EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

PALAVRA FIANDEIRA — 54

PALAVRA FIANDEIRA
REVISTA DE LITERATURA
REVISTA LITERÁRIA DIGITAL
EDIÇÃO 54
ANO 2 — 13/FEVEREIRO/2011


NESTA EDIÇÃO:

EDSON GABRIEL GARCIA

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EDSON GABRIEL GARCIA

Entrevistado por Marciano Vasques

1.Quem é Edson Gabriel Garcia?

Um cara simples, desapegado de coisas materiais, jeito de interiorano ainda preservado, responsável e apaixonado por seus trabalhos. Um lema: gostar de gostar de gente.
Uma pessoa que sonha muito com um país mais decente e mais justo socialmente.
Aos 61 anos, dói saber que a vida passa tão depressa.

2. Sua apaixonante carreira como educador transcreveu um arco de professor à diretor de escola. Pode nos rememorar esse período e essa trajetória? Incluindo, claro, o seu significado pessoal.

Durante muito tempo trabalhei em escolas públicas. Também trabalhei em projetos de formação de professores, de reorientação curricular e assessoria pedagógica. Conheço muito o cotidiano de nossas escolas, por isso estou sempre pronto para defender as escolas e os educadores das críticas, muitas vezes injustas, que são feitas às escolas por quem não conhece o seu cotidiano. Ter sido professor, diretor de escola e coordenador de projetos institucionais é um pedaço gostoso de minha vida, uma lembrança que me faz feliz e da qual tenho orgulho. Por onde passei deixei amigos, fãs, parceiros e um trabalho sempre lembrado. Além, claro, da convivência sempre deliciosa com crianças e jovens, farto cenário para os meus escritos literários. A rigor, ainda não sei se fui um educador que se aproveitava do prazer literário ou se sou um escritor que se construiu dentro dos muros das escolas. De qualquer forma, foi um período marcante e teve um significado especial na minha trajetória.

3. Pode afirmar que a sua experiência e aprendizado na Educação está intimamente vinculada com a sua literatura? De que modo isso mais transparece?

Sim. Tomando o termo literatura como sinônimo de “escritos”, o exemplo melhor disso são as coleções didáticas ou paradidáticas que escrevo. Todas com incrível aceitação na escola. Por outro lado, numa concepção mais específica de literatura, muitos dos meus livros de ficção foram escritos a partir do cotidiano das crianças e jovens escolares. O ambiente escolar reproduz com intensidade a vida como ela é: sentimentos, relações, aprendizagens, grupos, etc...

4. Relendo alguns de seus contos, fica a impressão de que realmente está escrevendo para os alunos adolescentes. Isso confere?

Confere. Este é meu público. É difícil escrever para essa faixa etária, mas é muito bom buscar esse público.

5. O primeiro livro que li de sua autoria foi um chamado Tantas Historias no Escurinho da Escola. Apaixonei-me pela leveza do estilo saboroso. Poderia falar sobre esse livro?



 Esse livro faz parte de uma coleção chamada Tantas Histórias. É uma coleção que brinca com a metalinguagem. Além disso, cada um dos livros da coleção tem marcas próprias de uma história enquanto objeto (marcas de sol, marcas de dedos sujos, orelhas, pequenos rasgados, rabiscos, etc). Uma brincadeira com o livro “objeto”, uma história paralela do livro, independente da história ali escrita. A história do Escurinho da Escola é uma deliciosa brincadeira com os contos de fadas. Imagine, à noite, numa sala de leitura fechada, nenhum adulto por perto, as personagens dos contos de fadas criam vida própria, saem dos livros e...

6. Quando li o seu primeiro livro, estava na Cidade Tiradentes. Eu atuava como Professor Orientador de Sala de Leitura. Também viveu essa experiência? Poderia nos falar sobre esse acontecimento em sua vida?

Nunca fui orientador de sala de leitura, embora tenha ajudado a consolidar essa função na secretaria de educação de São Paulo e em vários outros programas de incentivo à leitura. Entre 83 e 85, coordenei uma equipe que praticamente definiu o Programa de Salas de Leitura das Escolas Municipais de São Paulo. Demos a cara da sala de leitura e a identidade do orientador da sala de leitura que ainda predominam hoje. É uma das experiências que mais me emociona lembrar, pelo alcance do programa, pela qualidade do trabalho e pela longevidade – até hoje, quase trinta anos depois, o programa de salas de leitura continua firme e forte, sem que nenhum prefeito ou secretário de educação tenha ousado desmontá-lo.

7. Grupo de jovens que passam uma noite acampados na escola e outras situações fazem parte dos cenários e das aventuras de seus personagens. Certamente foi no universo escolar que recolheu a inspiração para esses textos. Conte, por gentileza, um pouco ou algo mais dessa história, sobre a qual já deve ter falado na questão 3.

A idéia básica é essa mesma: uma turma de crianças vai acantonar em sua escola. E à noite, enquanto todos dormem, um dos meninos, sem sono, “saracoteia” pela escola, indo parar na sala de leitura onde muitas coisas acontecem...coisas que somente muita imaginação permitem pensar...

