aquilo me gerou esse reação, como deve gerar em muitas outras pessoas, pois até meus amigos chegaram a discutir e concordaram, colocando até outros pontos de vista sobre o assunto. Mas o que mais me irrita é a questão de até onde podemos expor as pessoas, tanto no quesito de quem está sendo filmado "a notícia da vez", como de quem assiste. Quem assiste, ok... "que mude de canal!!!" Não acho que seja a solução. A solução é pensar melhor como mostrar a notícia. Um repórter quando vai ao local, pode pegar muitas informações e selecionar o que é pertinente e o que é supérfluo e "sensacionalista". Um câmera pode filmar um acidente, mas não precisa expor os acidentados e nem dar o "ZOOM" desnecessário, já na edição, esses cortes poderiam ser feitos, porque até mesmo quando "borram a imagem"  o trabalho não é bem feito. E isso tudo eu creio ser falta de limites, pois quando uma reportagem dessas vai ao ar às 9 da manhã deve sim haver um critério e um limite de exposição. A televisão, principalmente o canal aberto, pra mim é um forte meio de comunicação e informação e tem que ser tratado com muita responsabilidade e por mais que uma emissora de "abertura" os jornalistas e repórteres tem sim que ter cuidado e ética em seus trabalhos. E acho sim que a televisão perde de longe pra internet pois você tem que ficar esperando uma programação legal, um filme diferente, uma minissérie interessante.... e você tem tudo isso na mão imediatamente na internet. É só saber procurar! 



6.Estive muito recentemente em Santos, a cidade da minha vida. Poderia nos traçar brevemente a programação cultural dentro de suas performances, como música lírica, teatro... E com relação a você, algum espetáculo em Santos no primeiro semestre do ano? Tem algum projeto que já possa ser revelado aqui na FIANDEIRA?
Santos...Paixão de muitos!!!! A cidade é um verdadeiro celeiro de artistas, o movimento cultural é grande no quesito formativo e amador quando tratamos de teatro. São poucos os grupos profissionais sediados aqui em comparação ao número de santistas que estão atuantes no mercado na capital. Temos grandes movimentos teatrais e grandes nomes em nossa cidade, aqui está sediado o FESTES, FESTA, o MIRADA e o FESTIVAL DE CURTA, mas os nossos jovens, quando precisam dar um passo a frente, procurar um curso superior, uma especialização, um mestrado acaba tendo que deixar a cidade e dificilmente volta. Principalmente no quesito MUSICAL!!!! Nossa cidade não mais sedia o FESTIVAL DE MÚSICA NOVA, que um dos nosso grandes compositores, o Gilberto Mendes tanto lutou por esse movimento. Hoje há apenas um curso de formação superior em música na cidade, e a nossa orquestra... creio que não receba a atenção merecida. A ópera nem tem mais espaço por aqui... e olha que em nossa cidade temos nomes importantes no canto lírico nacional e ouvi dizer que realizavam-se montagens operísticas uma década antes de eu nascer!!!! Realmente a área musical precisa de muito carinho por parte dessa nova gestão que está chegando, precisa-se de planos de formação e incentivo, e olha, que gente com vontade pra fazer não falta, tanto de pessoas muito experientes e reconhecidas no cenário, como de jovens que estão em plena formação e com vontade de realizar coisas novas e diferentes... o que está faltando é espaço e muito incentivo!!!! 
Sobre minhas atividades, no primeiro semestre não tenho previsão de espetáculos na cidade, mas retornarei em cartaz com o Musical Infantil "Tic Tic Tati" com a cantora Fortuna. É um espetáculo musical em homenagem a Tatiana Belinky. Os poemas foram cuidadosamente musicados pelo Hélio Ziskind, e também tem canções da cantora Fortuna, os arranjos do espetáculo foram feitos pelo Gabriel Levy e a direção cênica ficou a cargo do Roberto Lage, eles são da uma equipe maravilhosa. O espetáculo está em cartaz na rede SESC e quem estiver interessado pode dar uma conferida na agenda neste site: www.fortunamusica.net.
Mas para o segundo semestre, o elenco do "Broadway Voices" deverá estrear um espetáculo em homenagem à Broadway após um longo processo formativo. O Broadway Voices é um projeto idealizado pelo Fernando Pompeu, Elizangela Lima e Denise Yamaoka visando a formação de jovens talentos da baixada santista que pretendem seguir a carreira artística. Será um processo muito interessante. Quem quiser saber mais é só visitar o nosso site: www.broadwayvoices.com.br.



