EDITORIAL

PALAVRA FIANDEIRA é um espaço essencialmente democrático, de liberdade de expressão, onde transitam diversas linguagens e diversos olhares, múltiplos olhares, um plural de opiniões e de dizeres. Aqui a palavra é um pássaro sem fronteiras. Aqui busca-se a difusão da poesia, da literatura e da arte, e a exposição do pensamento contemporâneo em suas diversas manifestações.
Embora obviamente não concorde necessariamente com todas as opiniões emitidas em suas edições, PALAVRA FIANDEIRA afirma-se como um espaço na blogosfera onde a palavra é privilegiada.

sábado, 8 de março de 2014

PALAVRA FIANDEIRA 144


Acontece que nesse labor literário, 
minha alma dança e rodopia no meio do salão.



Quero que cada livro meu seja uma espécie de abraço, 
um multiplicador de ternura


PALAVRA FIANDEIRA

ARTE, EDUCAÇÃO, LITERATURA
Publicação digital de divulgação cultural
EDIÇÕES SEMANAIS
ANO 5 — Edição 144
8 de Março 2014

PENÉLOPE MARTINS


1.Quem é Penélope Martins?

Acho que eu sou uma pessoa com disposição. O resto das coisas tipo como e o que eu estudei, onde me formei, com quem andei e como foram minhas notas, é só o resto (uma montoeira de papel com carimbo e só). Sou uma pessoa mediana de conhecimento mediano, mas com uma disposição de tirar o fôlego de muita gente.


2.Esteve recentemente em Portugal e levou uma bagagem com livros do Brasil. Conte-nos essa experiência, por gentileza.

Em novembro passado fui para Portugal com um projeto bacana, contar e cantar uma história minha junto com uma história de Alice Vieira, autora portuguesa de suma importância para a literatura destinada à infância e juventude. Junto comigo viajou Joel Costa Marques, parceiro nas composições musicais e também nas narrações de história. A amiga Monika Tognollo também viajou conosco registrando todos os momentos com sua máquina fotográfica.

Foi uma verdadeira odisseia. Como o projeto não tinha patrocínio de nada, nem de ninguém, resolvi multiplicar esforços para reunir livros de nossos autores para saudar os leitores portugueses. Assim, convidei amigos autores a me encaminhar um livro destinado ao acervo da Biblioteca da Escola Pública Alice Vieira, em Lisboa. Não pensei que seria atendida em larga escala (risos), mas os amigos autores encaminharam livros e indicaram o projeto para outros autores que também encaminharam e a mala de literatura somou os 30 quilos permitidos para embarque.

Em pleno inverno, tive que me virar com uma mala só para viajar porque a outra mala era feita de histórias.


3.Está com livro na praça. Pode nos falar algo sobre essa sua obra. De que se trata? O que nos pode contar?

Pois é, eu sou uma narradora que também conta as próprias histórias e isso é muito legal porque eu posso, inclusive, reescrever a história cada vez que conto para um público diferente. Agora em abril teremos o lançamento do meu primeiro livro, editado pela Folia das Letras, um conto que inventei para meu filho quando ele ainda era pequenino para convencê-lo a tomar banho. André, meu filho, gostava muito de figuras monstruosas e histórias de botar medo na gente, por isso criei o menino fedorento da cabeleira infestada de baratas.


4.É encantadora de histórias na empresa "Mar de Palavras". O que é ser uma encantadora de histórias?
Gosto muito da palavra encantar. Quem encanta toca o outro com sua empolgação, magia, vontade de viver. A leitura sempre foi para mim um portal rumo ao desconhecido e eu sempre gostei de atravessar a fronteira, descobrir coisas novas e pensar novas possibilidades. Quando conto histórias ou quando faço oficinas com leitores, transbordo essa minha sede de viver e de saber mais. Escutei certa vez que só o conhecimento compartilhado pode se tornar sabedoria. Quero ser um dia uma velhinha sábia, uma senhorinha que fez compartilhar muitas histórias.



5.Como vê a necessidade ou não do contador de histórias em nossa era digital?