8. O que foi o projeto ou a coletânea "Sete faces do Amor"?

A coleção Sete Faces foi concebida por uma colega nossa, a Márcia Kupstas. Cada um dos muitos livros dessa coleção abordava um tema da literatura. Sete autores distintos escreviam, criando ou adaptando, uma das faces do livro. Eu participei de dois desses livros: Sete Faces do Amor e Sete Faces do Destino. Uma idéia muito boa, vendeu muito e encantou leitores. Extremamente bem feita. Não sei porque saiu do ar.

9. Participa hoje de uma Associação de Autores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil. Pode nos expor a experiência numa entidade de classe e qual o significado para os autores a existência de tal organização?

Sou sócio da AEILIJ desde o início, como sócio fundador. Também fui um dos fundadores da APLIJ – já extinta – de vida curta, nos idos dos anos finais da década de oitenta e início da de noventa. Acho muito interessante a existência de uma associação desse porte. Penso que a razão fundamental de uma associação como essa seja a de organizar os seus associados no exercício de sua função profissional, que é escrever e ilustrar. Fora disso é fazer política pública, ser braço auxiliar dos programas de governo, tarefas importantes, mas não da essência de uma associação de profissionais.

10. Conte ao leitor a sua experiência e trajetória com os livros didáticos.

Eu trabalhei muito tempo como especialista no ensino da Língua Portuguesa. Fui um dos primeiros a batalhar pela inclusão pra valer da leitura e da escrita como atividades essenciais do ensino da Língua Portuguesa, isso em uma época que o ensino da gramática era sinônimo de ensino de língua. Em razão disso, depois de ter dado tantos cursos e palestras, achei que era hora de por em prática algumas das ideias que sugeria aos professores. Tínhamos acabado de sair do governo da Erundina, o Paulo Freire como secretário da educação, muitas coisas na cabeça. Daí nasceu, com um amigo e parceiro, o Antonio Gil Neto, a coleção Nova Expressão, para as séries iniciais do ensino fundamental. Trabalho difícil, mas com bom resultado. Entramos nos programas do governo federal e vendemos muitos livros. Valeu. Depois não quis mais saber de livro didático. Fiquei no meio do caminho: nos paradidáticos.

11. Como pode o adulto se valer da Literatura Infantil para educar os seus pequenos sem transformar o livro numa chatice pedagógica ou didática, com ensinamentos morais, etc?

Vamos combinar uma coisa: educar, tudo educa. Qualquer livro, qualquer texto, qualquer diálogo. Educa-se pela literatura, pelo didático, pela bula, pela cartilha...a vida é educação permanente. O que diferencia é a intenção didática mais ou menos presente nos textos/suportes/livros. Ninguém escreve no vazio de significações. Todo texto é contextualizado, tem referências, postura ideológica, etc. Então é bobagem ignorar isso. No entanto, creio que devemos considerar que há livros diferentes e intenções diferentes. Por exemplo, eu escrevo muita coisa com o objetivo específico de ensinar conceitos, de discutir comportamentos, etc. Aquilo que alguns chamam preconceituosamente de politicamente correto (aliás, é bom lembrar que o Monteiro Lobato já fazia isso. Leia Emília no País da Gramática e você verá), pode ser escrito de modo interessante e gostoso e ser lido com prazer por crianças e jovens. É possível, portanto, ensinar, pelo livro, pela leitura, sem a chatice que você lembra.

12. O universo da blogosfera ainda não compete com as letras impressas no papel, devido à confiabilidade sedimentada durante séculos pela imprensa escrita no formato tradicional. Mas, a cada ano se alastra as possibilidades do blog. Acompanha esse movimento?

Acompanho. A meia boca. Ainda não tenho o meu blog, meu site ficou no meio do caminho. Colaboro com alguns blogs, acompanho vários, fuço muito em sites alheios, mas deixo a desejar na minha história. Um dia, uma hora, quem sabe...


13. Tem centenas e centenas e centenas de poetas no mundo da Internet, de modo que podemos dizer que o movimento literário alternativo da década de oitenta hoje se reproduz com a vantagem dos recursos que só a tecnologia pode ofertar. Como vê essa proliferação de poetas?

Meu caro Marciano Vasques: há centenas de milhares de tudo. De comentarista, de jornalista, de prosadores, de contistas, de ilustradores, de poetas... Acho que é assim mesmo. Sempre foi. Antes ninguém sabia. Hoje, todo mundo se esconde no anonimato da grande blogosfera, cria coragem e mostra sua cara. Não tenho a menor idéia no que vai dar isso... Antes podíamos dizer “ Só Deus sabe!”. Hoje, nem isso podemos afirmar. Acho que até Deus perdeu o controle.


14. O governo brasileiro compra livros, mas falta algo para aprimorar ou até fincar o gosto pela leitura, inclusive entre pessoas que trabalham no campo educacional. Tem alguma sugestão?