7.A Rede é complexa, pois é nela que vigoram ciúmes, inveja, etc, mas é também um canal maravilhoso, uma, talvez a maior, imensa revolução na forma como os seres humanos se comunicam, e até, entre outras questões, modificou, de modo geral, o conceito de “Amigo”. Qual a sua visão/opinião sobre a Rede?
Acho a Rede incrível! Ciúmes, inveja e até macumba existem dentro e fora dela, basta apenas nós cuidarmos e muito bem como iremos utilizá-la e como nos proteger. Como eu já disse, meu mural é controlado: só vai ao publico geral o que eu escolho, recados pessoais devem ser tratados por mensagens privadas. O mural serve pra divulgação, trocas de vídeos, leituras, elogios, piadas, tudo com cautela... e vejo muito mais aspectos positivos do que negativos. A rede é ótima em velocidade e informação, precisamos ter consciência do que é relevante ou não... Através dela podemos nos comunicar até com pessoas que poderíamos nunca conhecer!!! Só temos que ter cuidado para não entregarmos tudo da nossa vida, pois nunca sabemos a real índole de quem está do outro lado. O que mais gosto mesmo é de ler biografias de cantores líricos, ver fotos, vídeos deles no YouTube, pesquisar livros e BAIXAR PARTITURAS!!!!! Tanta coisa boa! Acredito que eu aproveito e muito bem o que tem na rede! Mas claro, sempre lembrando que ela não substitui um encontro com os amigos no fim de semana, um abraço apertado e uma tarde de domingo com a família!!!!
8.Participou recentemente, da 1ª Mostra de Estúdios de Ópera de São Paulo. Conte-nos sobre essa sua apresentação, por favor.
Essa mostra foi realmente valorosa. Reunir jovens demonstrando seus talentos, sendo orientados da melhor forma, experimentando a alegria de subir num palco... é confortante para nós vermos que a arte operística esta plantando sementes e que se forem devidamente cuidadas teremos futuros artistas com qualidade e que talvez não precisarão ir para lugares distantes em busca de conhecimento. Mostras, encontros, workshops, festivais e até mesmo concursos devem ser mantidos e principalmente incentivados, pois neles há troca e interação com pessoas experientes na área e digo que temos músicos profissionalíssimos aqui no nosso país que sim se preocupam com a formação e a pesquisa para melhor passar seus conhecimentos à nova geração. Devemos valorizá-los e dar maior abertura para que suas experiências e vivências possam ser compartilhadas dando ferramentas e orientações para melhoria da classe operística no nosso país que infelizmente sofre preconceitos, é pouco reconhecida, recebe pouco incentivo, pouco recurso e tem pouca divulgação. E digo mais, necessita-se entender as diferenças de realidade na formação musical em diversos âmbitos, para que nos conservatórios e escolas de música os planos de ensino musical sejam compatíveis com nossos jovens e nossa realidade e não tentar forçar os jovens a trabalhar em "moldes" que não se adequam a nossa realidade. Essa mostra valeu como reflexão, experimentação e grande aprendizado e no fim, por falta de incentivo e de alguém interessado em levar a diante, não houveram mais Mostras de Estúdio Ópera. E não foi por falta de grupos...


9.O que é o "Grupo Experimental de Ópera"?

