EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 8 de junho de 2013

PALAVRA FIANDEIRA 119


" [ ...] nosso coração não é breve, é infinito e deliciosamente incompleto."





PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  119


ANO 4 —Nº119 — 10 JUNHO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

MARA PITTALUGA



1.Quem é Mara Pittaluga?
Sou a poeta da beira do lago Lermen, cidade de Itaara, RS. Sou o que a vida pede. Sou da família, dos amigos, da natureza, da arte, e da poesia. Procuro viver intensamente cada momento, cada emoção. Choro quando tenho vontade, sorrio quando meu coração se alegra, viajo em meus pensamentos, tento realizar meus sonhos e compreender meus devaneios. Busco o amor e a felicidade acima de tudo...


2.Poderia, gentilmente, comentar sobre o seu primeiro livro?
Meu livro é de conteúdo lírico, que interage com a natureza. Algumas pinturas também voltadas para a natureza, para o belo. Meu livro nasceu à beira de um lindo lago, e viverá para sempre, porque literatura e arte não morrem, jamais!



3.Dedica-se à pintura, e mais recentemente à literatura, escrevendo poemas. O que a motiva para a arte?
Para cada pintura, um poema. Amo pintar, amo escrever. Esse é meu mundo, esse é meu viver. Sou motivada pela emoção de existir. A vida é uma arte!



3.Vive num lugar com lagos, pássaros, natureza. Acredita que a natureza, isto é, o meio ambiente, possa de fato influenciar a criação de um artista?
A natureza é a mais bela criação. Nela encontramos as cores, os sons, os movimentos, os sentimentos... a verdade. A natureza inspira amor e vida, arte e poesia.


4.Lançou um segundo livro, poderia nos tecer algumas palavras sobre ele?
Poemas à Beira do Lago (volume 2),terá como conteúdo: poemas, crônicas, pinturas, fotos do lago, ou seja, mais completo na minha concepção. Quanto mais o tempo passa, mais experiências vamos adquirindo, e mais conteúdo vamos acrescentando. A literatura acompanha nosso amadurecimento, nossa evolução espiritual, nosso crescimento interior. A literatura caminha junto, navega junto, voa junto com o escritor. Eterna companheira do ser e do viver.



5.Quando esteve em São Pauto, para a Bienal do Livro, encantou-se com o metrô, e passeou pela cidade. Que impressão levou de Sampa?
São Paulo é uma cidade linda. Fiquei encantada, olhava tudo com admiração, abraçava tudo com o coração. Cidade grande, povo acolhedor, apesar da correria do dia a dia. A Bienal foi um sonho realizado, um conto ligeiro, mas eterno no meu coração. Voltei com uma bagagem de novos conhecimentos, novos pensamentos, novas perspectivas.
São Paulo sob o olhar de Mara Pittaluga


6.Considera-se vaidosa. E também romântica. Quais seriam os atributos de um relacionamento num ideal de romantismo no mundo contemporâneo? E qual a importância da beleza entre os valores da vida? Acredita, finalmente, ser o romantismo necessário atualmente?
Sim, sou muito vaidosa e também romântica . Vaidosa no sentido de cuidar do corpo físico. É difícil atribuir valores para um relacionamento ideal, já que o ideal não existe, está sempre além. O que se espera é a valorização das emoções e sentimentos. Individuais e sociais. O “sonho” sempre será exaltado como busca deste ideal que todos procuram e proclamam. Expresso a realidade e exalto a natureza através do sentimento. A natureza purifica meu” eu” lírico. A beleza é essencial a vida e a poesia. Acredito que, o que ainda não é belo, um dia será. Tudo depende de como é visto, de como é percebido. O romantismo nunca será dispensado, a realidade sem romantismo é nada. Meu lado romântico me sustenta, me leva para o oceano dos sonhos, me faz navegar, e enfrentar as ondas da vida.




7.Já participou da Feira do Livro de Santa Maria? Qual é para você o significado  de participar desses eventos literários?

Participar de eventos literários significa apresentar a própria essência através da literatura, da poesia. Significa acreditar num mundo melhor, com mais educação, mais oportunidades, mais justiça, mais amor.
Mara Pittaluga na Bienal do Livro, em São Paulo


8.Num tempo de twitter, quando a mensagem tem que ser veloz e breve, com pouquíssimas palavras, como uma urgência destrambelhada ou um Haicai sem alma, os romances estão vendendo cada vez mais. E alguns autores vendem milhões de livros, como o Dan Brown. Assim, diante dessa suposta contradição contemporânea, qual é futuro do romance no mundo. Ele terá sempre vez?
Acredito que sim ,o romance sempre terá vez. As pessoas em suas urgências não conseguem satisfazer suas necessidades interiores. A ferramenta tecnológica nos coloca diante do mundo para sermos glorificados ou apedrejados . Não podemos reduzir nossos anseios , nossos medos e sentimentos a meia dúzia de palavras que não dizem a integralidade do que somos. O romance jamais morrerá, porque nosso coração não é breve, é infinito e deliciosamente incompleto.

9.Atua na Rede Social, postando mensagens e imagens diariamente. É certo que a Rede revolucionou a forma como os humanos se comunicam. O que pensa da Rede, de um modo geral? É possível atualmente alguém ficar fora dela?

Para tudo existe um propósito, uma finalidade. A rede social já faz parte do nosso viver, mas é preciso utilizá-la com inteligência e discernimento.



10.Tem algum projeto literário que possa revelar ou alguma exposição de arte?
Participar de varias antologias, exposições , feiras, etc
Cito algumas:
Antologia da CAPOSP – Casa do Poeta de São Pedro do Sul
Antologia da CAPOSM – Casa do Poeta de Santa Maria
Jornal Letras Santiaguenses
Exposições de artes, com o Ateliê de Pintura Marília Chartune Teixeira



11.Está sempre rodeada de amigos, inclusive nos lançamentos de seus livros. Acredita que um dia as amizades virtuais poderão alcançar o calor das amizades ao vivo, ou isso, de alguma forma, já acontece?
Sim, já acontece. Muitos amigos(as),que antes eram virtuais, hoje são reais e presentes na minha existência. É maravilhoso ter essa sensação de encontro, de conhecimento, de troca, de amizade, de ternura e respeito. O importante é saber conduzir a amizade com sabedoria, sendo ela virtual ou real. Conheci muitos amigos virtuais no lançamento do meu primeiro livro. Só emoção e prazer!



12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua Palavra Fiandeira?
A LUZ AINDA NÃO APAGOU

Mara Pittaluga

O tempo passa, os conceitos mudam, as opiniões tornam-se cada vez mais adversas, as trajetórias são opostas e o mundo está sofrendo constantes decadências por razão das injustiças sociais, das drogas, dos sequestros e de tantas outras coisas que tornam o homem tão pequeno de espírito.
Saber distinguir o que nos traz paz do que nos leva à degradação, é tarefa exclusivamente nossa. Por isso, somos seres racionais e capazes de lutar por um mundo mais humano.
As divergências existem, mas a sede de entrarmos num entendimento e de juntos buscarmos a harmonia supera o nosso prazer pela individualidade.
Dissimular aquilo que nos transmite insegurança, medo, aflição, é sinônimo de jogarmos com a existência e estamos aqui para acertarmos e não para pormos um fim
naquilo que chamamos de consciência.
Venha comigo, vamos contestar e provar ao mundo que o respeito à vida não acabou, que as esperanças não terminaram e que a luz ainda não apagou!
Venha comigo, vamos colocar uma pitadinha de amor em cada coração, porque esse é a estrutura de tudo!


PALAVRA FIANDEIRA

PUBLICAÇÃO DIGITAL DE DIVULGAÇÃO LITERÁRIA E ARTÍSTICA
EDIÇÕES SEMANAIS, AOS SÁBADOS
PALAVRA FIANDEIRA: LITERATURA E ARTES

FUNDADA PELO ESCRITOR MARCIANO VASQUES

EDIÇÃO 119  — MARA PITTALUGA









sábado, 1 de junho de 2013

PALAVRA FIANDEIRA 118

”Olhando Para Dentro”





PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  118


ANO 4 —Nº118 — 1º JUNHO 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

ALINA PERLMAN


1.Quem é Alina Perlman?
Alina é paulista, casada, mãe de 3 filhos, avó de 4 netos, leitora voraz. Sensível, tímida, apaixonada por crianças.
Uma escritora com 44 livros publicados mais 2 no forno, que ama o que faz!



2.Conte-nos, por gentileza, algo sobre o seu livro “E Se...”, publicado pela “Planeta Infantil”.
"E se...", ilustrado lindamente por Orlando Pedroso, é uma história na qual a imaginação funciona como alento, como remédio para o sofrimento, para a tristeza, para a dor.
Os irmãos Vera e Bruno passam por um problema que os leva a recorrer, em vários momentos, às mágicas palavras: "E se...", no quintalzinho de casa.
"E se..." os transporta para situações de alegria, de diversão, de mudança de cenário e de mudança de assunto. A alma se acalma e os ajuda a enfrentar a realidade.
E se... a gente desse uma espiada dentro do livro e participasse da mágica de Vera e Bruno?



3.Como a Literatura Infantil chegou em sua vida?
Sempre li muito, desde bem pequena. Meus pais foram grandes incentivadores e grandes exemplos. Todos em casa viviam rodeados de livros. E discutíamos, apaixonadamente, sobre o que líamos.
Apresentei para meus filhos, bem cedo, essa minha paixão. Li muito para eles e, principalmente, inventei muitos casos. Percebi, então, que gostava de inventar. No dia que meu filho mais velho me disse que preferia história lida à história inventada passei a escrever minhas "invencionices".
O cunhado de uma amiga, editor, leu um texto, gostou e publicou meu primeiro livro. Adorei a experiência, me empolguei e não parei mais de criar!




4.O Dia Nacional do Livro Infantil merecia ser mais comemorado no país. Tem alguma ideia que poderia contribuir para isso?
Não. Não me ocorre, infelizmente, uma ideia original... adoraria ter uma carta de mágico na manga... só posso dizer que mais exposição nas mídias seria muito bom! E oferecer meu trabalho de formiga como contribuição.
Faço parte da Aeilij, Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil e acompanho de perto o trabalho e esforço de muita gente boa para divulgar o Livro. É um trabalho que cresce e aparece dia a dia.
O Dia Nacional do Livro Infantil coloca um pouco mais de foco neste movimento. Neste dia as mídias dão um pouco mais de espaço a tudo que está sendo feito.
A televisão, o noticiário, os jornais e revistas, as mídias eletrônicas poderiam divulgar a literatura infantil e juvenil mais a fundo. Neste dia e em todos os outros, ajudando a difundir a importância dos livros nas casas e nas mãos das crianças e jovens.
Você, Marciano Vasques, faz um trabalho muito bonito neste sentido e está de parabéns!

5. Alina, qual foi o seu primeiro livro publicado?
Meu primeiro livro publicado foi "Papudo", pela editora Klaxon, ilustrado por Marcelo Cipis. É a história de um par de sapatos de festa que gostava de contar vantagem e das mudanças que o passar do tempo trouxe para sua vida.


 6.Alina, pergunta já antiga demais: acredita no fim da era do livro de papel?
Não, não acredito no fim da era do livro de papel.
Acredito que os e-books vieram para ficar, mas que existe espaço para a convivência de ambos, lado a lado, oferecendo um mundo de possibilidades, de crescimento, de desenvolvimento da criança, de diferentes maneiras.
Eu, pessoalmente, gosto muito do livro de papel. Ele permite que o texto literário seja curtido com foco, sem grandes distrações.
As maravilhosas possibilidades interativas do e-book nos leva a novos caminhos, mas interrompe a leitura. E, às vezes, fica difícil voltar ao texto original.
Esse é, talvez, para mim, o maior e mais interessante desafio... o de escrever histórias cada vez melhores. Histórias que prendam o leitor e permitam seu retorno a elas, com prazer, após usufruir das viagens para fora do texto que o e-book proporciona.

Com as suas amigas queridas em evento literário

7.Tem alguma preferência por algum gênero literário que lhe traga maior satisfação intelectual na estética da alma?
Não tenho um gênero literário preferido. Minha satisfação vem sempre de um texto bem escrito, de um enredo bem estruturado, do prazer de ser levada a novas experiências. Do conhecimento, do inesperado, do intrigante, da emoção, da alegria, da viagem, do susto, do aperto no peito que o bom livro carrega.
Com seus amigos queridos, do mundo literário

8.Um livro seu que deve atiçar os sentidos do leitor é SINTO CHEIRO DE PÃO QUENTE. O que poderia dizer aos fiandeiros e aos leitores sobre ele?
"Sinto cheiro de pão quente", ilustrado por Ana Raquel, é um passeio pela imaginação da criança. O cheiro aguça os sentidos e leva o personagem a novos lugares, novas sensações, novas possibilidades.
Gosto muito de escrever sobre as viagens que a imaginação permite.
Neste livro uma menina sai de casa para passear na mata e sente cheiro de pão quente! Ela cria maneiras de chegar a este pãozinho de cheiro tão bom, enfrenta e resolve montes de dificuldades, satisfaz seus desejos!



9.Acredita que a Literatura Infantil possa de fato contribuir com a melhora do mundo? Nesse aspecto, considera que seja uma literatura apenas para crianças?
Acredito piamente que a literatura infantil seja transformadora. Acredito que ela traga instrumentos para a criança lidar com as várias situações, que ela traga novas maneiras de tratar problemas, que ela ajude nas decisões a serem tomadas, que faça a vida da criança mais plena, mas feliz, mais significativa. Que amplie seus horizontes e traga uma maior compreensão de seu entorno. Cada livro pode ser lido em vários momentos do crescimento da criança, cada leitura propiciando novas sensações, novos aprendizados, sendo absorvida de outro modo.
Considero que um leitor curioso e sensível, de qualquer idade, tira algo de um bom texto infantil.



10.Tem algum livro que  leu na infância ou adolescência que sente que de alguma forma influenciou a sua vida?
Eu morei em cada livro do "Sítio do Pica-pau amarelo". Vivi cada situação, fui amiga de cada personagem. Ri, chorei, me comovi e cresci por dentro com essa coleção de Monteiro Lobato.

11.”Olhando Para Dentro”. O que comentaria sobre esse seu livro cá na Fiandeira?
"Olhando para dentro", ilustrado por Daisy Startari, conta a história de um avô que vem viver com a família por falta de condições de continuar a viver só. Incomoda, a princípio, o neto, mas, devagarinho, uma amizade profunda nasce da convivência entre os dois.


12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Agradeço o gentil convite do amigo Marciano Vasques e termino com uma frase de La Fontaine:
"Se quiser falar ao coração do homem, há  que se contar uma história. Dessas onde não faltam animais ou deuses e muita fantasia. Porque é assim, suave e docemente, que se despertam as consciências." 

Sempre com os amigos queridos

Rodeada de amigos



PALAVRA FIANDEIRA
PUBLICAÇÃO DIGITAL LITERÁRIA
EDIÇÃO SEMANAL
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EDIÇÕES AOS SÁBADOS
EDIÇÃO 118
EDIÇÃO ALINA PERLMAN
PALAVRA FIANDEIRA
FUNDADA PELO ESCRITOR MARCIANO VASQUES

sábado, 25 de maio de 2013

PALAVRA FIANDEIRA 117




PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  117


ANO 4 —Nº117 —25 MAIO  2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

CACÁ LOPES




1.Quem é Cacá Lopes?

O meu nome é Cacá Lopes
Nasci em Araripina,
Sou da terra de Nabuco
Pernambuco me fascina,
Vim ao mundo nas quebradas
Da região Nordestina.

Sou poeta, cantador
Sim Senhor! sou brasileiro,
Cantor e compositor
Cordelista, violeiro,
Sigo espalhando versos
No chão do país inteiro.



2.O que é a caravana do cordel?

É um grupo de poetas que surgiu há quatro anos em São Paulo, com o objetivo de fortalecer o Cordel, essa rica manifestação popular tradicional brasileira.
O movimento itinerante é formado por múltiplos fazedores de arte, vindos de vários estados da Nação Nordestina, mas tem também representantes de São Paulo, entre eles e elas: cantores, músicos, cordelistas, escritores, repentistas, xilógrafos, pesquisadores e entusiastas da poesia do povo.


3.Participa de eventos como a “Virada Cultural”. Que importância atribui para esses acontecimentos que enfeitam a cidade de arte e cultura?