Era digital ou analógica, tanto faz, somos carne e osso, somos feitos de sentimentos. Talvez hoje seja ainda mais importante promover encontros ao redor de leituras e histórias justamente porque as pessoas estão conectadas a maior parte do tempo com máquinas. Eu adoro a internet, fiz amigos incríveis na rede social, mas nada substitui o encontro, o cheiro do café, o gosto do bolo, a conversa...


6.O que foi a fanzinada da mulherada?

Mais uma aventura, embora eu não faça parte diretamente desta edição. A Fanzinada da Mulherada é um projeto que reúne arte em diversas formas de expressão e, pela lente de Monika Tognollo fui parar lá registrada como modelo de um ensaio fotográfico em homenagem às mulheres, inaugurando a série da fotógrafa intitulada de “Feminina”. Bom, a palavra modelo aqui deve ser esclarecida porque não era modelo como aquela de revista (coisa que não sou), mas era a mulher de vida real, com mais de 40 anos de idade, que trabalha, arranja coisas da casa, cuida de filhos e tantas outras coisas. Fico feliz que o ensaio desperte o olhar para essa beleza, a beleza de ser mulher e fazer tantas coisas.



7.Para uns a Rede é apenas uma chance de exibicionismo, para outros, é a oportunidade de ampliar a difusão do ideal literário, enfim, para cada qual representa algo. De qualquer forma, a Rede está inserida numa revolução que modifica a cada dia a forma do ser humano se comunicar. Como vê esse extraordinário acontecimento na  humanidade?

A rede social é um grande ganho, não tenho dúvidas. Há quem reclame de publicações tolas e de opiniões equivocadas, mas eu não vejo sob esta ótica. A rede social encurtou distâncias e nos aproximou de gente que seria muito difícil de conhecer na nossa rotina habitual. As trocas de informações existem e são saudáveis, mas é claro, como eu já disse, nada substitui o encontro pessoal. Todavia, na rede social eu mesma suporto saudades de amigos queridos que vivem muito longe de mim e com os quais não posso estar fisicamente presente todos os dias.


8.Aprecia a Literatura Infantil, de modo indubitável. Acredita que a Literatura Infantil possa ser protagonista num processo de Alfabetização?

A literatura para infância embora tenha esse nome não serve somente às crianças, ao contrário, é excelente fonte para alfabetização para todos nós. Não falo da alfabetização de ler e escrever, ou a capacidade de compreender um texto, até porque acho que este papel obviamente a leitura pode protagonizar. Mas gostaria de chamar atenção para alfabetização do sentir, aquela que nós deixa mais permeáveis e amplia nossa percepção de mundo. Quem pode dizer que a obra “OU ISTO OU AQUILO” de Cecília Meireles não sensibiliza leitores mais experientes? E os monstros de Maurice Sendak, também não há uma ilha para eles em nossos corações adultos? Poderia citar inúmeras obras aqui e não terminaria nunca a lista.



9.Falando em Rede, qual o peso real do “Curtir”, o que ele pode exatamente significar de modo geral, ou particularmente?

Curtir de um modo geral significa "li sua publicação". De uma maneira particular serve para alertar publicações que achamos interessantes, relevantes, divertidas. Na rede social tem hora para tudo, tem assunto muito sério que precisa ser compartilhado para que todos tenham acesso à informação, tem coisa bonita que pode inspirar outras pessoas e tem humor. Venhamos e convenhamos, é preciso ter boa dose de humor na vida.

10.Conte-nos algo sobre um sonho que gostaria de ver realizado, em sua vida. E também um que pudesse contemplar a melhoria de vida no planeta.

Meu sonho pessoal é continuar escrevendo e publicando e contando histórias. Eu me formei em Direito e sou advogada. Gosto de poder ajudar pessoas com conhecimento jurídico. Já atuei em processos que me deram muito orgulho. Acontece que nesse labor literário, minha alma dança e rodopia no meio do salão.

Desejo todos os dias um mundo com menos desigualdade social. Por isso acredito na força do conhecimento compartilhado, nesse pão dividido entre muitos.


11.Em seu universo de leitura, qual gênero a deixa mais consigo mesma: a Poesia, o Romance, a Crônica...?

Eu vejo poesia em todos os gêneros. Passeio pelo dicionário e procuro verbetes que me provoquem sensações poéticas. Acho que a poesia é meu estado de espírito com as palavras, é como consigo me nutrir de beleza.



©Monica Tognóllo

12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua Palavra Fiandeira?

A vida me presenteou desde sempre. Fui gerada num lar de amor e respeito, convivi com meus avôs bem de perto e pude aprender com as histórias deles. Não gerei crianças, mas me tornei mãe de dois filhos. Tenho amigos queridos que compartilham os dias comigo (as alegrias e as angústias). Eu sou uma pessoa que tem acreditado no poder do amor, na capacidade que o ser humano tem de transformar tudo a sua volta nutrido pelos laços do afeto. Eu vejo isso na minha própria vida e tento repetir no mundo. Quero que cada livro meu seja uma espécie de abraço, um multiplicador de ternura. O mundo é melhor quando nos deixamos amar e amamos também.


Com JoEL CostaMar
Numa Folia de Letras

PALAVRA FIANDEIRA

Ano 5— Edição 144
PENÉLOPE MARTINS
PALAVRA FIANDEIRA:
Fundada pelo escritor Marciano Vasques






sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

PALAVRA FIANDEIRA 143

A poesia faz parte da hospitalidade gaúcha.

Tudo é poesia na minha visão  “desfocada” do mundo... e muito “focada” na realidade de um fato, uma flor, uma janela ou uma mesa torta... Não sei escrever outra coisa. 


PALAVRA FIANDEIRA

ARTE, EDUCAÇÃO, LITERATURA
Publicação digital de divulgação cultural
EDIÇÕES SEMANAIS
ANO 5 — Edição 143
1º de Março 2014

HAYDÉE HOSTIN

Estar atenta ao mundo e tirar dele poemas, ora doces, ora amargos, 
tem preço, muitas vezes alto.

1.Quem é Haydée Hostin?
Mulher, mãe e avó com os pés na poesia. Meus tempos maduros são mais tranquilos. Tempos de tentar mudar o mundo, esses... vão longe. Hoje, tenho um olhar mais atento, às coisas mais próximas e à natureza. Tenho certeza da minha sinceridade e da palavra que empenho nos meus afazeres. Meus desejos são de fraternidade, de portas abertas à diversidade.  Prezo pessoas, amigos e amigas. Embora me falte a precisão dos maestros, tento manter a família no compasso da alegria e da compreensão. Sou Licenciada em História. Lecionei em Escolas Estaduais do Rio Grande do Sul e também em Particulares. Fui funcionária da UFSM por seis anos. Sou sócia fundadora da Casa do Poeta de Santa Maria, fui Tesoureira, Presidente por três gestões, Vice presidente. Atualmente sou 2º Tesoureira e faço parte do Conselho Editorial da entidade.
Sou Vice Presidente do Fórum das Entidades Culturais de SMaria.
Fui agraciada com a Medalha do Mérito Cultural Prado Veppo, concedida pala Câmara Municipal de Vereadores de Santa Maria/RS   


2.“O tempo é cruel” é título de um de seus belos poemas. O que diria aos leitores da FIANDEIRA sobre esse poema e sobre o tempo?
O livro que contém  “O tempo é cruel”, Coração Guepardo, faz parte de uma época de perdas e mudanças radicais. Há muita confissão, muitas angustias, aversões e também esperança. O guepardo na sua velocidade, representa o horizonte, a distancia em disparada.
O poema faz da metáfora a linguagem para explicar a velocidade dos dias, meses e anos na vida de cada um.
 O tempo, não nos espera. De repente estamos frente ao espelho tão modificados, tão embranquecidos ou flácidos, que nos espantamos, pois é tudo matéria... e no coração (esse custa a se entregar) ainda temos a velocidade dos desejos. São com os desejos que o tempo se espanta!



3.”Equilíbrio de açucenas”: sobre o que trata esse seu livro de tão fascinante título? Pode nos falar algo sobre ele?
Equilíbrio de açucenas é formado por poemas que partem ou partiram do meu jardim interior. É um reviver de poemas antigos ligados a poemas que semeei nos últimos tempos. A reunião destes poemas é um passo ao delírio poético e um “equilibrar-se” nas “açucenas” dos meus sonhos de poeta.
Já os meus editores dizem  que o Açucenas – “é paisagem, espaço generoso no qual a lírica amorosa da poeta se instala e encontra, nesse território esfaimado de beleza...,os quadros que pinta, escreve, propõe uma espécie de panteísmo”.
É um livro que me deu a honra de ser publicado pelo Instituto Estadual do Livro do Rio Grande do Sul, na [coleção originais] Porto Alegre 2013. Premio que me deu muita alegria.



4.Está abrindo o mês de Março, com o retorno de PALAVRA FIANDEIRA, no coração das comemorações do Dia Internacional da Mulher. Deixe aqui o seu depoimento de como vê a situação da mulher atualmente, no Brasil, e no mundo.
Março é o meu mês. O mês que faço aniversário. Tenho um março instalado no meu coração. Adoro esse mês, as suas águas, os seus calores e um outono iniciante ao fim... Por sorte é o mês da Mulher. Embora eu não me enquadre como feminista, tenho um olhar crítico e amoroso em relação às  mulheres. Pessoalmente nunca me senti “menor” por ser mulher, mas é um sentimento particular, de auto estima e reflexão. As mulheres evidentemente têm alcançado espaços de privilegiados de estudos e trabalho. Têm galgado cargos políticos, educacionais e empresariais. Se destaca nas artes, nos esportes. Essas estão na linha do conforto, dos privilégios. Mas, há as que, junto com milhares de seres humanos, são humilhadas, estão famintas, sem direito à educação, saúde, segurança e espaços políticos e institucionais. Lhes falta justiça além do pão.

As mulheres são rosas
deixam perfumes.
São aço – deixam marcas.
Queimam e renascem
à luz da paixão .(HH)


5 Escreveu a orelha do livro de Mara Pittaluga, está presente em Antologias organizadas no Sul, e participa de uma entidade que congrega poetas. Conte-nos sobre essa característica da união literária entre os gaúchos.
O Rio Grande do Sul tem uma história literária vibrante. Santa Maria não é diferente. Aquí é berço do poeta Felippe D’Oliveira (1890-19330). Cidade universitária, é repleta de jovens estudantes, professores de todos os níveis e uma  história que remonta aos demarcadores de fronteiras que aqui aportaram no século XVIII. Sua história passa mais tarde pelos caminhos da ferrovia que, muito contribuiu para inserir a cidade nas mais variadas artes. Pela ferrovia chegavam grupos teatrais, orquestras, cantores, circos e outros tantos artistas.
A nossa entidade Casa do Poeta de Santa Maria, une um grupo bem diversificado de pessoas, mas que têm em comum  a literatura, a poesia. Em função desse trabalho, nos unimos a outros grupos da cidade com variadas expressões artísticas. Santa Maria tem vários grupos literários, que se reúnem, que editam  e lançam livros. Temos muitos escritores premiados e reconhecidos pelo Rio Grande à fora.
 A poesia faz parte da hospitalidade gaúcha. Todas as vertentes da poesia, desde a regionalista e nativista (nem sempre entendidas em outras geografias) até os “atuais” que distribuem poemas pelas ruas.  


6.Seus livros TELHADO DE VIDRO e também CORAÇÃO GUEPARDO são nitidamente de poemas. Essa é a sua grande fortaleza na Literatura, a sua preferência de leitura também?
Tudo é poesia na minha visão  “desfocada” do mundo... e muito “focada” na realidade de um fato, uma flor, uma janela ou uma mesa torta... Não sei escrever outra coisa. Muito embora às vezes escreva. Por isso fico constrangida quando me chamam “escritora”. Sou poeta, tenho “ferramentas” para exercer poesia, sou mulher para a eternidade  ou efemeridade dos versos. E para ser poeta é preciso (como já disse em um poema)  - “saber que poesia é pular muros, desligar madrugadas e as 10 horas da manhã, na dizer nada ao sol, apenas enfileirar as contas do dia ao fio invisível da ternura...”
Leio muitas coisas, mas leio muita poesia. Felizmente leio muito bons poetas, não vou enumerá-los. Não quero excluir ninguém.
    


7.Fale aos leitores da FIANDEIRA algo sobre a revista FORA DA ASA.
A Revista Fora da Asa, nasceu  da necessidade de darmos um rumo diferenciado ao que vínhamos fazendo em termos de publicações na Casa do Poeta de SM. Foi uma aventura linda, que foi bem recebida. As poetas Denise Reis e Maria Regina Caetano Soares foram as artífices, fizeram todo o projeto.
A Casa do Poeta de SM (CAPOSM), realiza semanalmente os “Cafezinhos Poéticos”(já estamos próximos aos 570º, em 12 anos de vida). São desses momentos que nascem inspirações, os desejos de mostrar trabalhos. Fora da Asa colheu as palavras dos  autores a as lançou em voos para a cidade e (felizmente para além dos muros da cidade).
   

8.Escreveu um livrinho delicado chamado AS TARTARUGUINHAS. Conte-nos, por gentileza, a sua visão sobre a importância da Literatura Infantil  na infância.
Para ser bem sincera, não sou autora de livros infantis. Escrevi “As Tartaruguinhas” para minha neta Renata.
Esses versos infantis foram gestados quando minhas filhas eram meninas. Naqueles tempos, eu fazia para presenteá-las, tartaruguinhas com cascas de nozes. Ponto. Ficou no passado. Quando a Renata, já andava por aqui, ganhei em uma Feira do Livro, nozes da minha amiga, escritora Selma Feltrin. Sobraram quatro casquinhas que viraram quatro tartaruguinhas, e deram origem aos versos dedicados a neta. É um “romancinho” que ficou delicado (ao seu olhar) e ao olhar de muitos. É um orgulho bom que tenho.
É fundamental as leituras na infância. Meu livro referencial, meu despertar poético é Alice no País das Maravilhas, que li no Paraná ainda muito menina. Ali nasceu a minha poesia! Embora não me considere escritora, vou até as escolas e falo aos alunos como é maravilhoso os caminhos entre as entrelinhas e  as palavras de um livro.  


9.Embora já esteja em dezenas de Antologias, participou da Antologia Poesia 2013, e esteve na Noite de Lançamento em São Paulo. Como foi e que significado teve em sua vida esse acontecimento?
Conhecia São Paulo de passagem. Agora conheço de “voragem”, pois estive por apenas três dias. Foi uma alegria, curtimos a cidade. Andamos de metrô com cara de felizes. Ninguém entendia nada. Estivemos no Museu da Palavra. É magnífico! O pouco que vimos nos deu a maior tesão.
Participar da Antologia 2013  foi um passo importante para conhecer e ser conhecida por pessoas de destaque na literatura paulista e brasileira. Como são amorosos os poetas e amigos (as) que nos recepcionaram. Como são talentosos (as)  os companheiros (as) de Antologia. Foi um espaço que conquistamos. Não vamos esquecer, São Paulo ficou no nosso coração. Que cidade!


10.O que pensa sobre as já antigas profecias do fim da era do livro de papel?
Não acredito nisso. Todas as formas de expressão permanecem. Olhem os antigos LPs, estão de volta com toda a intensidade.
Livros não serão substituídos, são companheiros. A palavra gravada no papel é sagrada. Ilumina. Atrai. Distrai. Vai para a cama. Viaja. As pessoas compram livros, embora ainda devam comprar mais.
Livros deveriam fazer parte da “cesta básica” como diz o Profº Orlando Fonseca, da UFSM.   

11.Seu interessante poema GUARDANDO, puro de leveza, está na Antologia que comemora 150 anos de Santa Maria. Quais as grandes saudades que você tem e onde as quarda?