O GEO — Grupo Experimental de Ópera, surgiu a partir de uma ideia da minha amiga de longa data Marcia Malaquias. Reunimos jovens estudantes de canto lírico para estudos aprofundados dos processos de montagem de óperas. Estudos de história da ópera, caracterização, interpretação, contra-regragem, tudo o que envolve estes espetáculos além da atuação. Um processo de entendimento geral. Apesar de algumas mudanças do ponto de vista no meio do caminho, nossos esforços resultaram na montagem da ópera "As Bodas de Fígaro" de W. A. Mozart. Atualmente esse grupo se separou, mas gerou muitos frutos, todos que participaram estão envolvidos em outras montagens e concertos com renomados profissionais da nossa área, se ainda não estão, estão no caminho. Esse tipo de grupo de estudos é importante pois abrimos novos horizontes e podemos colocar em prática muita coisa que fica apenas na teoria no nosso cotidiano. E vale lembrar que desde sempre os artistas se reúnem para estudar, debater e explorar novas linguagem  e caminhos diversos para o desenvolvimento da arte num todo. A própria ópera acabou se desenvolvendo a partir da chamada Camerata Fiorentina, que eram músicos e poetas que se reuniam na casa de um conde para discutir qual a melhor forma de se valorizar um texto sem perder a beleza musical. Acho importante  nos espelharmos em tudo o que vem do passado para que com a tecnologia e a facilidade que temos hoje podermos aproveitar o que há de melhor em todos os movimentos artísticos sem perder a visão do que podemos desenvolver num futuro próximo, deixando para os outros material de discussão e criação.

Realizando sonhos


10 A conheci através de um convite para uma apresentação em Santos de um teatro infantil. Aprecia a Literatura Infantil? Considera, que seja definitivamente uma modalidade de literatura apenas para crianças?


A literatura infantil/infanto-juvenil é de extrema importância formativa na vida da criança/jovem. Por mais que haja muita tecnologia, jogos formativos, informação e até mesmo na escola a criança seja bombardeada com "metodologias do ensino" nada pode se comparar com um livro. Apenas o livro consegue transportar as pessoas instigando-as à criatividade e à reflexão. Além disso, o livro é uma forma maravilhosa da família cuidar e estar mais perto da criança. No momento da escolha da leitura, você pensa com carinho na sua criança, quando você se senta com um filho(a), sobrinho(a), neto(a) para ler uma história, certamente cria-se um elo inexplicável. Você criará valores de unidade sem impor, sem contar que a criança se sente amada e vai ser estimulada pelo resto de sua vida, pois quando ela pegar um livro, inconscientemente ela terá uma boa sensação deixada por estes momentos. e eu posso dizer que a literatura infantil não é apenas para as crianças não. Eça é para todos, porque tenho certeza que o adulto que escolheu e partilhou a leitura com sua criança certamente também apreciou e se deixou mergulhar na história. O adulto também se identifica!!! E tão forte pode ser essa identificação que essas histórias se mantêm vivas através deles, eis que os atores, os músicos recorrem às histórias, contos e poemas para criarem espetáculos, e darem forma às suas artes!

11.Falando em Infantil, como vê a Programação Teatral ou 
Musical dedicada ao público infantil atualmente no país, de forma geral?
O teatro infantil atualmente tem muitos formatos. Temos peças voltadas para conscientização ambiental e social, temos peças recheadas com grandes nomes da literatura mundial apresentadas de forma lúdica, temos peças interativas, contadores de histórias e também as peças comerciais voltadas para o entretenimento, tem até projetos de colegas que levam a ópera para o público infantil!!!! Muitas dessas peças a preços populares ou com produções voltadas para as escolas. Não faltam opções com qualidade. O que falta é a facilidade e a abertura para que esses espetáculos cheguem às cidades fora das grandes regiões metropolitanas e esses artistas serem cuidadosamente orientados e devidamente reconhecidos. Eu sinto, de verdade uma lacuna em espetáculos voltados para um público jovem, pouco vejo interesse em desenvolvimento de espetáculos para pré-adolescentes e adolescentes.
12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Realizar sonhos sem perder a essência, respeitar os mestres e a vida, aprender com os mais jovens e se adaptar as novidades, viver intensamente até o último suspiro, atravessar o outro com palavras e melodias. A tristeza nos faz crescer, e a felicidade, nos torna plenos.


No SESC Consolação

Com Thais Sanches Cardoso; Bárbara Martins Franco e Gleice Kelly


PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital de artes e literatura
Edições aos sábados
Edição 103 —DENISE YAMAOKA
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques