EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 27 de abril de 2013

PALAVRA FIANDEIRA 113



"...até que um dia me dei conta 
de que desenhar era a minha grande paixão 
e de que gostaria de dividi-la com o mundo".







PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  113


ANO 4 —Nº113 —27 ABRIL 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

CLÁUDIA TOY






1.Quem é Cláudia Toy?

Paulistana, morando atualmente na cidade de São Pedro – SP, aonde vim buscar qualidade de vida, encontro com a natureza, novos amigos, enfim, viver novas histórias. Professora de educação infantil, mas exercendo atividades nas áreas de desenho e artes plásticas.




2. Abril é o mais importante mês para a literatura infantil. Temos o dia Internacional, e o dia Nacional do livro infantil. Aprecia a Literatura Infantil? Costuma lê-la? Pode nos falar algo sobre essa modalidade literária? Acredita que seja uma leitura apenas para crianças?
Adoro a literatura infantil, e tendo filhos em idades diferentes (3, 11, 16 anos), tenho a oportunidade de acompanhar suas leituras apreciando cada uma destas fases. Acredito que os livros infantis não são só para crianças. Suas estórias nos trazem de volta o encanto, a fantasia,emoções que nos remetem à nossa infância e que por vezes esquecemos. É muito bom reviver estes sentimentos ao lado de meus filhos e de outras crianças, presenciar o efeito que um livro pode trazer a eles.



3. Abril tem ainda o “Dia Mundial do Desenhista”. Você é desenhista. Como surgiu em sua vida essa paixão pelos traços?
O desenho faz parte da minha vida desde criança. Amava os livros, vivia suas estórias e me encantava com as ilustrações. Quando adulta, exerci outras profissões, até que um dia me dei conta de que desenhar era a minha grande paixão e de que gostaria de dividi-la com o mundo.





4. Produz Histórias em Quadrinhos. Fale, por gentileza, um pouco de suas tiras.
Comecei a desenhar tiras bem cedo, era primeiramente uma grande fonte de diversão para mim e os que me cercavam. Com o tempo, entendi que através delas, de maneira simples e direta, podia passar mensagens importantes e passei a publicá-las em jornais.



5. Já ilustrou algum livro infantil?
Sim. Uma coleção infantil da escritora Isabel de Azevedo. Escrevi e ilustrei livros infantis que estão com o projeto em andamento.


6.”Histórias do Mundo” é uma tira criada por você. Conte aos leitores da Fiandeira como surgiu essa ideia, e qual é a sua, ou as suas abordagens sobre o tema.
Quando criei as tiras “Histórias do Mundo”, não queria estar presa a um só tema. Foi então que tive a ideia de juntar fatos e personagens históricos a situações atuais, cotidianas. Também me inspirava em notícias de jornais e TV que achava interessantes. Sempre procurei ser ética, trazendo aos leitores um humor leve, de fácil entendimento, agradando e tirando sorrisos de adultos e crianças, o que aliás, é minha grande satisfação.



7.Lê Poesia? Acredita que ela seja necessária nas sociedades contemporâneas?
Acredito que a poesia seja parte da essência humana. Como ilustradora, sou parte integrante do projeto editorial do livro de poesias “Receitas de Prazer”.


8.Algo curioso acontece atualmente: na época do Twitter, quando os textos são cada vez menores e “ninguém tem mais tempo pra ler” os romances longos estão vendendo cada vez mais. A que atribui tal fato? Tem uma ideia formada?
A tecnologia chega a nós de forma avassaladora, vemos nascer todos os dias, celulares e computadores que antes só imaginávamos em estórias de ficção científica. Tudo em função da necessidade de se comunicar, localizar pessoas e lugares rapidamente, para não se perder tempo, dinheiro. Ler um romance e deixar-se envolver por sua estória, passa a ser um momento único, insubstituível. É quando nos permitimos entrar num mundo à parte, vivenciando novas emoções.


9.Já sonhou em ter uma revista em quadrinhos própria?
Já desenvolvi alguns personagens, visando uma revista em quadrinhos própria. Um projeto que desejo realizar futuramente.



10. Atua na Rede Social. O que pensa sobre ela. Acredita de fato que a Rede aproxima as pessoas? Qual seria, para você, o maior benefício da Rede?
Acredito que a função da Rede Social é aproximar as pessoas e para mim, esse é o maior benefício. Hoje temos a possibilidade de nos unirmos a grupos de pessoas com os mesmos interesses, as mesmas ideias,mesmo que estejam do outro lado do mundo. Informações nos chegam a todo o momento.


11. Vez em quando se manifesta, através de charges, sobre a Educação. Crê que fora da Educação não tem saída para o indivíduo? E como vê, de um modo geral, a Educação em nosso país?
A Educação é de fato, a única saída para o indivíduo. É através dela que se caminha para o desenvolvimento. Vejo em nosso país, de modo geral uma enorme deficiência neste aspecto. Professores desvalorizados, métodos de ensino defasados, entre outros fatores, contribuem para que a educação deixe de ser prioridade. Lamentável.