Participei esse ano pela primeira vez da Virada Cultural, com os poetas João Gomes de Sá e Varneci Nascimento, no palco Virada Literária, a convite da LIBRE – Liga Brasileira de Editora.
É inegável a importância da Virada para o cenário cultural de São Paulo, é um tipo de evento gratuito que se espalha por outras cidades do país, promovendo as várias manifestações artísticas, movimentando o turismo, e gerando renda para todos os envolvidos, além de atrair milhares de pessoas que na maioria das vezes não tem o hábito de frequentar shows ou ambientes com culturas diversas.


4.A literatura de cordel hoje se notabiliza não apenas por ser a força de uma expressão popular, mas por estar cada vez mais se expandindo no panorama literário e cultural das metrópoles. Como vê hoje essa movimentação do cordel?

Vejo com bons olhos e de ouvidos atentos acompanho todo esse “burburim” em torno do cordel. Nas minhas andanças com o Projeto Cordel nas Escolas, há mais de 15 anos, percebo o grande interesse do aluno pela arte das métricas, pelas histórias rimadas e também o esforço do professor(a) ao abordar o Cordel no seu dia a dia escolar, com diferentes temas que encantam  e buscam despertar nos novos leitores o gosto pela leitura e o saber.

5.Às vezes um amigo desfaz a amizade do outro pelo fato de que o outro não o divulga, isso acontece. Diante dessa e de outras tantas questões, como interpreta o avanço espetacular da Rede Social no mundo, influindo de forma assombrosa na forma como a humanidade se comunica hoje, e até modificando, em termos, o conceito de “amigo”?

Com o surgimento das Redes Sociais pelo mundo, percebo muitas pessoas em busca de novos amigos virtuais, onde me parece que no conceito de amigo, o que mais prevalece é a quantidade e não a qualidade. É uma questão de ego e um vício dos tempos modernos. É fato e notório que, jamais o virtual irá superar o pessoal, pois não existe a presença física, o olho no olho, o aperto de mão. Como diz o poeta Escobar, há braços para abraços.

6.Como anda a sua produção, os seus projetos? Tem algum inédito, que possa aos amigos da Fiandeira revelar?

Estou finalizando a gravação de um inédito CD, o sexto da carreira, com músicas próprias e outras em parceria com Costa Senna, Marco Haurélio, João Gomes de Sá e Dé Pajeú. Algumas dessas canções enveredam pelo mundo do cordel, a exemplo da História de João Grilo e Chicó, que pode ser ouvida pelos amigos da Fiandeira.
OBS: Marciano, essa música se encontra na WEB, favor copiar, pois não aprendi ainda a usar essa ferramenta. Baixar procurando Cacá Lopes no Google, no link na 7ª página aparecerá CACÁ LOPES 2013 By Hermes Alves, com 6 canções, a primeira é JOÃO GRILO e CHICÓ.

Na poesia popular, deve sair até o fim do ano um novo trabalho pela Editora Luzeiro, denominado Cordel: Provérbios Engraçados e tenho inéditos uns 20 títulos pra serem publicados em Folhetos e Livros.



7.É compositor, poeta e cordelista. De que forma a infância tem responsabilidade por essa forma de estar no mundo, em produção e amor pelas letras e pela arte?

A infância é o doce recreio da vida, e a adolescência é como  férias no sítio da vovó, inesquecível. Refletindo essas fases da nossa passagem pelo mundo, sei da missão que cada de nós temos pra seguir e que a arte e o amor pelas letras podem contribuir  na transformação de uma rua, de uma vila,  bairro ou cidade, um outro mundo é possível sim.
Ao participar de um projeto social na periferia de Lajeado / Guaianases na Zona Leste da cidade, numa parceria da Ericsson do Brasil com a  ONG AVIB, tenho procurado semear minha arte em abrigos e escolas do entorno, tentando  melhorar o repertório de crianças e adolescentes dessa imensa Região da cidade, levando a boa música e o cordel, para essa turminha tão bombardeada por música de má qualidade e de gosto duvidoso.


8.Quando recebeu o seu primeiro sopro da poesia? Já na infância ou na adolescência? Tem um momento certamente em que a poesia bate à porta de nossa vida.

Fui apresentado a poesia numa época em que a escola era chamado de Grupo Escolar, no curso Primário, quase na mesma época em que meu pai Elpídio Lopes Frazão(já falecido), me apresentava a Literatura de Cordel, os Folhetos adquiridos nas feiras de Araripina. Entre os clássicos da época, um dos títulos que ficaram grudados na minha memória foi A Chegada de Lampião no Inferno, de José Pacheco.


