EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 17 de novembro de 2012

PALAVRA FIANDEIRA — 92




PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA

Publicação digital de Literatura e Artes

ANO 4 —Nº92— 17 Novembro 2012
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

NESTA EDIÇÃO:

MARCIANO VASQUES


Especialmente convidado para entrevistar: 
Marco Haurélio


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Desenho de Daniela Vasques
1.Quem é Marciano Vasques?
Alguém que não se desgruda de alguns valores e princípios, e acredita com firmeza que a arte pode aproximar as pessoas e tangenciar a possibilidade de reconstrução permanente de sociedades mais sensíveis, influenciando no ciclo cotidiano e na aspereza dos relacionamentos. Crê ainda na força mágica das letras e na fundação do ser para o mundo através do batismo poético. É alguém que teve uma infância privilegiada, na pobreza material, mas diante da riqueza do contato com os verdes eucaliptos e o azul das alvoradas e dos entardeceres, que ele soube contemplar, ao tempo em que foi  agraciado com a felicidade desenhada com nanquim.



2.Você nasceu em Santos, cidade fundada por Brás Cubas, personagem histórico que evoca um monumento de nossa literatura. Fale um pouco sobre isso.
Santos será sempre a evocação poética para mim, o chamamento para a literatura em sua pureza mais extrema. A cidade linda tem um mistério que não me abandona, que é o segredo da cortesia. Caminhar em maresia, estar diante da delicadeza de almas e vidas que se foram deixando seu rastro comovente nas histórias que podem ser narradas através da literatura é algo espantoso, que certamente mexe comigo. A lembrança dos trilhos e das manhãs douradas, da névoa ganhando os contornos de pessoas que chegavam e partiam, tudo isso me assombra e me resgata a cada dia. O pouquíssimo tempo que vivi em Santos foi o bastante para me marcar como alguém com segredos entesourados.

3.Marciano Vasques, numa época em que não havia a Internet e as dificuldades de comunicação eram bem maiores, você criou o boletim literário Churros, que extrapolou as fronteiras de nosso país. Qual o legado desta iniciativa para o escritor Marciano Vasques e para os que embarcaram nesta viagem?
Churros sinalizou algo imenso que se formou em minha infância, quando permanecia horas na terra do quintal desenhando mil capas de gibis e criando personagens. Quando fundei a publicação Churros, palavra com sentido duplo, no caso. Além do doce conhecido, que representa a doçura da poesia, em quaisquer de suas andanças pela alma, por mais rude que seja não pode ser desprovida da doçura, que lhe é essencial, e também o segundo significado, que é o caipira que deixa o seu pequeno mundo e vai para a cidade grande onde é alvo de gozação, de brincadeiras e de descaso. É um outro sentido da palavra, em Espanhol. E pois, com o boletim estava diante de personagens reais, o grande gibi da vida, os que velam pela grandeza do mundo. Churros irmanou-se ao movimento literário alternativo, do qual tanto me orgulho por ter participado. Guardo ainda hoje algumas cartas de leitores do Churros.
O boletim foi a minha primeira loucura, pois sacrifiquei a família, ao financiar sozinho, na gráfica, cada edição, além do dinheiro que gastava com correios. Como sempre fiz, publiquei com muito amor vários poetas apenas por conhecer pelo menos um de seus poemas. Por ter suaalmauniversal, Churros tornou-se querido e alvo de perplexidade por algunscríticosque, por serem medalhões cultuados, escreveram coisas estranhas em seus espaços na imprensa. E alguns escritores, pouquíssimos, ensinaram-me através de seus exemplos, que às vezes é melhor ficar com a literatura. Mas graças ao lema de CHURROS, "O poeta é um Pássaro sem Fronteiras", e também a Rosa dos Ventos, que indicava todas as direções, conheci pessoas extraordinárias e idealistas, como Rosemary Lopes Pereira, de acentuada doçura, e Zanoto, por quem viajei até Minas apenas para abraçá-lo, e também conheci poetas fecundos, de valorosa produção. O Movimento Literário Alternativo representou um momento de inflorescência da consciência de que só uma corrente de dedicação recíproca torna-se inquebrantável, e de que a poesia e as letras furam todos os bloqueios, para circular de acordo com a sua natureza, ou seja, a liberdade de espírito.

A rosa dos ventos, símbolo da publicação alternativa CHURROS


ALMAS BRILHANTES; Da galeria de amigos de Vasques, Rosemary Lopes Pereira

4.Poeta, contista, cronista, professor. Envolvimento total com a palavra escrita e falada. Quantos Marcianos cabem dentro de um Marciano Vasques?
Marciano é um nome que tem a criatividade do senhor Feliciano, que ligou duas coisas distintas para me nomear. Como nasci em Santos, quis ele que eu tivesse o nome de Mar azul... e por isso, escolheu a palavra ciano, que é um tipo de azul, e ao mesmo tempo juntou o ciano de seu próprio nome com o Mar de Marinha, minha mãe. Gosto sempre de contar essa história, que é a versão verdadeira, embora alguns bem sei ainda me considerem um tipo de alienígena, por meu suposto distanciamento de grupos e de movimentos.
Poeta, cronista, educador, homem... Somos um todo, uma complexidade universal ambulante. De um modo geral quase todos desprezam essa força que atua em cada um, e que nos põe diretamente em contato com a imensidão da coisas que são. Sempre é bom lembrar de Espinosa, e também de alguns escritores. Não estamos, em hipótese alguma, desamparados. E assim sou eu, todos dentro de um, não divisibilidade, pois aquele que se chora e se  ri, que espalha sua gargalhada e seu pranto solitário, é o mesmo que escreve, desenha, e se aventura na justa necessidade de ser.



5.Um de seus livros, A menina que esquecia de levar a fala Para a escola, tem um título instigante. É baseado em sua experiência como educador?
Pois é, na verdade esse título é de um conto que ganhou um concurso da Secretaria de Educação, em 1996, e posteriormente foi transformado em livro, pela audácia e perspectiva da editora, tornando-se uma obra trabalhada por psicólogos, assim como tomei conhecimento quando da minha primeira ida ao Rio de Janeiro. Assim, como Uma Dúzia de Meia de Bichinhos, que serviu de base num trabalho realizado com crianças, pela Doutora Rita Russo, da Universidade Metodista, esse livro é de fato utilizado por profissionais que lidam com questões assim.
Tem razão: é mesmo baseado em minha experiência e vivência como educador. Numa época em que as crianças estão tão agitadas e tagarelas, encontrei em minha trajetória na Educação, diversas meninas e também meninos caladinhos, introspectivos, fechados num mundo aparentemente impenetrável



6.Fale agora um pouquinho mais do Marciano Vasques poeta. Suas influências, referências, obras de cabeceira...
nos primórdios fui presenteado com os gibis, fui gibificado. Essa aventura enriqueceu a minha infância de tal forma que jamais consegui sequer pensar em me separar desse extraordinário mundo de nanquim. Depois, veio o cinema com sua força, e ter tido a oportunidade de ter visto na tela algumas obras, comoOs Brutos também Amam,Noites de Cabíria,Doutor Jivago(sai do cinema chorando, a minha sorte é que estava chuviscando em Sampa.  E pude caminhar nas calçadas disfarçado pelo chuvisco) e outras tantas... tornei-me um homem apreciador da arte do cinema. Referências literárias? Li diversos autores, como Henry Miller, passei pela fase de Ágatha Christie, li os autores latinos, como Mario Vargas Llosa e tantos outros, enfim, li bastante, e Jorge Amado, que me encantou com sua maneira de descrever a gente simples da Bahia. Alguns livros comoJubiabáretenho na memória, como se tivesse lido ontem. No mais, muita literatura infantil, sobretudo quando fui Professor Orientador de Sala de Leitura...  E também grandes poetas, como Eugênio de Andrade e outros. E com paixão de súbita felicidade li Clarice... Devo ter seguido o melhor exemplo, ler muito... Quem quer escrever deve ler muito.
Escrevi poemas na época do Churros, alguns cravejados de versos inesquecíveis para mim. Hoje sou um apaixonado pelo conto... Mas bem que um romance me atiça.

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Henry Miller e Eugênio de Andrade, leituras de Marciano Vasques


7.Como foi fazer um livro com a lendária escritora Tatiana Belinky, referência para todos nós que transitamos pela literatura infantil e juvenil?
É lindona. Quando a vi pela primeira vez, em 2001, num Seminário de Múltiplas linguagens da Literatura, a chamei de meu amor. Ela nunca se esqueceu disso. Quando a revi tempos depois, ela disse: é o barbudo, o meu amor. Muito serelepe e graciosa. Um encanto. Fazer o livro com ela foi uma das mais gratificantes experiências de minha vida. Foram momentos de felicidade indescritível estar ao seu lado naquela sala ouvindo as suas histórias e participando da seleção das fotos. Senti, a cada encontro, que ela estava muito feliz por esse livro que estava nascendo ali, em sua casa.

Numa tarde, enquanto a sua sobrinha - neta fazia um desenho dela no sofá, conversávamos e ríamos muito, pois é assim com ela, sempre foi. Depois, a sobrinha - neta esqueceu o desenho na mesinha de tampa de vidro, e eu, atualmente ladrão de flores, tratei de levar e pus no livro, para surpresa da Tatiana.
Tiramos muitas fotos, das quais, uma ou duas, sempre divulgo. Quando ela liga para mim de vez em quando, é impressionante quando digo alô. Reconhece de imediato a minha voz.
Foram dias de uma alegre experiência. E sempre na sala o lindão do cachorro Alf, protegendo a dona, claro.
Desenho da sobrinha-neta de Tatiana Belinky, no livro "Encontro com Tatiana Belinky"


8.Sua bibliografia é extensa e contempla vários gêneros. Então, vou, ardilosamente, pô-lo contra a parede. De todos os livros lançados, qual o favorito de Marciano Vasques?
Pergunta obviamente difícil. Todos são favoritos. Cada qual me traz uma alegria diversificada. Bem disse Borges, o livro é uma das formas de felicidade que a humanidade inventou, é mais ou menos isso que ele disse numa palestra em 1971.
Se fosse possível aqui falar de cada um, eu poderia expôr a felicidade que cada qual me trouxe: Rufina, pelas crianças da periferia, como uma menina dizendo que queria tanto ser a Rufina, a amizade e o contato espontâneo de cada criança com a personagem, desde a noite de lançamento no Memorial da América Latina, assim, comoUma dúzia de Meia de Bichinhos, em todos os lugares aonde vou, eUma Aventura na Casa Azul, pelo qual, recentemente, numa cidade onde estive, uma enxurrada de pequenos leitores querendo saber quem escreveu o bilhete para Vera Márcia... É, de fato, não tem mesmo um livro preferido.
Com a amiga Rufina, que inspirou o livro RUFINA, adorado pelas crianças.


Livro "Uma Aventura na Casa Azul" — Editora CORTEZ

9.Dois personagens seus, Rospo e Sapabela, são muito conhecidos de seus leitores. Ambos, em diálogos inteligentes, abordam variados assuntos, com uma filosofia muito peculiar, calcada na simplicidade. Fale um pouco mais desses queridos companheiros de jornada.

Rospo e sua amiga são originários de um jornal, o que me deixa muito feliz, pois isso me remete à infância quando lia as tiras dos quadrinhos, embora Rospo e Sapabela não sejam personagens de quadrinhos, por enquanto. Devo muito às tiras. Isso me lembra uma situação curiosa. Eu fazia uma revista mimeografada chamada Carolina, e caiu nas mãos do DOPS. Os homens ficaram furiosos, pois na capa estava escrito “Nove Tiras”...
Adorado pelas crianças, 
Rospo, um personagem com mensagem para os adultos, nas escolas infantis.
Mas então, o Rospo, a Colibrã (Mistura de Colibri com rã) e a Sapabela surgiram nas páginas do jornal GAZETA PENHENSE, para o público infantil, e as historinhas, em torno de mais de 300, foram trabalhadas por algumas professoras, de forma constante, e várias cartinhas começaram a chegar à redação. O diretor do Jornal entregou-me essas cartinhas, que eu guardo, como tudo que é precioso. Posteriormente, os personagens foram para o canal de TV da Rede Leste, de propriedade da Gazeta Penhense. Os bonecos foram feitos pelo amigo Beto dos Fantoches. Doutora Irene Serra ficou imediatamente apaixonada pelos sapos e os levou para a Internet, onde mais de uma centena de histórias foram publicadas, com ilustrações de Daniela Vasques, minha filha. Ocorre que os personagens aos poucos foram se tornando para adultos, embora continuassem e continuam sendo adorados pelas crianças, mas as histórias passaram a ser direcionadas para o público adulto.
Rospo e sua amiga, são profundamente comprometidos com os valores mais caros aos humanos, e são adeptos da liberdade de expressão e amantes da Filosofia. Querem resgatar algo muito precioso que é a conversa. Hoje, com mais de mil histórias publicadas, embora eu preserve a contagem do blogCasa Azul da Literatura, onde, até o momento, registrei apenas 840, eles seguem em frente, e na medida do possível vão demonstrando que tudo o que oprime o ser, tudo!, deverá ser combatido até ser erradicado da mente e das sociedades humanas, ou anfíbias.






10.Você lançará, em novembro, na Livraria Martins Fontes da Paulista, o livro O voo de Pégaso e outros mitos gregos (Volta e Meia). Nele, você reconta dez dos mais belos relatos da mitologia grega. Fale um pouco sobre esse projeto.
Esse projeto nasceu da necessidade de transmitir o pouco que sei e conheço a respeito da Mitologia, como forma de aproximar os humanos dos mais complexos labirintos da alma. Deuses não são inocentes, não estão à deriva, eles exercem sim o poder simbólico da mesma forma como ocorre nos contos de fadas e na maravilhosa literatura infantil, sendo que sempre me despertou a curiosidade,e essa não pode ficar sequer cochilando, esse passeio mágico, esse encontro entre Psiquê e Cinderela, entre Orfeu, os músicos de Brêmen eA cigarra e a Formiga. É uma coisa de fato fabulosa pois deságua nas fábulas. Isso tudo é para mim muito fascinante. Essas ligações ocorrem sim, nas mais distantes regiões, em todos os povos. Não são, como podem ser supostamente compreendidas, histórias da antiguidade, apenas. São para hoje, para serem lidas ou mentalmente vividas, diariamente, sem o sentido religioso, mas como o mais profundo simbolismo, que a literatura nos oferta, em sua eterna jovialidade, pela qual somos pobres em gratidão por conta de nossas vidas estarem mergulhadas no tempo da velocidade.
Pégaso é a minha nova alegria. Tão bonita, como o próprio livro.



11. A mitologia grega ainda está muito viva no nosso imaginário. Nos quadrinhos, cinema, literatura e até nas telenovelas, os seus motivos e arquétipos estão presentes. Nesse caleidoscópio, onde situar o novo livro de Marciano Vasques?
Numa esfera de delicadeza, onde um livro não acadêmico pode ser lido como um livro de pura literatura, como se estivéssemos diante de um romance fatiado em contos. Assim é oPégaso, um livro generoso, que pode sim iniciar o leitor nofantásticomundo da mitologia grega, e descobrir que o tempo não desbotou algo tão profundamente valioso, testemunha primeira das andanças da mente humana na história do pensamento. É para mim um livro apaixonante, como foi apaixonante escrevê-lo, e paixão sim, paixão pela aventura, pelos desatinos, pela loucura, pelos amores, pela doçura e pelos mistérios insondáveis, paixão: eis a herança maior na vida de todos.


12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Alegria. Sempre! Alegria é o passaporte para a felicidade. Pois de tristeza nos basta. Viver intensamente a vida dentro de nossas possibilidades, isso nos faz auferir que a grande aventura da vida está na simplicidade, é dela que surgem as mais promissoras complexidades, que são traduzidas na Literatura e nas Artes, e assim nos tornamos cúmplices da mais grandiosa necessidade: Entregar-se à alegria, e isso é possível na produtividade, como nos ensinaram alguns mestres.




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PALAVRA FIANDEIRA
Ano IV
Publicação digital semanal
Literatura e Artes
Edições aos sábados
Edição 92 — 17 Novembro 2012
Edição Marciano Vasques
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

Agradecimentos especiais à MARCO HAURÉLIO, 
por ter aceito o convite para realizar a entrevista para esta edição.

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sábado, 10 de novembro de 2012

PALAVRA FIANDEIRA — 91





PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA

Publicação digital de Literatura e Artes

ANO 4 —Nº91— 10 Novembro 2012
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

NESTA EDIÇÃO:

DAUFEN BACH





1.Quem é Daufen Bach?

daufen bach, assim minúsculo mesmo, é pseudônimo de Clodoaldo Daufenbach, seu nome de nascimento.
De origem humilde, nasceu em 24 de julho de 1973 na cidade de Ivaiporã, no estado do Paraná, Brasil, numa casinha cheia de frestas e com piso de barro. É o primeiro filho de uma família agricultora de seis irmãos, quatro mulheres e dois homens. Sempre esteve engajado em diversos movimentos social, e politicamente ativo, assume postura de esquerda. Sempre estudou em colégio público e “se criou”, realizando trabalhos pesados. Além de agricultor, foi peão, servente de pedreiro, carregador de caminhão. Hoje é servidor público no Estado de Mato Grosso, educador, escritor, poeta, divulgador cultural e jornalista nas horas, além de ser apaixonado por fotografia, música e pelas artes plásticas em geral. É casado e tem filhos maravilhosos. Considera-se um homem de família, “das antigas”, as vezes um pouco austero, mas de coração mole, os filhos são a razão maior de sua vida.

Escreve desde a infância e possui mais de 20 livros escritos, dos quais publicou apenas dois. Parte de sua obra é divulgada através da Internet, em sítios virtuais e redes sociais. Participou de algumas antologias e possui textos publicados em revistas on lines e impressas, tanto nacionais como internacionais. Os seus poemas foram traduzidos para o Espanhol, Italiano, Francês, Búlgaro e para o Inglês e lidos em toda a América Latina e em alguns países da Europa, Ásia, Oceania, África. Possui uma Revista Literária Internacional, de publicação on line, onde publica e divulga autores e artistas dos diversos continentes. É Cônsul dos "Poetas del Mundo", uma associação literária que agrega autores de mais de 120 países, desde o ano de 2007.

Palavras dele: “Intitularam-me poeta e aceitei (pelo menos fisicamente não dói nada..rs). Além de poeta, sou pai e ser pai é algo que não tem explicação! Apaixonado, sempre apaixonado! Escrevi certa vez que paixão é minha licenciatura. Paixão por todas as coisas, pela arte em geral, pelas causas socioambientais, pelas questões políticas, pela diversidade cultural, por tudo que transpira ou faz transpirar... apaixonado pelo bom humor.

O resto da bula são coisas simples...podem ser mais ou menos resumidas naqueles versos de Leminsk: “não discuto// com o destino// o que pintar// eu assino”.
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2.Poderia falar aos leitores da FIANDEIRA sobre o projeto da Revista BIOGRAFIA? Quando surgiu? Qual o seu objetivo primordial?

O blog Revista Biografia surgiu há dois anos. É um blog de divulgação literária e dos elementos que desenvolvem e promovem a Literatura. No entanto, não significa, necessariamente, que se restrinja apenas a arte literária. O leitor poderá encontrar, além de escritores, poetas, prosadores, contistas, também: pintores, músicos, estetas... Está aberto para a divulgação da arte em geral.

Nasceu de maneira despretensiosa, sem nenhum intuito comercial ou de promoção pessoal. Era um espaço onde eu publicava os textos que me eram enviados por amigos que, devido ao caráter do meu blog particular, os textos não podiam ser publicados naquele espaço. Surgiu, primeiro, então com o título de: “Amigos do poeta daufen bach.” Um espaço destinado apenas para a publicação dos autores com os quais mantenho contato. Devido ao grande número de textos recebidos e da qualidade deles, o blog, apesar de manter o mesmo endereço eletrônico, foi elevado ao status de Revista; passou a ser encarado de forma diferente e vários fatores passaram a ser pensados e questionados.

Antes de responder a questão  sobre os objetivos, permito-me uma premissa: Quando se pensa em literatura, em produção literária e artística, sobre aquilo que possui ou não valor literário e artístico, a discussão é ampla e mais complexa do que se imagina pois, além das normas consideradas cultas, dos estudos sociológicos  da Língua...além escolas de Arte, existem as tendências e os estilos individuais...  o produzir algo novo que permite essa constante renovação artística e cultural. Baseado nessa premissa o Biografia não discute o valor literário, ele apresenta o autor, não faz essa distinção e deixa a cargo do leitor essa avaliação. O tempo, que para mim é o patrono maior de todos os escritores e artistas, cuidará para deixar vivo na memória aqueles que contribuíram de forma significativa para a sobrevivência da arte.

Com relação aos fatores, as questões de relevância e os objetivos, o primeiro deles está relacionado com a preservação da memória. Existem excelentes autores ainda anônimos e, muitos daqueles já vinculados, visitados e comentados nos meios virtuais, não possuem uma referência para que se possa saber um pouco mais sobre eles, uma fonte de pesquisa onde possam ser encontrados, pois, as suas poesias, as suas produções artísticas estão distribuídas de forma esparsa pela internet e, com essa velocidade relâmpago que os meios virtuais propiciam, muitas vezes, esse autor é trazido à tona e afundado no mesmo movimento, deixando-o esquecido. A Revista Biografia, mesmo minimamente, preserva sua identidade.

O segundo fator é o poder da literatura virtual tão em voga ultimamente. Creio sinceramente que os livros nunca perderão o espaço, nada substitui um livro nas mãos. Quando surgiram os primeiros gibis, os pais tinham medo que os filhos deixassem os livros de lado, depois surgiram às revistas e a mesma preocupação veio à tona, mas ainda, assim, os livros continuaram a existir e creio, sempre existirão como uma das formas mais gostosas de ler. Mas o avanço dos meios de comunicação, essa enxurrada de coisas que surge todo dia e, na grande maioria das vezes, supérfluas, rouba o tempo e a atenção, fazendo com que o hábito de abrir um livro fique esquecido. Quando não, os autores lidos são aqueles velhos conhecidos das aulas de literatura do ensino médio e dos cursinhos pré-vestibular. É preciso um espaço onde se encontre os autores, os novos autores dividindo “a sala” com os nomes já consagrados. Espaços iguais a esses já existem, mas o interesse comercial e midiático se volta sempre para o autor que já está em curso, já publicado e os “iniciantes” não encontram lugar onde se mostrar, a não ser nas suas páginas sociais, nos seus blogs, orkuts, sempre num trabalho árduo e solitário que não os integra a um grupo maior. A Revista Biografia, numa pretensão que pode, talvez, ser considerada exagerada, devido ao grande número de autores, quer reuni-los num ambiente conjunto.

O terceiro fator esta relacionado aos parágrafos anteriores dessa mesma questão. Para preservar a memória, dar espaços a esses autores novos, muitas vezes é preciso descobri-los, garimpá-los e promover a interação com outros escritores, estimulando-o a publicar. Na Revista Biografia há autores que escrevem como abstração apenas, uma catarse e há outros que são renomados e vivem do escrever, fazem da literatura, principalmente da poesia, uma das formas de sobrevivência. Autores com 20, 30 livros publicados, estão dividindo o mesmo espaço na Revista, temos publicados  reitores de universidades, donas de casa, médicos, advogados, pedreiros, mineiros, professores... etc.,. todos irmanados, de certa forma, pela literatura e pela arte em geral.

Um quarto fator e, o que faz a Revista Biografia ser uma revista internacional, é a intenção de alargar fronteiras. Autor é autor aqui, é autor no sul da Argentina ou no norte da Dinamarca, não importa a localização geográfica, todos possuem a mesma forma de sentir ou pensar a arte. Com o trabalho de divulgação que é feito, descobre-se o que está sendo construído em termos de arte. É tentar descobrir, espelhar, pelo menos numa escala mínima, o que se lê e escreve hoje e que tipo de influência sofre. Essa aldeia global onde o trabalho comercial das alfândegas aumentou, precisa-se também aumentar o intercâmbio cultural.

Um quinto fator e de cunho mais filosófico é o de ressaltar a arte. Desde que os gregos apresentaram a arte como obra divina, depois com a representação da natureza, com as questões de Platão, com o nascimento da estética com Gottlieb, as inúmeras manifestações artísticas foram sendo influenciadas. Da explosão do Renascimento aos dias de hoje, muita coisa vem sendo mudada, reescrita e reinventada. Novos olhares e interpretações surgem a todo o momento. O que vemos é um tsunami de produções artísticas. Alguns afirmam ser o apogeu da expressão e que nunca a arte foi tão intensamente interpretada, outros, como Levfbere, assiná-la que hoje estamos vivendo alguma coisa parecida com arte, mas não a arte como conceito primeiro. A Revista Biografia serve-se dessas questões para apreender e entender a arte nos dias de hoje e registrar, principalmente, na literatura, esse movimento vivido mas pouco entendido.

Enfim, há vários fatores que podem ser enumerados, mas o que se pode dizer resumidamente é que a Revista Biografia pretende descobrir e divulgar o autor de hoje, dizer quem ele é, o que faz, o que vive e onde vive e que influências sofre, para que se possa ter no futuro, mesmo que minimamente, uma noção, um registro daquilo que se produz culturalmente nos dias de hoje e, também, que se possa identificar se é a continuação daquilo que vem sendo produzido ou se há uma nova tendência surgindo, mas isso fica para os doutores no assunto...




3. Quantos países já foram contemplados com a revista? Quantas entrevistas já foram realizadas? De forma estimativa, qual é a aceitação pelos poetas e artistas?

A divulgação da Revista perpassou e perpassa quinzenalmente uma centena de países e temos registros de visitação de 110 países diferentes nos mais diversos continentes. O nosso público principal, claro, é o publico residente no Brasil, mas recebemos milhares de visitações do público residente nos Estados Unidos, no México, na Argentina, Espanha, Colômbia, Portugal, França, Peru e Chile, nessa ordem e, publicados na Revista estão autores e artistas de mais de 50 países, sendo a grande maioria de latinos americanos.

Aceitação é muito boa. Recebemos diariamente uma média de visitas que ultrapassa a duas mil pessoas. Isso, para um site de divulgação cultural que não oferece serviços gratuitos e raramente faz alguma promoção de brindes, um site que não vende produtos midiáticos e, tampouco, fornece downloads de softwares ou vídeos de gostos duvidosos..., é muito interessante. Oferecemos cultura, oferecemos leitura e só isso!

Para quem trabalha da forma como trabalhamos, sem esse vínculo comercial, sem remuneração, por não termos, ainda, uma estrutura adequada e, principalmente, por ser feita nas horas vagas (Tanto eu, quanto a outra administradora, Ivana Schafer, somos funcionários públicos e temos nossos afazeres), sabe que para atingir esses números e essa aceitação, é necessário muito trabalho e qualidade.

Revista BIOGRAFIA no mundo. Um projeto de amor.
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 A DAMA NO AZUL
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Ivana Schäfer é administradora, em parceria com daufen bach, da Revista BIOGRAFIA

4.Como surgem os colaboradores? De que forma eles são convidados?

Os colaboradores surgem de forma espontânea.

Com relação à publicação de autores e artistas, a imensa maioria é garimpada. Encontramos pela rede e convidamos. Muitos enviam o próprio material que é para ser publicado, outros indicam suas páginas e escolhemos nós mesmos o que é divulgado, mas existem aqueles que nos procuram e, felizmente, muitos tem nos procurado e enviado seu material.

Também temos colunistas que nos enviam regularmente artigos para serem publicados, estes, convidamos. Quando nos enviam colunas sem o convite, avaliamos o conteúdo, a qualidade literária, se são bons ou não, se agregarão qualidade ou não.

Há também aqueles que colaboram enviando material de outros autores. Hoje temos três colaboradores assim, embora não sejam regulares, mas de vez em quando nos encaminham alguma coisa. São eles: a UNIBLOG, através do editor Tony Casanova; A Academia Latino-americana de Literatura Moderna e o Editorial Sagitário, ambos com sede no México e, ambos, dirigidos pelo Doutor em Literatura Francisco Xavier Ramírez Sánchez e, temos, também, a Revista Guatiní, sediada em Miami e editada pelo professor e jornalista cubano, Ernesto R. del Valle.

Colunista da revista BIOGRAFIA
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Ana Unhold, artista entrevistada pela revista BIOGRAFIA
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5.Você é poeta, organizador de Antologias, escritor. Que poderia nos dizer sobre a luta do escritor numa época de tão supostamente acesso através de Internet?

Na condição de poeta e escritor posso dizer que é uma luta árdua. Nunca houve tantos escritores e poetas. A internet propiciou esse aparecimento e todo àquele que cria um perfil numa rede social, abre uma janela para o mundo e pode apresentar o que faz, o que produz. Mas como disse muito bem Ziraldo, há que se ter cuidado com o que apresenta. Essa janela não é seletiva na hora de apresentar, mas os leitores são! Existem muitos pseudo escritores e, da mesma forma que aparecem escritores, poetas e artistas magníficos, aparecem, também, muito trabalho ruim. Como a produção artística e capitalista e não se consegue apresentar cultura sem investimentos, por vezes, o trabalho ruim é impresso e algo bom acaba ficando sem apresentação. O autor tem que ter convicção de que seu trabalho é bom criar meios para apresentá-lo. Páginas na internet, participação em redes sociais são ótimas ferramentas, mas exigem trabalho constante, atualizações quase diárias e retribuições. Se alguém visita tua página, tem que se devolver a visita e fazer esse intercâmbio virtual. Se não fizer isso, logo se esvazia, o espaço torna-se apenas o cantinho de uma pessoa só.
Como Antologista (deixo claro que essas antologias são virtuais), não fiz nenhuma impressa, embora este seja um dos projetos para o futuro. Os autores precisam estar conscientes antes de participarem. O que existe de pretensos antologistas sobrevivendo à custa do dinheiro do autor iniciante não está no gibi! Nessa ânsia de publicar acabam caindo em armadilhas que, tanto economicamente, quanto a nível de divulgação de trabalho, não agregam nada. Os autores precisam estar atentos e conscientes do que estão fazendo.

O Brasil é um país campeão de acessos, a internet é uma ótima ferramenta, mas tem que saber usá-la, tanto para a divulgação quanto para a pesquisa. Para aqueles possuem pouca informação sobre os processos de publicação, editoração e mídias, de divulgação, encontra-se praticamente tudo.
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6.Tem algum projeto literário em vista? Pode, gentilmente, adiantar algo para a FIANDEIRA?

Além dos projetos futuros para a Revista Biografia, os quais falarei n’outra questão, tenho meus projetos literatos em nível pessoal. Tenho 20 livros inéditos prontos. Publiquei dois esse ano e pretendo, até o final de 2013, tê-los, todos, editados. Além desses livros, tenho três romances iniciados, os quais estão em fase de pesquisa. Também tenho uma coletânea de literatura infantil de cunho filosófico que será formada, por 12 volumes, 3 já estão escritos e acredito que dentro dos próximos 6 meses, a coletânea estará completa.

Tenho um blog pessoal que está, temporariamente, fechado, mas a página na internet esta sendo elaborada e logo terei um espaço virtual mais completo, que apresentará toda a minha produção literária.

Livro de daufen bach
7.Objetivamente, qual a gratificação, não material, claro, mas de alma, pela realização desse trabalho?

Eu sou oriundo de família humilde e, igual à maioria dos autores, enfrento dificuldades para publicar e expor o meu trabalho.

Poder, mesmo de uma forma, que não atenda todas as necessidades do autor, apresentá-lo e abrir um novo canal onde ele possa ampliar suas janelas e redes de contato, é algo que me deixa extremamente feliz. Como todo apaixonado pela arte em geral, percebo a carência de espaços democráticos para veiculação de cultura e a Revista, é para mim uma grande biblioteca onde aprendo, leio e fico “antenado” com o novo fazer artístico. O feed back que recebo desses artistas/autores e os vínculos de amizade que crio, são bem maiores e bem mais gratificantes do que qualquer outra coisa. Sinto-me interagindo e interagido.

8.Trace-nos, resumidamente, um panorama da produção literária no Brasil, ou no mundo, se preferir.

A produção literária tem sido intensa no Brasil e, também, no exterior. É uma enxurrada de novos autores e uma quantidade imensa de material editado e divulgado, tanto nos meios virtuais, quanto na forma impressa. Infelizmente a quantidade tem suprimido a qualidade, mas isso, mesmo soando negativo, nos aponta uma valorização maior e nos mostra uma quantidade maior de autores. Essa facilidade, essa produção intensa se dá devido as inúmeras formas e tecnologias atuais de impressão e divulgação. Sites como a Amazon e editoras que imprimem sob demanda e permitem ao autor ser o editor, diagramador e capista de sua própria obra, tem aquecido esse mercado.

Avaliação da qualidade literária pelo leitor depende de educação e conhecimento e, essa capacidade crítica, é o único critério capaz de separar o que é “lixo”, daquilo que, realmente, pode ser concebido como uma obra literária que mereça destaque. Infelizmente a educação não muito bem das pernas.
Com relação a custos e editoras para livros impressos, ainda, continua complicado, no Brasil principalmente. As editoras publicam apenas nomes já renomados ou, por um fortuito acaso, algum autor novo que despertou interesse na mídia e, como é capitalista esse processo nem sempre obedece qualidade e sim, público. Outro fator inerente a publicação por editoras é que, no máximo, o autor receberá, 20% do valor livro e, caso a edição não venda, lhe é descontado dos 20%, os livros que estão prateleiras. Sempre é preciso muito cuidado com assinaturas de contratos, nunca agir pela empolgação.

Para o autor publicar por conta própria tem toda a logística de edição, publicação e vendas, é um processo que despende serviço e custa um pouco caro, pois o valor a ser pago, diminui com a quantidade de livros impressos... isso tudo tem que ser muito bem avaliado. Outra opção é a publicação por demanda, mas nesse modelo o custo final sai muito caro e o autor não recebe quase nada, o lucro todo fica para as editoras.

Uma outra opção são os editais públicos, lei Roanet, o sistema Salic Web do governo federal, mas nesses casos tem que ter conhecimentos sobre elaboração de projetos e prestação de contas públicas. Saber elaborar o projeto, ajuda na aquisição dos subsídios e, saber fazer a prestação de contas, permite que não fique inadimplente junto a União.

O livro impresso, ainda, continua sendo um artigo de luxo e “carecemos” de políticas públicas que universalizem e facilitem ao autor, principalmente o iniciante, a publicar e que, essas mesmas políticas, barateiem o custo final para que o leitor tenha acesso.

Mas, mesmo diante das dificuldades, aponta algo positivo e mais facilitador no horizonte.


Alguns de seus colaboradores são poetas e autores. Isso o deve deixar feliz. Como é desenvolvido esse trabalho?

Isso me deixa extremamente feliz! Pois além da afinidade, existem os olhares diversos e o conhecimento sobre a produção artística. Isso enriquece sobremaneira o trabalho final e conseguimos com isso, atender a diversos públicos.
Uma das maiores colaboradoras da Revista Biografia, é Ivana Schafer, não é poeta e, também, não é autora, mas é uma apaixonada pela cultura e, devido ao seu conhecimento e dedicação, foi convidada a ser administradora, então, quero dizer com isso que, embora artistas, poetas e autores sejam colaboradores que enriquecem e muito a Revista, não buscamos, necessariamente, pessoas que produzam arte. O essencial é que gostem, pois como disse em outra questão, é um trabalho que não dá retorno financeiro, a nossa gratificação é a de estar realizando um trabalho que enriquece culturalmente os nossos leitores e divulga os nossos autores, principalmente os anônimos.

Aqueles que querem se tornar colaboradores da Revista, devem entrar em contato através do e-mail: biografiaemrevista@gmail.com, . A Revista segue alguns padrões para publicação, não é qualquer coisa que é publicada e não é publicado de qualquer jeito também. Aqueles que desejam ser parceiros, estamos sempre a divulgar as páginas, a dar os créditos todos e colocamos em todas as publicações, enviadas por eles, os links de suas páginas. É uma via de mão dupla, da mesma forma que nos oferecem conteúdos, oferecemos o reconhecimento pelo que fazem. É necessário frisar que todas as publicações são feitas pelos administradores da Revista, autores e colaboradores enviam o material a ser publicado, via e-mail. Feita as publicações, divulgamos em diversos grupos sociais e, pelo menos, uma ou duas vezes por mês para autores e leitores de mais de 100 países. A new lester da Revista possui mais de 10.000 (dez mil) contatos.


10. Já pensou em ter a revista BIOGRAFIA impressa? No formato papel?

Imprimir a Revista é um dos nossos projetos mais ambiciosos. Não foi realizado, ainda, devido ao custo financeiro, pois de acordo com os orçamentos que fizemos para diversos formatos e tipos de papéis, não temos viabilidade financeira. Precisa-se de parceiros, seja no meio público ou privado que nos dê estabilidade para publicação. Não adianta imprimirmos uma edição, volume I, por exemplo, e não termos sustentação para fazer o volume II, o volume III e assim sucessivamente, mas estamos em busca, olhando possibilidades e possíveis parcerias. Outro fator necessário para que ela seja impressa e ter uma equipe grande e competente e, hoje, a Revista conta apenas com duas pessoas.

Além desse projeto existem outros dois que estamos estudando e já iniciamos as conversações e propostas. O primeiro é de montar um site profissional, com possibilidade para publicação de livros virtuais, feitas pelo próprio autor, com um custo, praticamente, zero. O segundo refere-se a impressão de uma Antologia Universal da Revista Biografia. Como a Revista é internacional e temos uma verdadeira babel linguística, estamos buscando tradutores para serem parceiros e coautores dessa Antologia que pretende reunir, não só poetas e escritores, mas também todos os segmentos das artes plásticas.

Esses são os três principais projetos que estamos estudando e iremos realizar, mas existem outros que acontecem e continuarão acontecendo paralelamente e não exigem grandes investimentos financeiros e de tempo. Por exemplo: Queremos ampliar a rede de colaboradores, pessoas que enviam conteúdo. Temos o objetivo de ter um colaborador em cada Estado brasileiro para, com isso, valorizar a cultura de cada local e região; Também queremos aumentar o número de coautores na Revista, ter mais pessoas realizando o trabalho de publicação e formar assim um corpo de editoração; Queremos aumentar, consideravelmente, o número de leitores; Formar parcerias com editoras e instituições ligadas a cultura para mostrar os autores que publicamos; Estamos, também, buscando patrocinadores para que possamos dedicar mais tempo a edição da Revista e tornar ainda melhor a publicação e apresentação.

Todos esses são projetos que estão sendo estudados e desenvolvidos concomitantemente ao trabalho que vem sendo realizado.
CASA AMARELA, de Tatiana Carlotti, colaboradora da revista BIOGRAFIA

11.Dentro de sua produção, inédita, de poemas e textos, qual a temática predominante, nas suas abordagens?

Minha temática é variada. Como foi dito na primeira questão, sou um apaixonado pela vida, pelas causas sociais, pelo amor, pelo humor, pela política, pela filosofia, sociologia, pelo meio ambiente, enfim, um apaixonado pelo nosso povo brasileiro e pelas coisas que nos rodeiam. Tive o privilégio de conviver com pessoas simples e humildes e, também, honra de estar sentado com doutores, partilhando uma mesma mesa. Passeei e morei entre arranha-céus e imergi na magnífica Bacia Amazônica. Já estive atrás de escrivaninhas em escritórios luxuosos e no lombo de cavalos xucros... A minha poesia, a minha produção literária nasce dessas coisas que vivi... dessas experiências todas. Em algumas obras estou cantando o amor, em outras estou mergulhados nas coxas da musa. Em algumas estou cantando a fome e a miséria, n’outras, questionando a filosofia, em outras, ainda, vangloriando meu povo, sua alegria e sua regionalidade.
Posso dizer que o que escrevo é um misto daquilo tudo que vivi e enxerguei.
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12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua Palavra Fiandeira?

A cultura de um povo é o que o dignifica. É aquilo que será transmitido de geração em geração e dará a identidade do que somos e fomos para aqueles que vierem depois. É o nosso elo com o passado e futuro, a demonstração da nossa humanidade e dos conceitos que valorizamos.

Que sejamos sempre capazes de ler um bom livro e tenhamos a capacidade de admirar o que é belo. Que incentivemos, sempre, as nossas crianças a lerem e lutemos por causas que valham a pena. Que não nos atenhamos tanto a essa cultura midiática de “peitos, músculos e bundas” e possamos crescer culturalmente e, sobretudo, que valorizemos a cultura regional, universalizando-a, e reconheçamos os nossos artistas.

Agradeço a Palavra Fiandeira e ao Marciano Vasques seu editor e, também, aos leitores da Palavra Fiandeira por me oferecerem esse espaço para poder falar, um pouco, de meu trabalho e dos projetos que realizo. É um prazer e uma honra para mim! !


PALAVRA FIANDEIRA
PUBLICAÇÃO DIGITAL SEMANAL 
PALAVRA FIANDEIRA: LITERATURA E ARTES
EDIÇÕES AOS SÁBADOS
EDIÇÃO 91   —DAUFEN BACH
10 de novembro de 2012
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

sábado, 3 de novembro de 2012

PALAVRA FIANDEIRA — 90




PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA

Publicação digital de Literatura e Artes

ANO 4 —Nº90— 03 Novembro 2012
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

NESTA EDIÇÃO:

DALINHA CATUNDA


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A beleza do entardecer
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1.Quem é Dalinha Catunda?
É uma mulher com M maiúsculo, que não se abate diante das dificuldades, não teme a crítica e se joga de corpo e alma em tudo que faz.
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2.O que é o “Cantinho da Dalinha”?
O Cantinho da Dalinha, é a casa virtual que abriga minha prosa e meus versos, e lá também, interajo com meus amigos no jogo das pelejas, sem contar que, tenho um xodó danado por este espaço, o meu primeiro blog!
3.Você nasceu em Ipueiras, fale-nos sobre essa cidade e de que forma ela influenciou a sua vida, e também, naturalmente: como foi a sua infância?
Ipueiras é minha terra natal, cidade muito bonita que fica ao Norte do Ceará. Fui uma criança feliz morando interior, brincando de boneca, de peteca, de roda, tomando banhos de rios e açudes, com uma liberdade invejável! E mais tarde me deliciando com as danças nos festejos de minha pequena cidade. Acredito que esta rica vivência e mais tarde minha partida desta terra, culminando com a saudade, foi o que me levou a escrever, para ter com palavras, o que não tinha concretamente.
A rua em que nasceu Dalinha Catunda
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4.Como se deu o seu primeiro contato com o cordel?
Minha lembrança de ouvir falar em folheto e não em cordel, foi minha mãe falando que a parteira que pegava, ou aparava, como se dizia no Ceará, os filhos dela, largava tudo para ouvir na feira, o vendedor cantando o Pavão Misterioso. E este foi o primeiro cordel que tive a curiosidade de ler.
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5.O que é o cordel de saia?
A história do Cordel de Saia começa assim: Fui convidada para participar do, 1º Encontro Com Poetas Populares e Rodas de Cantorias, eu teria que falar da produção feminina na literatura de Cordel. Resolvi fazer um cordel abordando o assunto, o qual dei o nome de Saias no Cordel. Animada com o tema, assessorada por meu filho, Luiz Henrique, criei o Cordel de Saia, convidando a Acadêmica Rosário Pinto, que também participou do Encontro com poetas, para colaborar com o blog. Assim nasceu o blog Cordel de Saia que é um espaço aberto para literatura de cordel onde é divulgado o poeta cordelista, seus versos, seus eventos e tenta trazer a figura da mulher para compor esta página.
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6.Você escreve em seus blogs, resenhas, notícias, e também posta suas fotos. Demonstra sentir um prazer sendo blogueira. Hoje a Rede Social se intensifica. Como vê a situação da blogosfera (blogs) com o avanço das redes (Facebook, etc)?
Adoro ser blogueira, escrevo para vários blogs, para dois jornais impressos como colaboradora, me falta tempo para Facebook, Orkut e MSN. Já participei, no Face, tem tempo, do Arena Virtual, onde se fazia pelejas. Acho ótimo para quem tem tempo.
AMIGOS: Evandro e Rosário Pinto
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7.Além de cordelista, também atua na poesia romântica, erótica e sensual, e tem poemas de beleza que transbordam os olhos de ler, como “Ser/Tão Mulher”. Como deveria ser chamada a Dalinha Catunda? Poetisa? Cordelista?
Eu gosto da palavra poeta para os dois gêneros e acho que ela é bem abrangente. Como eu atiro para todos os lados incorporo qualquer um.

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8.Poderia escolher de brinde aqui um de seus poemas para os leitores da Fiandeira?
Claro que sim!
MEU JEITO AGRESTE
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Não nasci de sete meses,
Não sou mulher assustada.
Nunca fui guia de cego
Mas sou bem desaforada.
O meu nome é Dalinha,
Outro melhor não tinha
Para eu ser retratada.
.
Não sou de dizer amém
Cabeça não sei baixar.
Tenho nariz empinado
Não sou de me rebaixar.
Tenho cabelos na venta
Meu pirão é com pimenta
Que arde de transpirar.
.
Nasci no meu Ceará
O meu chão é Ipueiras.
Adoro o meu Nordeste.
Sou da ala das guerreiras.
Preservo meu ar agreste,
Já peguei cabra da peste,
E nele botei coleiras.
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Quem quiser me seguir
Que acompanhe meu passo.
Nem devagar nem ligeiro,
Pois tenho o meu compasso.
Aprendi lá no sertão,
A pisar em qualquer chão
Nem fico nem ultrapasso.
.
Sou abelha Dalinha,
Doce e de amargar.
Se hoje oferto mel
Também posso ferroar.
Meu mel e meu ferrão,
Conforme a situação
Sou obrigada a usar.
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Gosto de ser instintiva
Não queira me adestrar.
Este meu jeito agreste
Trouxe do meu Ceará.
Tenho lá minha doçura
Mas só mostro ternura
Se de fato me encantar.

9.Poderia nos traçar, por gentileza, resumidamente, o panorama contemporâneo da produção cordelista no nordeste. E como anda a presença da mulher neste segmento? Poderia nos deixar alguns exemplos e nomes?
Hoje parte do cordel escrito no nordeste e em outras regiões tem como endereço alcançar as escolas, mas ainda existe aquele cordel singelo apenas com intenção do entretenimento. Quanto a invasão das mulheres neste espaço seria mesmo inevitável, o cordel precisava deste outro olhar, não competindo com o homem, apenas ocupando a lacuna destinada a mulher.
Na ACC – Academia dos cordelistas do Crato, as mulheres são sete, Bastinha Job e Josenir Lacerda são fundadoras e ótimas cordelistas, A presidente, é Anilda Figueiredo, temos muitas mulheres fazendo cordel e bem feito.
NEZITE ALENCAR: mulher fiandeira

Josenir Lacerda
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10.Conte-nos, por favor, sobre a Academia Brasileira do Cordel, como surgiu, quem a fundou, a sua história...
Eu estou na ABLC desde 2008, instituição que aprendi a amar e respeitar, consta em seu acervo histórico que tudo aconteceu conforme o relato a seguir.
Academia Brasileira de Literatura de Cordel, foi fundada no dia 7 de setembro de 1988. Na diretoria, assim constituída, eram somente três os cordelistas: o presidente, Gonçalo Ferreira da Silva, o vice, Apolônio Alves dos Santos e o diretor cultural, Hélio Dutra.
Mais tarde, Umberto Peregrino, então Diretor da Biblioteca do Exército e fundador da Casa de Cultura São Saruê, grande amante da Literatura de Cordel, conhece Gonçalo Ferreira da Silva, presidente da ABLC, e se tornam grandes amigos. Com esta aproximação, surge em Umberto Peregrino a ideia de fazer a transferência do acervo cultural de São Saruê para a Academia.
Hoje o corpo acadêmico da ABLC é composto de 40 cadeiras de membros efetivos, sendo que 25% destas cadeiras podem ser ocupadas por membros não radicados no Rio de Janeiro.”

11.Escreve também crônicas e contos. Tem livros publicados? Tem alguma obra em projeto?
Apenas participações em antologias. Antologia da ABLC, da AILCA - Academia Ipuense de Letras Ciências e Artes, da qual sou membro também, e no, Cantos de Poetas, coletânea do 1º Festival Intermunicipal de Poesias, de Cachoeiras de Macacu. Pretendo publicar livros, sim, pois tenho material para tal. Porém quero fazer através de editoras e não produção independente, sem ampla divulgação.


12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua Palavra Fiandeira?
Eu encaro o desafio,
Fazer cordel não é drama.
Vou montando minha trama
Tecendo fio por fio
E no meu fuso confio,
Pois é arma de guerreira
Sou a típica rendeira
Com sotaque nordestino
Que teceu o seu destino
Com palavra Fiandeira.



Com mestre Azulão
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Carnaubal
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PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital semanal de Literatura e Artes
Edições aos sábados
Edição 90 — DALINHA CATUNDA
PALAVRA FIANDEIRA:
ANO 4 —Edição 90
Fundada pelo escritor Marciano Vasques