12. Deixe aqui a sua mensagem final. Qual é a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Acredito que através da arte, possamos contribuir cada vez mais para a nossa sociedade. Um grande abraço ao Marciano Vasques e a todos os leitores da “Palavra Fiandeira”! E foi com prazer especial que participo desta atual edição.

Com a irmã ©

com pessoas queridas ©

PALAVRA FIANDEIRA
PUBLICAÇÃO DIGITAL DE DIVULGAÇÃO LITERÁRIA
PUBLICAÇÃO VIRTUAL SEMANAL
LITERATURA E ARTES
EDIÇÕES AOS SÁBADOS
EDIÇÃO 113 —CLÁUDIA TOY
PALAVRA FIANDEIRA — ANO 4
Fundado pelo escritor Marciano Vasques

sábado, 20 de abril de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 112




Importante numa relação é valorizar o que tem valor 
e abrir mão de apegos e medos desnecessários.



PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  112


ANO 4 —Nº112 —20 ABRIL 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

IDALINA DE CARVALHO


A filosofia é uma arriscada viagem, 
da qual é impossível sair ileso, 
já que a proposta é se despir totalmente 
e assumir posição de feto para nascer de novo, 
completamente nu de conceitos. 



1.Quem é Idalina de Carvalho?
Uma mulher obstinada em viver a plenitude das coisas. Sou uma caipira da zona da mata mineira, gosto de céu, estrelas, lua, de sol, de chuva, de passarinhos cantando, de cachorros e, especialmente, de gente. Gosto de estudar, de buscar sentido para todas as coisas que me rodeiam. Sou professora de Filosofia no Presídio Estadual de Cataguases, pós-graduanda em Filosofia, Cultura e Sociedade na UFJF. Escrevo poemas.



2. A Poesia e a Filosofia enfrentam a mesma fonte de pensamento característica de uma época que obedece ao imperativo da velocidade: a questão distorcida do pragmatismo, do utilitarismo, tipo: “A Poesia não é útil”. O que nos pode sobre isso comentar? São a Filosofia e a Poesia necessárias hoje?
Realmente é incontestável a percepção da superficialidade que domina as relações sociais contemporâneas, bem como do estado de alienação em que vivem os cidadãos  do nosso tempo. A grande massa é submetida a um sistema de escravidão voluntária, dividindo as horas do seu dia entre produção e consumo. Todos têm pressa e assim as escolhas passam a exigir um critério de seleção: a utilidade. Não há espaço para sentimentos – o espaço entre o início de uma conquista e a conclusão de um relacionamento é de uma brevidade espantosa; a poesia, que envolve a subjetividade humana e que tem um fim em si mesma, acaba sendo vista como dispensável, por não ter uma utilidade prática.  Entretanto, não é o fim – ou talvez seja. Mas quero dizer que em meio a toda essa massa preocupada com a aparência e a superficialidade das coisas, caos e harmonia se complementam;  do que é efêmero nasce a necessidade de substância.
É na busca da subjetividade perdida que a poesia, como a Filosofia, se fazem presentes.  A poesia deixa de ser, para a que desperta desse estado de sono, apenas a expressão de sentimentos, uma espécie de desabafo romântico – e se apresenta como um grito da alma, como a relação sensível de conflito  do homem exterior com o homem interior, do homem pleno como o seu próximo, do homem com o meio. Acima de tudo, a poesia concede ao homem o poder mágico sobre a palavra que, ao seu comando, se torna melodia.  A poesia não é necessária para a sociedade desumanizada, mesmo porque ela não percebe mais nada. É necessária sim para o artista que não se submete à escravidão moderna e que se intoxica cotidianamente com a falta de beleza do mundo. Para o poeta a poesia não é apenas necessária, mas indispensável, como a nota musical para o músico.
Quanto à Filosofia, é somente ela que pode levar o homem a empreender a difícil viagem para dentro de si mesmo – tão importante para que ele consiga digerir as aceleradas transformações por que passa a humanidade, especialmente nos dias em que vivemos. Diferente da psicologia, a viagem filosófica não leva o homem apenas ao contato com o próprio eu interior, mas principalmente ao encontro do outro, do da essência de tudo que o rodeia – até que ele perceba que nada tem sentido se ele se abstém de conferir sentido às coisas. A filosofia é uma arriscada viagem, da qual é impossível sair ileso, já que a proposta é se despir totalmente e assumir posição de feto para nascer de novo, completamente nu de conceitos. Só assim é possível iniciar uma vida marcada pelo  exercício da observação, da dúvida constante, de questionamento e  busca  de uma verdade superior. A Filosofia pode libertar o homem de seu estado de sono. Isso pode ser inquietante, já que ele se torna irremediavelmente condenado a ver as coisas como elas são – e talvez, para a maioria, seja muito mais agradável permanecer aprisionado dentro do que é virtual do que viver a vida real.

Com Ferreira Gullar   ©

 3.Nos conhecemos quando eu editava o boletim Literário CHURROS, matriz de Palavra Fiandeira. Depois fomos nos reencontrando diversas vezes. Gostaria que contasse um pouco sobre o Movimento Literário Alternativo. E essa trajetória de fazeres em sua vida...
No início da década de 90, depois de avaliar um livro que eu pretendia publicar, Joaquim Branco, poeta e professor em Cataguases, aconselhou-me a interagir com poetas e escritores de várias partes do Brasil, através dos boletins alternativos. Foi assim que tive meu primeiro contato com o movimento alternativo de poesia. Comecei, naquela época, a editar “Pensaminto”, um alternativo que circulava pelo Brasil e alguns países do exterior. Trocávamos publicações, livros, experiências. E através do movimento, a rede de amigos envolvidos com poesia me trouxe grandes presentes, como por exemplo, a poesia sonora e bonita de Marciano Vasques. Naquele mesmo período ingressei na faculdade de Letras e, em pouco tempo, comecei a lecionar Língua Portuguesa e tive oportunidade de levar a poesia aos alunos, através de vários eventos dos quais participei. Percebo que os amigos da década de 90 se reencontram hoje pelas redes sociais e que a grande maioria persistiu, trabalhando hoje a poesia com  uma qualidade ainda mais ampliada. O movimento foi válido, foi importante; foi, pra mim, uma semente que germinou e lança seus frutos a um número muito maior de leitores hoje.

Idalina divulgando cultura e poesia

4.Recentemente, demonstrou uma empolgação e uma felicidade extraordinárias com uma formatura. O que nos conta sobre esse acontecimento em sua vida?
A vida é constante movimento e deslocar-se, sair da própria zona de conforto para conquistar novos espaços é sempre motivo de comemoração. É necessário estar vibrante para que o movimento da vida adquira mais força ainda. Há três anos mantenho uma rotina de viagens, sendo professora na cidade de Cataguases na metade da semana e estudando em Juiz de Fora na outra metade. Uma rotina cansativa que, algumas vezes, me fez querer desistir. Mas eu consegui chegar enfim: na última terça-feira (16) aconteceu a minha colação de grau em Filosofia (UFJF), bacharelado e licenciatura. Entretanto, concluir a graduação foi um “jardim da infância” filosófico apenas. Em maio iniciam as aulas da pós-graduação na mesma área, onde os estudos filosóficos adquirem um enfoque mais político. O fascinante de empreender uma jornada dessas é que,  à medida em que eu caminho, consigo perceber o quanto pequena e ignorante eu ainda sou.



5.Participa da Rede Social. É interessante notar que a Rede difunde, principalmente através de piadas, ideias ricas de estereótipos, às vezes contra a mulher, por exemplo, porém, curiosamente, postadas por mulheres. Também é possível observar que algumas pessoas da luta literária que estão na Rede hoje, não conseguiram mudar o hábito de tentar esconder o outro, quando o outro não pertence ao seu grupo. A Rede, extraordinariamente revolucionária, pode de fato aperfeiçoar o Ser humano? Criar um perfil mais humano em todos os aspectos?
Não sei se compreendi bem esta situação de “esconder o outro, quando o outro não pertence ao seu grupo”, mas penso que essa atitude não é da rede de poetas em particular, mas do ser humano. Dividimo-nos em grupos, por afinidades, até mesmo pela necessidade de se manter aparências, de parecer mais do que se é. No meu caso, em especial, evito aceitar como amigos os que se iniciam na vida literária – e faço isso porque a grande maioria desses poetas são mesmo inconvenientes. São pessoas que, uma vez aceitas como amigas, não fazem questão alguma de manter uma conversação, ou de pelo menos pedir licença para te enviar poemas e textos diversos – fazem isso no mural, enviam como mensagem, não se preocupando em  sequer dizer um olá. Avalio criteriosamente todos os convites de amizade que recebo – e o critério que utilizo é o de afinidade  de propósitos na vida. Pessoas que têm objetivos, que buscam crescimento – não importa idade, situação financeira, profissão. Importa que sejam envolvidos com alguma causa que eu considere interessante.
Não acredito que a rede social possa aperfeiçoar o ser humano, mas que seja potencializadora. Se você visita um perfil de uma pessoa fútil, vai encontrar um shopping de  futilidades. Se visita uma pessoa vaidosa, vai se deleitar em vaidades. E assim por diante. Quanto ao “perfil mais humano”, creio que cada um encontra o que busca. Desta forma, se você busca se humanizar, a internet de forma geral pode ajudar muito. Como uma mãe inconsequente que dá aos filhos tudo o que pedem, a internet atende a todos os seus anseios e não utiliza de nenhuma ética ou limite para atender aos seus pedidos. Quem busca a rede social para ampliar conhecimentos, encontrará amigos com o mesmo propósito e encontrará caminhos para uma excelente pesquisa. Quem quer se desenvolver na senda do crime, também encontrará ali um campo imenso para se perder. A liberdade de escolha permite isso.