Tenho muitas sugestões. A mais importante delas é incentivar os educadores para que eles sejam sujeitos do seu processo, da escolha dos livros, da montagem do programa. Enquanto meia dúzia de iluminados (bem pagos) continuarem escolhendo os livros para os outros lerem, a coisa fica difícil. Descentralizar a escolha, a compra. Viabilizar recursos para montagem de projetos e programas de incentivo à leitura. Dar verdadeiramente melhores condições de trabalho. Melhorar a formação dos educadores... e vai por aí.


15. Já escreveu um romance? Sonha com isso ou pelo menos já pensou nessa possibilidade?

Para adultos ainda não escrevi um romance, no sentido tradicional da palavra. Já escrevi alguns pequenos romances para jovens. Não sonho com isso, nem tenho projeto para tal empreitada no momento. Talvez um dia escrever minha trajetória pessoal, de forma romanceada. Quem sabe?

16. Tem algum livro que poderia citar, que tenha causado em você uma profunda impressão e cuja leitura possa ter influenciado de algum modo a sua vida?

Tem livros que eu li e gostei muito. Não a ponto de causar profunda impressão e ter mudado minha vida. Minha vida pessoal e profissional é muito plana, previsível. Nenhuma grande mudança. A não ser uma separação dolorosa de um casamento de trinta anos. Sofri muito. E mudou um pouco minha vida. E não foi nenhum livro o responsável por isso. Nem o destino. O próprio caminho.
Livros que li e gostei muito??? São tantos...Capitães d’Areia, Autobiografia Precoce, Melhores contos de Machado de Assis, Cem Anos de Solidão, A Casa dos Espíritos, Poemas do Drummond, do Bandeira e do JCMN, Onde andará Dulce Veiga?, Incidente em Antares... e vai por aí...


17. Tem algum livro, de qualquer autor, clássico ou contemporâneo, que possa ser considerado o livro que você gostaria de ter escrito?

Assim de bate - pronto: Contos de Eva Luna, da Isabel Allende. Pode ser que amanhã o escolhido seja outro. E depois de amanhã, outro... e outro... são tantos!


18. A noção de Direitos Autorais se avizinha numa transformação proporcionada e impulsionada pelo avanço tecnológico. Tem um parecer sobre essa questão?

Penso que as coisas todas mudam e as últimas gerações, nós aí incluídos, vivemos em meio a transformações rápidas demais, principalmente na questão tecnológica. O suporte, a democratização do acesso, a transmissão, etc. tudo muda muito rapidamente. Mas o direito à autoria é e sempre será um direito inalienável. É o direito ao recebimento pelo trabalho, como qualquer outro trabalhador. E disso, por enquanto ainda não abri mão. Por enquanto, daqui a pouco não sei... a conversa continua.



19. Já escrevi sobre o livro "Amoreco": Um volume com deliciosas histórias com sabor de chuva e coração acelerado. Fale da gratificação desse livro em sua carreira literária.



AMORECO é um livro muito querido. Gosto muito das histórias, dos pequenos contos ali registrados. São contos que tratam da descoberta – para o bem e para o mal – das coisas do amor pelos pequenos leitores e pequenas leitoras. Aquela sensação diante do desconhecido que todos nós sentimos em algum momento na vida, lá nos anos da doce passagem da infância para a mocidade. São pequeninas histórias do cotidiano de meninos e meninas às voltas com o ensaio e a espera pelo beijo, com as tentativas de escrita do bilhetinho, da escolha da declaração, com a surpresa da traição – que bicho é esse?. Tudo isso, em meio às brincadeiras ainda infantis.
AMORECO também me é particularmente querido pois as ilustrações foram feitas pelo meu filho Kiko. Um livro querido que já rodou o mundo, com sua edição em espanhol, AMORCITO, e já fez parte de muitos programas de leitura.


20. De um modo geral, vale a pena ser escritor no Brasil?



Vale a pensa ser escritor no Brasil e, creio, em qualquer lugar do mundo. Adoro escrever. Não fico um dia sem escrever.
Escrever me reanima, me ilumina, me faz pensar o mundo, me ajuda a entender as pessoas e eu mesmo, me gratifica, me faz mais parceiro das pessoas, me reequilibra, me faz mais feliz...
Escrever é passar a vida a limpo.
Depois de tudo isso, escrever profissionalmente, ver os livros lidos, divulgados, comprados, adotados... é também muito gostoso e interessante.
Enfim... escrever, aqui, ali ou acolá é uma delícia.
PS. Os problemas relativos à publicação, vendas, prestação de contas, contratos, etc. são muitos, mas creio que fazem parte do ofício. E a gente vai levando e melhorando isso tudo.

21. Uma sociedade saudável, em termos mentais, de um modo geral, prestaria mais atenção em seus escritores, e em seus professores. Entretanto, assistimos ao desmanche dos valores essenciais na sociedade. De que forma a Literatura e a Educação poderiam reverter essa circunstância?

Literatura e Educação têm muito a ver com a construção de uma sociedade socialmente mais justa, democrática e saudável. Não é à toa que quando o regime aperta educadores e escritores são os primeiros a serem perseguidos, expulsos, exilados, presos, etc.
Educação e Literatura se completam. E podem cumprir uma trajetória especial nessa direção. Desde que, devidamente valorizadas. E não é o que vem acontecendo em nosso país. Mas a gente é daquele tipo que acredita e segue na luta...

22. Dentro de pouco tempo a obra de Monteiro Lobato será de Domínio Público. O que pensa sobre isso?

Dentro das regras atuais, acho legal. Mas sempre me questiono se uma obra de autoria deve ser de domínio público. Não sei... Talvez esticar um pouco mais o tempo. Ou talvez deixar a critério de cada autor. Fico devendo uma posição mais incisiva.

23. Acompanha o trabalho de seus parceiros? Tem tempo para ler um livro de algum de seus contemporâneos?

Acompanho e muito. Estou sempre lendo. Claro, não na quantidade que gostaria. Até porque leio um pouco de tudo e tenho cá minhas preferências.

24. Acredita que livros como os de Harry Potter ou os de Paulo Coelho possam de fato proporcionar uma contribuição com a disseminação do gosto e do hábito da leitura?

Acho que a questão da formação de leitores é um pouco mais complexa do que uma resposta a sua pergunta possa contemplar. Em princípio, a resposta é: sim. Qualquer livro lido é um pontapé inicial, um passo para uma caminhada, mas somente a leitura de um desses autores ou de outro qualquer não formará leitores. Ser leitor pressupõe uma caminhada mais sólida, mais definida, mais bem preparada, etc.


25. Também escreve poemas? Poderia nos comentar sobre essa modalidade de Literatura? É hoje a Poesia necessária? Por quê?

Adoro ler e escrever poemas. Poemas para ler, eu escolho com muito critério, pois não acho que palavras amontoadas em frases possam ser poemas. Há muita confusão nesse sentido, principalmente das pessoas mais novas. Talvez por isso o mercado, não reconhecendo tanto qualidade na produção poética contemporânea, se recuse a publicar obras poéticas. Há alguma coisa boa publicada, mas escondida, mal divulgada. Para mim, os grandes poetas ainda são os mesmos de ontem: Drummond, Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Mário Quintana, Cecília Meireles. Do povo mais novo, gosto muito das coisas que a Adélia Prado escreve. E de uma amiga minha, Dulce Adorno, ainda inédita.
Eu escrevo poucos poemas. Minha arte não é tão engenhosa neste pedaço. Mas arrisco alguma coisa e... tenho publicado. Ainda recentemente fiz um punhado de poemas para São Paulo, sua gente, sua vida, seus lugares. Inédito, guardado para mim.
A leitura de poesia (de bons poemas) é um combustível necessário para quem escreve, para quem gosta de ver as coisas por outro lado, para quem se acostumou com a beleza dos arranjos palavrados. A arte poética tem a necessária função de re-figurar a vida.



26. Tem alguma pergunta que não foi feita e que gostaria muito de fazer ao Edson Gabriel?



Foram tantas (e boas) as perguntas...
Acho que ficou faltando, mas fica para outra PALAVRA FIANDEIRA, conversarmos sobre as razões da escrita, sobre as ações centralizadas do governo na compra de livros, sobre selecionadores de livros, sobre atuação da escola, sobre direitos autorais pagos, etc..
Este dedo de prosa fica para outra PALAVRA FIANDEIRA...


26. Que palavras e que mensagem deixaria aos leitores de PALAVRA FIANDEIRA?

Coisinha à toa: ler e escrever são dois ingredientes fundamentais da vida. Leia e viva. Leia e escreva!

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PALAVRA FIANDEIRA — 
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

 Montagem artística de Rocío L'Amar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PALAVRA FIANDEIRA — 53

PALAVRA FIANDEIRA
REVISTA DE LITERATURA
REVISTA DIGITAL LITERÁRIA
ANO 2 — Nº 53 — 08/02/2011
NESTA EDIÇÃO:
Diretamente de Espanha

ANTONIO PORPETTA

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ANTONIO PORPETTA


1. Quem é Antonio Porpetta?

Um homem que, entre viver e sonhar, sempre elege sonhar (ainda que seja com os pés no chão).


2. Tem viajado pelo mundo e conhecido gente. Fale aos nossos leitores dessa alegria. O que representam para o senhor esses encontros?

Belgrado/ 1997 — Com Maria Kodama e Snezana



Leitura na rua Skardalija


A oportunidade de conhecer gentes, paisagens, vidas, costumes, apaixonantes. Ter encontros com seres humanos de uma qualidade inimaginável. Comprovar que ser poeta é bem mais do que uma habilidade para "escrever poemas". Reafirmar-me como pessoa entre pessoas. Entregar e receber.

3. Um de seus poemas diz que "nossa vida acaba sendo um dia". Fale, por favor, sobre isso.

Acredito que os poemas não devem explicar-se: que cada leitor busque e encontre neles sua própria explicação. De todo modo, nesse poema — "Um dia" — trato de resumir a alegria de viver e a esperança em nosso viver cotidiano.

4. Tem um livro em Português. Qual o tema desse livro?

— É uma pequena antologia de quatorze poemas meus relacionados com o mar. Foi publicado, em idêntico formato, em Espanhol, Francês, Italiano e valenciano. Além do Português. O mar está presente com muita frequência em minha obra, como realidade e como símbolo. Amor profundamente "Meu mar" Mediterrâneo.


5. Um poeta que "não entende quase nada de blog". Para muitos, estamos entrando na era da tecnologia, que irá substituir a era humanista. Como vê a influência e o futuro da tecnologia na vida das pessoas?

A tecnologia é muito útil para nos facilitar muitas coisas. Porém nada mais. Não deve converter-se em obsessão. E, claro, não remover o humanismo, epicentro de nossa dignidade como pessoas. Paradoxalmente, creio que a tecnologia pode nos ajudar a ser mais humanos.

6. Como se tornou poeta? Quando sentiu pela primeira vez que não poderia viver sem a poesia?

— Faz anos, a morte prematura e inesperada de um queridíssimo amigo me impulsionou a escrever algo em suas memória e homenagem. Sem esperar ou ao menos tentar, eis que resultou num poema. Assim me dei conta de que a poesia era para mim o meio idôneo para canalizar os meus sentimentos mais fundos. E desde então, junto a sua leitura, a criação poética foi o foco de minha vida.


7. Tem uma obra considerável: Livros de poemas, de contos, de ensaios, de teses acadêmicas. Qual o seu primeiro livro de poesia?

— Intitula-se "Por un Cálido Sendero" (1978), e é um livro em conjunto com minha esposa, Luzmaria Jiménez Faro (no total: a metade dela e a metade minha, com poemas separados) Foi ideia dela. Desde então, estamos visitando esse caminho - pleno de vida e de poesia -, cada vez mais cálido, com mais ilusão e mais esperança. Como todo primeiro livro, tem mais ternura que técnica.

8. Certamente recebeu prêmios literários. Como vê o prêmio na carreira de um escritor?

— Além de satisfazer o ego e da confirmação do próprio crivo literário, na Espanha servem, sinceramente, para publicar. As editoras raramente apostam na Poesia. Se o prêmio leva, além disso, a um acréscimo econômico, com a publicação do livro premiado, o autor pode ver sua obra difundida, com a possibilidade de ser lida por muitas pessoas.

9. Quais os temas predominantes em sua poesia?

Não há mais que um: a vida. A vida em todas as suas vertentes, variantes e manifestações. Essa vida a que, em um de meus poemas, chamo "um absurdo milagre", que nos é concedida para nosso desfrute e nossa humana realização.

10. Tem viajado para diversos países da América Latina e de América Central. Poderia falar algo sobre a poesia contemporânea de América de fala espanhola?

— Geralmente, a poesia é muito respeitada e muito querida em quase todos esses países. Há grandes vozes poéticas e os poetas são admirados — às vezes, quase como seres superiores — publicamente quanto reservadamente. Os espanhóis temos muito que aprender com eles.

11. Diz que escreve toda a sua poesia numa torre. Que local é esse?

É uma torre, na Sierra Madrileña (tem uma foto dela em meu blog), na qual me exilei para escrever, apenas interrompido — melhor, vestido — pelo canto dos pássaros. Dentro tenho um formoso sino do século XVIII, procedente de um velho convento, que sempre faço badalar quando termino um poema, como celebrando o nascimento de um novo ser.

12. A poesia é ainda necessária no mundo hoje?

— Hoje, mais do que nunca. É quase a única coisa que nos poderá salvar da mediocridade, a vulgaridade e o materialismo reinantes. Creio, sinceramente, que sem poesia não valeria a pena viver.

13. Teve livros traduzidos para outras partes do mundo?

— Sim, além dos anteriormente citados, coletâneas poéticas completas de minha lavra, foram levadas ao Alemão, Inglês, Russo, Sérvio, Árabes... Tenho tido sorte nesse aspecto.


14. Tem uma praça inaugurada com o seu nome. Qual é a sensação desse acontecimento e onde fica essa praça?


— A inauguração ocorreu em 30 de Janeiro de 2010, em Elda, meu povoado natal, na província de Alicante (uma cidade de 60.000 habitantes integralmente dedicada à produção de sapatos femininos). Foi uma emocionante demonstração de carinho sobre minha pessoa e minha obra.

15. De acordo com algumas previsões, o livro de papel desaparecerá com o avanço da informática, pois — dizem — o futuro é do livro virtual. O que pensa sobre isso?

— Não sei o que acontecerá. Porém, eu não posso prescindir do "prazer erótico" da leitura: a carícia dos dedos sobre o papel, o gozo sensível ao virar as páginas, o mesmo aroma da folhas, a adoção de uma postura adequada em qualquer lugar da casa ou em qualquer outro recanto, a mesma estética colorida dos livros em uma biblioteca... Um livro é muito mais que "algo" para ler: é "algo" para sentir e para ser mais feliz. O virtual jamais poderá substituí-lo.


16. Borges, nos anos 70, numa conferência na Argentina, disse que o livro é um objeto de culto, não no sentido religioso. Mas como zelo, respeito. Como interpreta essa declaração?

Absolutamente de acordo, como bem disse na resposta anterior.


17. Conhece algo de Literatura Infantil?

— Conheço muito pouco. Parece-me um gênero extremamente difícil. O mundo das crianças é apaixonadamente complexo: adaptar-se a ele requer uns dotes literários e humanos muito especiais. Eu não os tenho.


18. Poderia citar algum livro que tenha lido e que tenha influenciado a sua vida ou transformado o seu pensamento?

A lista seria demasiada longa. Cada livro que se lê modifica de alguma forma a vida do leitor, pois lhe proporciona, com maior ou menor impacto, novas experiências vitais, novas perspectivas, ou desperta adormecidas memórias.


19. Diante da tumba de León Tostoy; num encontro internacional de escritores em Belgrado: considera-se um escritor do mundo?


— Sem nenhuma vaidade, sim, considero-me um "escritor no mundo", felizmente cosmopolita. Por uma série de circunstâncias, desde 1985, em que realizei minha primeira leitura fora da Espanha, em Guatemala, tive o privilégio de levar minha poesia, e a poesia espanhola, de maneira geral, a muitas partes e diante de muitos auditórios. Fornecerei a você uns dados: que resumem esses vinte e cinco anos de atividades internacionais: 101 viagens ao exterior, 28 países visitados nos cinco continentes, muitos deles repetidamente. Um milhão de quilômetros de voo (aproximadamente, 25 voltas em torno da Terra), 356 atividades acadêmicas e culturais realizadas em 156 universidades e centros culturais... Que os leitores possam me perdoar por tantas estatísticas, mas é porque me sinto realmente plenamente recompensado por esse trabalho.


20. Se tivesse que escolher um de seus poemas para os leitores de PALAVRA FIANDEIRA, qual deles aqui deixaria?

Eis que elegeria um muito breve, o menor que escrevi. É de meu livro "Silva de estravagancias", e diz assim:

... E pensar que estas rosas
não sabem que são rosas,
e entrarão na morte sem sabê-lo...



21. Conhece algo da Literatura brasileira?

Envergonho-me confessar que sei muito pouco de sua Literatura. Porém, considero imprescindível, por exemplo, a poetas como Vinícius de Moraes, Ledo Ivo ( a quem conheci o ano passado — 2010 — em Bogotá), Cecília Meireles, Drummond de Andrade... Grandes vozes da Poesia Universal.

22. O que é o prêmio espanhol "Fastenrath"?


— É o mais antigo prêmio literário de Espanha (creio que surgiu em 1909). É concedido pela Real Academia da Língua Espanhola ao livro mais destacado (alternadamente, de Poesia, Romance e Ensaio) dos cinco anos anteriores. Foi concedido em 1987 ao meu livro de Poemas “Los sigilos violados”.


23. Seu poema "Las Sirenas" considero intrigante e profundo. Poderia nos comentar o que originou esse poema?

As pobrezinhas sereias necessitavam de uma reivindicação: não eram gente más. Sinceramente, nem sabiam que seus cantos encerravam a morte. Se os houvessem sabido, tenho certeza de que teriam permanecido bem caladas. Nesse poema, coloco-me ao lado delas e as defendo. Tinha que fazer isso.


24. Para um poeta basta a inspiração ou a técnica é imprescindível?

Eu responderia como respondeu San Juan de La Cruz a uma pergunta semelhante: "Alguns versos me são ditados por Deus. Porém, a maioria, eu os invento". Sem chegar a esse contato com a divindade, creio que no processo criativo tem algo de "inspiração" e muito de técnica. O poeta tem que se deixar na folha branca alguns chips de sua própria vida. Ainda que sem magia de nada serviria o fazer poético.

25. Seus pais eram portadores de uma cultura erudita, que incluiu a música clássica e uma ampla biblioteca. Considera que o meio ambiente influencia nos rumos da vida de uma pessoa?


— Tive essa sorte. Todavia o ambiente, às vezes, "influencia", não "determina".


26. Seu livro "HISTORIAS MÍNIMAS Y OTROS DIVERTIMENTOS" trazem contos curtos. Numa época de texto curto (Twitter) o romance de texto longo sobreviverá?

Naturalmente que sobreviverá! O que não sei é "como" irá sobreviver. Desde os mais velhos tempos todos necessitamos que nos contem histórias, que nos levem com a imaginação a mundo reais ou fictícios, que, de uma maneira ou outra, nos façam sonhar... A literatura cumpre essa função social imprescindível: que o homem consiga "ser" além de "estar".

27. Conte-nos sobre o seu livro "Memórias de um Poeta Errante."

— Eis que é um livro no qual um poeta errante (eu) expõe suas memórias. Agora, falando seriamente: nele recolho detalhadamente todas as minhas andanças literárias pelo mundo. Pessoas — de nosso ambiente ou não — povos, paisagens, anedotas, experiências... Tudo o que foi por mim vivido em minhas viagens pelo estrangeiro, amplamente exposto. Há, como é natural, momentos tristes, alegres, divertidos, preocupantes, perigosos... É um livro, em suma, pleno de vida... Porém, de vida "vivida".

28. Que palavras e mensagem deixaria aos leitores de PALAVRA FIANDEIRA?


— Que não deixem de visitar e recomendar este magnífico Blog, de tanto interesse para os que amam a literatura. Bem construído, atraente, com sugestivos textos... Um luxo para escritores e leitores.
Também, meus agradecimentos aos que aqui chegaram na leitura desta entrevista. (Agradecimentos extensivos, claro, ao Marciano Vasques, que tão amavelmente a propôs e a tornou possível.)
E finalmente, se têm um tempinho livre, lhes agradeceria muito que me visitassem em: http://www.porpettablog.com




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TRADUZIDO DO ESPANHOL PARA O PORTUGUÊS POR 
MARCIANO VASQUES

PALAVRA FIANDEIRA 
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

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domingo, 23 de janeiro de 2011

PALAVRA FIANDEIRA - 52

PALAVRA FIANDEIRA 
REVISTA LITERÁRIA
REVISTA DIGITAL DE LITERATURA
ANO 2 — Nº 52 — 24 JANEIRO/2011

NESTA EDIÇÃO:
GILBERTO MARCHI
O ARTISTA COM O ESCRITOR FRANCISCO MARINS

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1. Quem é Gilberto Marchi?
Desde pequeno sempre gostei de desenhar e tocar piano. Meu 1º desenho foi com 3 anos de idade. Iniciei meus estudos de desenho e pintura com José Roncoleto (Lubra), em 1963. A partir de 1964, comecei a trabalhar para a Galeria de arte André. De 1970 a 1976 lecionei desenho e pintura na Escola Panamericana de Arte. Foi lá que tive mais contato com o universo da ilustração. Indicado por Mario Tabarin, fui à Editora Abril, para ilustrar para a revista Exame e acabei por tabela, ilustrando para a revista Realidade. Daí em diante, não parei mais e ilustrei para quase todas as revistas da Abril.

2. Completa 37 anos como ilustrador. É uma trajetória exemplar. Tem a lembrança da primeira ilustração que realizou profissionalmente?
Sim, chamou-se “A revolução dos cravos”. Foi para a Realidade, tendo como tema a queda do governo de Salazar, em Portugal.

3. Já realizou capas de revistas, como a Revista Época Nº 747. Qual é a sua sensação ao saber que uma capa com a sua arte estará nas bancas, exposta para milhares de olhares?


A sensação é a de ter feito algo que pode mexer com as pessoas. Você deixou de ser um desconhecido.

4. Orgulha-se de ter ilustrado a capa de um livro do escritor Francisco Marins. Fale-nos sobre esse trabalho.


Sim, pois foi um escritor que sempre admirei. O livro chama-se Clarão na Serra e a ilustração foi realizada com guache.

5. Tem originais na galeria da Editora Nacional/IBEP. Pode nos contar sobre isso?
Fiz muitos desenhos para livros de português e história do IBEP na década de 70. Além disso, fiz capas para os livros de Ciências.

6. Realiza cursos para jovens com vocação artística. Poderia, por favor, nos falar desses cursos?

 O artista realizando oficina
Tenho alunos em vários níveis. Vários já são profissionais. Leciono desenho, pintura e técnicas variadas, desde o lápis de cor à pintura a óleo. Para quem se interessar, os detalhes estão no meu blog:
http://gilbertomarchi.blogspot.com

7. Já produziu capas de disco de vinil, o clássico Long Play. Conte-nos sobre essa experiência...
Fiz duas capas. A primeira foi para um disco de “dancing” e outra para um disco de “Clássicos dos clássicos”.

8. Já teve capa de livro premiada. Poderia nos dizer, quais livros, para quais editoras, e os prêmios? Ou pelo menos uma dessas premiações?

O médico e o monstro
No MASP , numa das exposições da CIB- Clube de Ilustradores do Brasil - fui premiado com ouro pela capa do livro de bolso “O Médico e Monstro”da Editora EDIBOLSO. Tenho vários prêmios de ouro, prata e menções honrosas, tanto como pintor e como ilustrador.

9. Está presente com a sua arte na vida das coisas que são, e as pessoas, eventualmente, nem se dão conta. Já ilustrou até embalagens. Fale, por gentileza, sobre esse trabalho.


O ilustrador muitas vezes está presente na casa das pessoas, nos produtos que elas consomem e raramente elas sabem quem fez as imagens impressas nas embalagens, salvo quando nos permitem assinar.
Eu ainda posso me orgulhar pelo fato de clientes terem pedido para que eu assinasse, pois minha assinatura valorizaria o seu produto. Uma delas foi a embalagem de lata do Café Itamarati.