9.Esteve recentemente no lançamento de Marco Haurélio. Além dele, quais nomes citaria nessa fecunda constelação da Literatura de Cordel, que considera grandes contribuições contemporâneas na difusão dessa modalidade literária?

Num dos capítulos do mais recente livro Literatura de Cordel – Do Sertão à Sala de Aula, de Marco Haurélio, tem um subtítulo
denominado: A hora e a vez da nova geração, onde constam nomes de vários poetas contemporâneos, que muito contribuem para a exposição e difusão do cordel na atualidade. Além de Marco, fazem parte dessa seara: Klévisson e Arievaldo Viana, Rouxinol do Rinaré, Costa Senna, Varneci Nascimento, Moreira de Acopiara, João Gomes de Sá, Aderaldo Luciano, Pedro Monteiro, Nando Poeta, Antônio Barreto, Luiz Wilson, Aldy Carvalho, Josué Gonçalves de Araújo, Cleusa Santo, Benedita Delazari, Fábio Sombras, Eduardo Valbueno, Assis Coimbra, Bosco Maciel, Nireuda Longobardi, Nezite Alencar, entre tantos outros que lançam e de forma independente seus cordéis em suas cidades, e acabam não ganhando projeção nas grandes metrópoles.


10.Já lançou um livro e CDs? Poderia, gentilmente, nos falar sobre eles?

Iniciei minha carreira no rádio como locutor, depois  na música e há uma década comecei a percorrer o caminho das das letras. Em 2001, lancei o primeiro livro, Cinderela em Cordel, adaptação da clássica obra do francês Charles Perrault, pela Claridade Editora, do grupo Nova Alexandria. Um ano depois, o segundo livro Vida e Obra de Gonzagão em Cordel, Ensinamento Editora. Em folhetos tenho publicados uma dezena, pela Ed. Luzeiro e também independentes.
O primeiro registro fonográfico ocorreu no início de 1984, em São Paulo, portanto, há quase 30 anos. De lá pra, lancei 06 CDs, 02 compactos e um disco em vinil (LP), além de várias coletâneas.


11.Mora também na Zona Leste e tem acompanhado a produção de Literatura, Música e Arte de alguns artistas da região, chamada de periferia. Uma efervescente produção artística e literária invade as praças de alguns recantos, como São Miguel Paulista e Itaquera, O que sobre isso poderia nos dizer?

Sou morador de Guaianases na ZL, há 29 anos e tenho acompanhado a militância de vários artistas, sujeitos periféricos, nos saraus da arte maloqueira, da quebrada. Na ONG Ação Educativa, funciona o Espaço Cultural Periferia no Centro, onde há 3 anos participo do Sarau Bodega do Brasil.
Quanto ao MPA – Movimento Popular de Arte da Zona Leste criado na década de 80 no vizinho Bairro de São Miguel Paulista, participei apenas de alguns eventos, não integrei a formação original, mas tenho amigos até hoje, a exemplo de Ceciro Cordeiro, Sacha Arcanjo, Zulu de Arrebatá, Escobar e Edvaldo Santana. O MPA voltou a cena esse ano num dos palcos da Virada Cultural.




12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?

Eu respondi em Cordel
Sua pergunta primeira,
E em versos também é
A resposta derradeira,
Obrigado aos leitores
Da Palavra Fiandeira.
 
O autor dessa Revista,
Enfrenta firme a rotina,
Conheci na Biblioteca
Lá na Cora Coralina,
Marciano é de Santos
Sua escrita é cristalina.

A Palavra é um pássaro
Que viaja sem parar,
Difundindo a poesia
Com um múltiplo olhar,
Um espaço democrático
É Um Blog bem simpático
Pra quem quer se informar



PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA DE DIVULGAÇÃO LITERÁRIA E CULTURAL
PUBLICAÇÃO DIGITAL DE LITERATURA E ARTES
PUBLICAÇÃO SEMANAL
EDIÇÃO 117 —CACÁ LOPES
PALAVRA FIANDEIRA:
FUNDADA PELO ESCRITOR MARCIANO VASQUES