6.Você continua firme na difusão de algo que parece ser bem precioso em sua vida: A amizade. Aproveite e, por gentileza, relate à FIANDEIRA alguns dos valores que devem ou deveriam nortear a vida hoje.
Isso não é algo que eu busque, é muito natural pra mim porque eu realmente gosto muito de pessoas. Nada no mundo é mais importante que as pessoas que eu conheço e, conhecer mais pessoas vai me abrindo um leque que é feito caleidoscópio que se move e muda de cores e desenhos. Deve ser esse o meu talento, lidar com pessoas. Como professora, por exemplo, eu não percebo que aquele é um trabalho, porque eu interajo com meus alunos e aprendo tanto com eles, e divido percepções de vida, entendimento de fatos, enfim – é muito prazeroso, uma troca intensa de tudo.
Como dona de casa nunca fui um sucesso (risos). Mas a hora do café sempre foi marcada aqui em casa por longos bate papos, por risos e muita alegria. Cheguei a montar um projeto denominado “Chá com leitura” para reunir vizinhos, ler poesia e falar sobre a vida de todos. Eu amo realmente isso. Quanto a dizer quais os valores que deveriam nortear a vida hoje, isso eu não sei fazer, porque entendo que cada pessoa só consegue apreender o sentido de alguns valores quando estão prontas pra isso. Cada um, na sua busca por felicidade, vai encontrando pistas que levam a uma vida mais harmoniosa – mas sempre dentro do seu tempo particular. Acredito que cada um é realmente o que acredita ser, e recebe da vida  de acordo com suas crenças. Aquele que se afirma feliz, desenvolve um olhar otimista e acaba enxergando – até nas piores situações – algo de positivo. Aquele que se considera sofredor desenvolve uma percepção negativa que capta sofrimento até de situações positivas. Então é isso: acredito que felicidade seja uma forma de perceber aspectos positivos de situações e de se manter sintonizado mais na busca de soluções do que propriamente nos problemas. Sabedoria é uma palavra bonita pra ser usada como norte – e ela rima com harmonia, com alegria, com poesia.
Com Affonso Romano de Sant'Ana    ©

7.Tirando os aspectos materiais nas sociedades orientadas por um político e monetário sistema injusto, o que mais empobrece o ser humano? Não materialmente, quero dizer...
A falta de conhecimento é, na minha opinião, a maior carência do homem, porque ela  promove um distúrbio de percepção que leva o indivíduo à dificuldade de se relacionar com o outro. As pessoas não conseguem perceber  que é através do outro que se torna possível conhecer a si mesmo; que é na união com o outro que se torna possível resolver as mais difíceis questões da vida humana; que é na compreensão do outro que se encontra acolhimento para a compreensão da própria vida. Não há como tirar de tudo isso o sistema político e monetário, já que o poder incentiva o individualismo e promove incessantemente a disputa.

8,Aprecia a Literatura Infantil? De que forma essa literatura poderá como protagonista ou não, incentivar na criança a leitura do mundo sem esbarrar no didatismo?
A literatura infantil é filosofia pura, já que desperta a criança para a vida que acontece dentro e fora dela. Ela cumpre o papel filosófico de promover o deslumbramento, de acender os sentidos e mostrar que as palavras têm vida e têm melodia – e que os sons também podem ser coisas, enfim, leva à descoberta de si mesmo como um deus que é capaz de dar sentido às letras e transformá-las em coisas. E que também é capaz de poetizar as coisas, transformando-as em versos. Metaforicamente falando, não é isso o que um adulto tem que saber para enfrentar a vida?

9.FIANDEIRA insiste numa questão: Acredita no fim da era do livro de papel?
No fim talvez não, mas numa perda de espaço para os livros digitais, nisso eu acredito. Não só por problemas ambientais, mas também pela facilidade que a tecnologia  proporciona de tornar possível carregar uma biblioteca dentro de um notebook, por exemplo. Os livros que utilizo em pesquisa acadêmica, prefiro tê-los digitais, pela facilidade de carregar pra todo lado. Eu não deixei de comprar livros impressos, mas confesso que o número de livros digitais que tenho hoje ultrapassam ao número de  livros  tradicionais.

Idalina é poeta

10.Ao passear em seu mural deparei com uma postagem interessante e aqui emerge uma pergunta: O que seria um amor a preto e branco?
(risos). Amor em preto e branco talvez seja aquela união convencional, regida por regras em desuso e que não cabem mais na cabeça de quem não se deixa escravizar. Mas falar das minhas crenças filosóficas referentes a relacionamentos entre homem e mulher, é papo pra uma madrugada inteira (risos). Apenas resumindo: o que pode dar cor a um relacionamento é o fato de não ser necessário que alguém esteja preso, é permitir que a relação seja arejada. Importante numa relação é valorizar o que tem valor e abrir mão de apegos e medos desnecessários. Para haver leveza, espontaneidade e prazer é preciso caminhar sem o peso dos conceitos impostos pela sociedade de forma geral.

11.Idalina nos presenteará com um livro? Tem o objetivo de lançar alguma obra? Caso afirmativo, poderia adiantar algo sobre?
Claro que sim, meu amigo! Tenho um novo livro de poemas quase pronto, deve entrar pela lei de incentivo `a cultura da minha cidade neste ano ainda. Mas, antes disso, estou envolvida com a produção de uma antologia com poemas de alunos detentos do Presídio de Cataguases, ainda em outubro deste ano. Também estou trabalhando com alunos envolvidos numa pesquisa do núcleo de psicologia da UFJF (do qual faço parte), que tem como objetivo identificar superdotação e talento no Colégio de Aplicação João XXIII, da referida universidade.. Oriento dois adolescentes identificados como talentosos no campo literário. Esses alunos deverão lançar seus livros num futuro próximo.



12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Quero agradecer pelo convite de participar desse PALAVRA FIANDEIRA e parabenizá-lo pelo nível da entrevista. Confesso que acordei mais cedo e estou aqui há pelo menos três horas procurando ser objetiva e clara , em retribuição ao carinho de lembrar meu nome para ocupar esse espaço. Preciso falar da importância de intelectuais como você que, tendo talento e reconhecimento, desenvolve ainda um trabalho marcado pela gentileza de dar visibilidade a outros colegas. Continuemos juntos nesta tarefa de difundir a literatura, de promover o gosto pela leitura. Receba um abraço carinhoso desses morros de Minas  que guardam tanta poesia. 

Sarau de Poesia — Homenagem


PALAVRA FIANDEIRA

Publicação digital de divulgação literária
Publicação semanal
Edições aos sábados
Literatura e Artes
Edição 112
Edição IDALINA DE CARVALHO

PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

PALAVRA FIANDEIRA
ANO 4









sábado, 13 de abril de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 111



ROMÂNTICA INSPIRADORA DA EDUCAÇÃO

 © 

"Meu coração é uma biblioteca"




PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  111


ANO 4 —Nº111 —13 ABRIL 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

ROSA CLEIDE MARQUES


1.Quem é Rosa Cleide Marques?
Sou Rosa. Uma Rosa com espinhos na carne. Meus amigos presentes me chamam de Rosinha. Sou filha dos dois nordestinos mais amados: Cícero e Rosa. Tenho dois irmãos: Marcelo e Zuleide e três sobrinhos: Mikaelle, Matheus e Daniel.
Sou bibliotecária, agente literária e uma Romântica Conspiradora da Educação. Vivencio o mundo da educação e das bibliotecas faz 22 anos. Costumo dizer que: Deus me escolheu para essa tarefa de decifração, de prazer, de exercício e de valores.
                                                 Na Bienal do Livro ©
2. O que é o seu jeito “Quixotesco” de ser?
Sou alguém que percorre desde sempre um entendimento maior da arte de viver.
Ter um jeito quixotesco é como ser enlaçada e acolhida pelo amor e a simplicidade vivida e sonhada.


3. É bibliotecária. Pode nos contar, por favor, a sua trajetória? Que “sinais” contribuíram para a sua decisão de conviver entre os livros?
As principais razões foram sempre a vontade de aprender e de ser, de ter uma vida e uma profissão que me desse prazer, de perceber desde cedo o quanto a dedicação e a coragem nos faz chegar nos mais distantes lugares. E principalmente de perceber que o meu coração é uma biblioteca. É ela que me arrebate e me transporta para seu mundo. Que não me deixa opção, senão ficar, morar nela e transformar este espaço em pluralidade de leitores.
Na biblioteca do colégio onde trabalha. 



4. De onde vem, qual a origem desse seu amor confessado e explícito pelo livro? Qual a contribuição da sua infância nessa história?
Meu pai e a minha primeira professora me mostraram o caminho!
Quando eu era criança meu pai lia para mim Patativa do Assaré e a Bíblia. Ele só tinha aqueles dois livros, e quando terminava a leitura comentava que se o meu avô o tivesse deixado estudar nossa vida seria melhor. Ele falava que a leitura é tudo na vida das pessoas.
                                                                           Patativa do Assaré: Leitura na Infância
Sou uma apaixonada pela leitura. Este universo é muito rico e encantador, e nós somos os mediadores e iniciadores das crianças neste mundo maravilhoso da leitura. E sabemos que o trabalho com a leitura deve ser lúdico, prazeroso e imensamente agradável.

5. No povo é costume as pessoas dizerem: “A minha vida daria um livro!”. O que pensa sobre isso? Todas as vidas dariam um livro?
Somos e fazemos a história de um povo, de uma vida! Por isso nossa vida será sempre um livro. Sendo o livro algo que tem corpo, isto é, forma, tamanho, cheiro (por que não?) etc.; ele sempre se apresentará para nós, aos nossos sentidos como a minha vida é um livro.