10. Já fez ilustração para a revista PLAYBOY. Pode satisfazer a curiosidade de PALAVRA FIANDEIRA?
Já fiz muitas! Entre elas duas artes para o conto de Truman Capote” O Assassino que mandava presentes”. Fui por duas vezes indicado para o Premio Abril de Ilustração.

11. Seu histórico é amplo. Já realizou ilustração para o antigo CÍRCULO DO LIVRO. Pode nos dizer algo sobre isso?
Fiz várias artes, entre elas o retrato de Monteiro Lobato.

12. Já fez trabalho artístico para a geladeira Consul. Pode nos revelar isso? Como aconteceu o convite, qual a técnica utilizada, etc...


Esse foi uma série de artes bem divertidas. Uma delas era uma pescada branca dentro de bloco de gelo. Foram tantas artes que fiz, que um dia folheando uma revista Claudia, demorei para lembrar que aquela arte era minha. Nessa mesma série, fiz uma arte de forma de cubo, com frutas e legumes compactados.

13. Alguns de seus trabalhos são deveras curiosos. O que é Monanelore?
É a imagem da Monalisa, mas como uma vaca Nelore , para a Associação Gado Nelore.

14. Tem uma sólida parceria com a escritora Regina Sormani, sua esposa, e escritora de Literatura Infantil. Poderia nos contar como teve início essa parceria? Qual o primeiro livro dela que ilustrou? 

Livro infantil ilustrado pelo artista
Foram dois livros :” A Borboleta Bela e a Rosa Amarela” e “ Vovó e os Periquitos”, lançados pelas Paulinas. Juntos temos mais de 20 livros.

15. Aproveite e nos revele alguns títulos de Literatura Infantil que ilustrou, de autoria de Regina Sormani e de outros autores. Tem um que lhe deu um prazer especial?
Gosto de vários, mas o que mais gostei de ilustrar foi o livro de poesias Rebenta Pipoca, da Pioneira. Nunca ilustrei para outros escritores de livros infantis. Apenas didáticos.

16. Tem trabalhos realizados com personagens folclóricos das florestas brasileiras. Pode nos contar sobre essas encomendas?
Tenho telas com temas folclóricos que foram adquiridas por particulares. Uma delas foi o Curupira que está na coleção de um funcionário da Revista da Indústria- Fiesp.

17. Atuou artisticamente até para projetos imobiliários. Poderia nos expor verbalmente um desses trabalhos, nos contar sobre ele?
Realizei várias artes de edifícios e casas de alto padrão para as construtoras Godói e Inpar. São artes em aquarela, pastel seco, pastel oleoso,acrílico e lápis de cor.


18. Já ilustrou para livros didáticos, certamente. Pode nos falar sobre uma dessas criações?
— Para o Ibep, fiz perto de 400 artes para uma coleção de português da 1ª a 4ª séries.
19. Uma curiosidade latente: Já fez capas de gibis?
Ainda não , mas pretendo fazer em breve e não só a capa.

20. Como encara o prêmio na carreira de um artista ilustrador?
Como na carreira de qualquer profissional. O prêmio é um incentivo para seguir em frente.

21. Tem uma atuação discreta, mas um talento imenso. Acredita que a badalação não seja absolutamente necessária?
Prefiro que o trabalho fale por mim. Em geral a badalação é mais para “artistas” plásticos.

22. Participou do I Encontro de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, em São Paulo. Como avalia a importância de Associações de Escritores e também Artistas ilustradores no Brasil?

 O artista com outros ilustradores
Foi na Livraria Cortez. Fiz uma oficina de aquarela. Temos dois livros lá. As associações são importantes para unir as classes e os profissionais.

23. Ilustrou para a Paulinas livros com temáticas ecológicas, como "A Baleia Azul".
Sim. Foi um livro de colagem, lançado em conjunto com outros dois: Mico Leão Dourado e Panda Gigante.

24. Literatura Infantil é só para crianças?
Depende. Há muitos livros infantis e infanto-juvenis que são também para o público adulto.

25 O que foi ou o que é o ILUSTRA BRASIL?

 Trabalho exposto no "Ilustrabrasil!"
O “Ilustrabrasil! “, é o nome das exposições anuais da SIB- Sociedade dos Ilustradores do Brasil, da qual sou conselheiro. Já fizemos 7.

26. Resumidamente, quais os problemas que mais afligem o ilustrador no Brasil?
Concorrência desleal, problemas com direitos autorais, clientes burros, o governo comendo a nossa perna com impostos.

27. Que palavras e mensagem deixaria aos futuros artistas e também aos leitores de PALAVRA FIANDEIRA?
Aos futuros artistas, que aprendam a desenhar, pintar e a não se contentar com pouco. Para a PALAVRA FIANDEIRA, agradeço a oportunidade de participar desta entrevista.
Um abraço do Gilberto Marchi


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PALAVRA FIANDEIRA — 
Fundada pelo escritor Marciano Vasques