                                                     Com Marco Haurélio: Fiandeiro nº 60
6. Trabalha num colégio quase o dia inteiro, vive num permanente contato com as professoras, as crianças e os jovens. Poderia, por gentileza, falar um pouco sobre isso com a Fiandeira?
No ano de 2006, tive a honra de receber um convite da Marie Yamasaki, uma das pessoas mantenedoras do Colégio Marupiara, para contribuir com este grande projeto de escola democrática. Meu papel é zelar da biblioteca, das crianças e jovens leitores e amantes dos livros. Essa casa é um espaço de ensinamentos. Aqui tenho aprimorado meu olhar para a vida, aprendendo todos os dias o quanto é bela a educação e seus valores.

Musicista na biblioteca do colégio Marupiara: Rosa Cleide convive com as letras e a arte.

7. Divulgou recentemente na Rede Social uma lista intitulada “Livros que Amo”. Como vê a Rede e a Internet na propagação da Literatura? É possível alguém hoje estar fora da Internet?
Hoje a internet é para nós a ferramenta revolucionária e o mais belo suporte para a disseminação literária. O avanço da internet, redes sociais sobre todos os aspectos da criação é um caminho sem volta. Não quero, entretanto, dizer com isso que a internet vai substituir o livro, ou que a biblioteca vai deixar de ser uma das principais ferramentas do universo do bibliotecário. O fato é que, com a internet, a vida do bibliotecário foi bastante facilitada, principalmente para divulgação e propagação do universo dos livros e da leitura. As razões explicativas desta realidade são muitas, e nem todas são atribuíveis à irrupção do mundo virtual.


8.O que é preciso para um livro morar no coração de alguém?
É quando prevalece a liberdade!! Minha paixão pelos livros é imensa, amo ler e este néctar não tem diferenciação. Para mim, a doçura é a mesma para a literatura Infantil, Infanto-Juvenil e todas as outras. Eu provei do mel e me embriaguei para sempre... A leitura sacia minhas curiosidades e alimenta minhas paixões.


9.O que nos poderia dizer sobre a importância do contador de histórias no mundo contemporâneo?
A importância se dá em todo o universo literário, pela percepção do envolvimento das crianças e ouvintes. Do envolvimento do leitor com o contador de histórias. Da forma de como ele escuta, pois o escutar compreende as experiências vividas.
Ouvir histórias é um processo tão belo que uma mesma história vista e compreendida por um ouvinte, pode ter diversos sentidos.
Os contadores de histórias são cheios de poesia, metáforas e fantasias. Eles estimulam e alimentam a imaginação e a criatividade do leitor.
Nos tempos atuais, precisamos todos (não só as crianças) de encantamento.



10.O que precisaria para que todas as bibliotecas se transformassem num local de encantamento de crianças, jovens e adultos?
Que exista biblioteca acessível a todos, independentemente do fato de vivermos no mundo contemporâneo e na modernidade líquida. A família tem papel decisivo na formação de leitores. Leitores não surgem. Leitores são criados.
Precisamos desenvolver de forma intensa um grande valor aos livros e considerar as bibliotecas os lugares muito especiais.
A biblioteca deve ser o lugar mais importante, mais querido, mais preservado. Só assim conseguiremos estabelecer a relação dos leitores com o maravilhoso universo dos livros e das bibliotecas.
O mundo de Cleide Rosa ©


11. Fiandeira ainda insiste numa pergunta já batida: Acredita no fim da era do livro de papel?
Não acredito que o livro de papel deixará de existir. O ato de ler é plural, o livro é plural!
O livro é instrumento decisivo para que as pessoas possam desenvolver de maneira plena seu potencial humano e caracteriza-se como fundamental para fortalecer a capacidade de expressão da diversidade cultural nos dias de hoje.
Nem todas as pessoas tem acesso à tecnologia. Existem milhares de pessoas em milhares de lugares que o livro de papel é o único contato com um mundo mais belo e cheio de encantos. Por ter um custo acessível, pela facilidade de irmos às bibliotecas e até mesmo por meio de doações, empréstimos, trocas, etc. São tantos os meios de contato com o livro! Basta que exista mais investimentos por parte do governo e da educação e cultura.
Em Março de 2012: presença constante de Lobato


12. Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua Palavra Fiandeira?
Quanto mais uma criança lê, mais ela gosta de ler; quanto mais hábil na leitura, mais autonomia tem para buscar os livros como fonte de conhecimento e prazer.
A criança literária bebe na fonte das lembranças e experiências pessoais.

                                                                     Com amigos queridos da Editora Paulinas

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Edição 111 —Rosa Cleide Marques
Ano 4 —PALAVRA FIANDEIRA de Literatura e Artes
Fundada pelo escritor Marciano Vasques



sábado, 6 de abril de 2013

PALAVRA FIANDEIRA — 110





PALAVRA FIANDEIRA

REVISTA LITERÁRIA VIRTUAL

Publicação digital de Literatura e Artes

EDIÇÃO  110


ANO 4 —Nº110 —6 ABRIL 2013
EDIÇÕES AOS SÁBADOS

DOUGLAS GALINDO



1.Quem é Douglas Galindo?
Em primeiro lugar, agradeço pelo interesse em meu trabalho e pela oportunidade de compartilhar minhas idéias. O Douglas Galindo é um brasileiro, casado com a também artista Teresa Senda (que trabalhou na extinta área de quadrinhos da Editora Abril/Bela Cintra), pai de um lindo e talentoso casal de filhos.
Estudou no Instituto Metodista de Ensino Superior (Comunicação Social), na FUJI Photo Filme do Brasil e fez Desenho Artístico e Publicitário, cresceu profissionalmente através de diversas agências publicitárias desde 1982, começando como assistente de arte, depois ilustrador/layoutman, diretor de estúdio e de arte, com experiência em programação visual e promoções.
Participou do jornal Clakete, foi premiado em concurso nacional da Abril, no III Concurso Fotográfico Itaú, nas categorias preto e branco e colorida, além de desenhar a revista em quadrinhos do Capitão 7. Mais recentemente fez uma revista do Blenq, personagem do Rod Gonzales.
Trabalhou na primeira agência de marketing de incentivo no Brasil, a Incentive House e foi professor de Desenho e Comunicação Visual no Instituto Radial.
Desde 1989 oferece seu trabalho em caráter free-lance.


2.Já foi premiado em alguns concursos, pode nos falar sobre esses acontecimentos?
Houve uma época que participei de vários, cheguei até a ganhar uma moto com uma ilustração; depois por falta de tempo, fui deixando os concursos de lado, porém acho um ótimo exercício.
Sempre foram experiências desafiadoras, lembro que para o de fotografia (Itaú), queria uma locação (rua), molhada e à noite; esperei até quase o término do prazo, mas para minha sorte uma madrugada choveu e eu saí da cama para essa foto.

3.Desenhou a Revista do Capitão 7. Fiandeira interessa-se profundamente por essa experiência. Poderia, nos contar algo?
Nos anos 80, um colega de faculdade trabalhava numa agência que atendia o Capitão Sete - Ayres Campos, que, na época,  tinha uma fábrica de fantasias. Ele concebeu uma estratégia de marketing onde lojas (redes) compravam um lote de fantasias e recebiam a HQ, com um encarte central personalizado. O roteiro era da Maio Miranda, a mesma roteirista da série da TV. Todos foram muito generosos, entenderam que era minha primeira experiência em HQ,, que eu estava em início de carreira e me ajudaram muito a vencer esse desafio.

Capitão 7—desenhado por Douglas Galindo

Personagem desbancou outros heróis 
4.Falando nisso, quem era o Capitão 7?
Ayres Kruger da Senna Campos ou Ayres Campos, o Capitão Sete (Nasceu em Uberaba, MG, em 26 de maio de 1923, faleceu em São Paulo aos 11 de julho de 2003) foi um cantor, empresário, ator de rádio, cinema e televisão brasileira. Seu pai foi adido militar em Bombain, na Índia, acabou vindo com a família para Santos.
Ayres era alto e aloirado, se parecia com o ator Errol Flynn. Chegou a cantar no Teatro Municipal de São Paulo, nas rádios Bandeirantes e Jovem Pan. Fez vários cursos (química, odontologia e aviação nos Estados Unidos). Viajou para Paris e na volta para o Brasil montou um laboratório de perfumes. Foi lutador de boxe. Atuou em filmes da Empresa Cinematográfica Vera Cruz.
Em 1954 se candidatou a uma vaga na TV Record - Canal 7, daí vem o nome do personagem, para fazer papel de um herói infantil.
Estreou em 24 de outubro de 1954 o programa seriado de aventuras Capitão 7, junto com Idalina de Oliveira. Os meninos se vestiam iguais ao personagem do programa. Em 1959 foi criada a revista Capitão 7, nessa época ele batia em vendas o Super-Homem. O programa ficou no ar até 1966.
Fundou como mencionei uma empresa de fantasias de super-heróis americanos e japoneses. Casado, teve dois filhos e dois netos. Isso numa época muito diferente da nossa, por exemplo, sem vídeo-tape, quase tudo era ao vivo, cenas inusitadas e divertidas se sucediam. Lembro que numa cena os homens formigas tinham que conversar, um deles sair e o outro seria dominado pelo Capitão 7, mas depois de muita demora saem os dois, as antenas de seus capacetes se enroscaram e não dava para mexer ao vivo; quando o Capitão 7 entra em cena, não há ninguém para "bater", ele então sai correndo atrás dos "terríveis homens-formiga", gritando: Não adianta fugir, eu os pegarei!
Era comum ele enviar seus oponentes para o pronto-socorro. Poderia contar muito mais, mas fica para uma outra vez.


5.Poderia nos comentar algo sobre os grandes desenhistas nacionais de HQ que nos deixaram uma época de ouro, como Júlio Shimamoto, Jayme Cortez  e outros?
Escolher um seria difícil. As artes gráficas no Brasil devem muito a esses desbravadores, pensando de forma mais geral, numa época sem internet fui demais influenciado por eles. Para mim, desenho é mais interessante como uma linguagem que mostra as decisões feitas na pintura/arte-final, e eu fui atraído para isso no trabalho desses artistas.
Lembro que ia à banca de jornais e devorava o trabalho das HQs, das enciclopédias, das adaptações literárias, dos álbuns de figurinhas, é até difícil conceber isso hoje com tanta informação disponível, mas queria mencionar que a maioria era e ainda é meio cavaleiro solitário, nem sempre devidamente reconhecido.
Como nota queria colocar o nome do Rodolfo Zalla, a quem tive oportunidade de conhecer pessoalmente. Nosso último contato foi quando ele desenhou umas “tiras” de western para um trabalho publicitário/promocional,  ainda tenho um original guardado em algum lugar em meu estúdio.
Rodolfo Zalla, citado por Douglas Galindo


Júlio Shimamoto, entre os mestres dos quadrinhos nacionais 

6.Produziu desenhos para marcas e lojas. É a sua veia de publicitário em sintonia com a sua arte? Como se adentrou nesse meio? Quais as oportunidades que abriram as portas?
            Sem querer ser pretensioso, desde que me entendo por gente, rabiscava nas antigas folhas que embrulhavam pão, e desenhava personagens, estórias … Mas, só na época que estava terminando a faculdade (em 1980), tive oportunidade de trabalhar mesmo com desenho.
Pensando bem, eu tinha um estável emprego de escriturário, que custeou minha faculdade e da minha irmã, até o último ano. Quando joguei tudo para o alto e fui trabalhar a convite de um professor numa agência; o salário era muito menor, tive que reprogramar minha vida. Lembro que como parte dessa reprogramação fui de carona (na rua, com desconhecido) para a agência, hoje isso seria impensável.
De significativo, trabalhei com livros didáticos e paradidáticos para diversas editoras, alguns anos na criação e arte das caixinhas do Mc Lanche Feliz, projetos para grandes fabricantes de brinquedos do Brasil, entre outros.



Personagem nacional desenhado por Douglas Galindo 
7.O que faz atualmente? Como realiza o seu dom? O que anda produzindo?
Continuamos a oferecer nosso trabalho em caráter free-lance, seja para a criação de peças (anúncios, projetos), seja para criação de personagens (mascotes), seja para a ilustração, temos vários trabalhos na área editorial (literatura, didáticos), e quando possível fazemos HQs empresariais, a última foi para a Danone, ajudando a divulgar hábitos saudáveis de alimentação.
Produção/arte digital do Estúdio de Douglas




Arte de Teresa Senda, no Estúdio de Douglas

8.É casado com uma artista ilustradora. Como se encontraram? Foi no ambiente artístico? O que pode nos contar dessa parceria  certamente tão fecunda?
            Trabalhar a quatro mãos e duas cabeças é um desafio, mas tem suas vantagens, a troca, a crítica construtiva, acrescenta; hoje, depois de uma parceria de mais de 30 anos, concluo que vale muito a pena, lembro quando fui apresentado à Teresa, por um amigo comum, acho que ninguém imaginava que daria nisso.
Teresa Senda —Fiandeira 76

9.Gosta de HQ, naturalmente. Aprecia a Literatura Infantil?
            Gosto sim. Tive uma coleção de HQs e livros que somamos e que deixamos muitos pelos caminhos da vida, estou numa fase que avalio se não é tempo de começar a contar nossas próprias estórias para as crianças.

10.Entre os personagens não nacionais, tipo o “Fantasma”, “Superman”, e não apenas americanos, mas também de outros países, tem algum que possa considerar o seu preferido?
Gosto muito de muita coisa, mas elegeria o Príncipe Valente de Harold Foster como meu preferido.
Harold Foster em sua prancha


Imagens de Príncipe Valente

11.Acredita que a HQ nacional poderá reverter a situação atual e pelo menos retornar como na época em que nas bancas se penduravam as revistas de Terror, por exemplo?
            Muitos sonham, há muito trabalho de formiguinha, editoras pequenas e novas que têm coragem e ousadia; outros são pessimistas, mas eu vejo algo muito positivo acontecendo, hoje você pode começar um trabalho na internet, avançar para pequenas edições em gráficas on demand e quem sabe chegar às bancas/livrarias, muitas ferramentas e sites(tecnologia) podem ajudar, mas o trabalho autoral depende de acertar o momento e o gosto dos leitores.
            Eu acredito! Os super-hérois eram marginalizados, hoje são fonte de grande lucro até em outras mídias, cinema por exemplo, e não só deles vive a nona arte.


12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
“As pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam” Jack Kerouac, pelo Pavazine.
O que queria era sonhar com um cenário onde viver de arte no Brasil seria menos sofrido, mas real, você que me lê, pode sonhar junto?


 PALAVRA FIANDEIRA
Publicação digital de divulgação literária
Publicação semanal de Literatura e Artes
Edições aos sábados. 
Edição 110 —DOUGLAS GALINDO
PALAVRA FIANDEIRA: 
Fundada por Marciano Vasques