GUARDANDO é um poema que nasceu na rua, ao atravessar uma rua.
As minhas saudades e lembranças (eu as confundo), são da tenra infância...são de pessoas, as que já “se encantaram” e as que estão por aí vivendo suas vidas.
Tenho saudades de Santa Maria da minha adolescência  e juventude, dos colégios onde estudei...
Tenho saudades de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, onde morei por vinte anos, onde aprendi coisas fundamentais para minha vida. Além disso a paisagem, os campos e a língua, misturada da fronteira, extremamente rica e pitoresca. Muita poesia ficou na minha alma, naqueles anos, e depois vieram para os cadernos com toda a força.
Mas, as minhas saudades e as guardo no coração e diferente do poema, sem mágoa nenhuma!



12.Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
Participar da Palavra Fiandeira é uma grande emoção. É um exercício de gostoso espanto e responsabilidade. É como lançar um livro.
A  poética tem sido a minha companheira. Estar atenta ao mundo e tirar dele poemas, ora doces, ora amargos, tem preço, muitas vezes alto. A sensibilidade do poeta, o faz “antenado” a tantos acontecimentos,  a tantos e tantos detalhes.
Meu desejo é manter minha mente sempre alerta aos pequenos momentos poéticos. Meus medos são de perder a luz, que ilumina sentidos e sentimentos, de perder a fé que  nos faz correr atrás das pequenas asas da poesia... Perdê-las jamais. É necessária a continuidade dos versos, do canto, das rimas. É preciso viver (mesmo nesse caos) a alegria das páginas iluminadas de poemas que foram escritos por loucos,que lucidamente amam a vida.
Agradeço ao querido poeta Marciano Vasques  pela gentileza do convite. Fazer parte da Palavra Fiandeira é receber o melhor presente de 2014. 



  PALAVRA FIANDEIRA

Ano 5 — Edição 143 — Haydée Hostin
PALAVRA FIANDEIRA
Fundada pelo escritor Marciano Vasques 

Março é o meu mês. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

PALAVRA FIANDEIRA 142

E a arte, sem a menor sombra de dúvidas, foi a forma que eu escolhi, 
ou fui escolhida, para expressar-me. 


PALAVRA FIANDEIRA

ARTE, EDUCAÇÃO, LITERATURA
Publicação digital de divulgação cultural
EDIÇÕES MENSAIS
ANO 5 — Edição 142
DEZEMBRO 2013
PAULA OLIVEIRA


    1.Quem é Paula Oliveira?
    Sonhadora, idealista e muita envolvida com que faz. Sou uma pessoa que tem uma enorme necessidade de se expressar, e que gosta de fazê-lo por meio da Arte e da Comunicação.


    2. Estudou Teatro e Cinema. Quando e de que forma surgiu em sua vida esse gosto pela arte de representar?
    Lembro-me que desde pequena meu pai sempre incentivava o gosto pela dança, pela música, teatro e leitura. Quando eu e minha irmã éramos bem pequeninas, a gente se reunia nos momentos de lazer e meu pai passava o projetor com filminhos daqueles de rolo, sabe, os rolos antigos? Víamos filmes infantis, e isso me marcou muito. Lembro até hoje de uma das histórias: a da tartaruga que era órfã, nascida e criada pela mamãe galinha. Ela vivia com os seus irmãos pintinhos, e era muito meiga, carinhosa, tudo fazia para agradar seus irmãozinhos. Porém, nas brincadeiras do dia a dia, ela se atrapalhava porque andava muito devagar, sempre ficando para trás. Por isso os pintinhos a excluíam das brincadeiras e zombavam dela. Até que um dia, os pintinhos brincavam num barquinho de papelão, e caíram na água, iam se afogar. E foi ela, a tartaruga corajosa, quem conseguiu salvá-los um a um. A partir desse dia, todos os irmãozinhos pintinhos passaram a respeitá-la. Essa é uma das muitas histórias que me cativaram na infância. Também nessa época, meu pai gostava de gravar a gente cantando músicas e recitando poesias, e também no Natal era uma tradição criarmos peças de teatro em casa e apresentar. Essas referências colaboraram muito para desenvolver o gosto pelas artes e para minha formação. Foram momentos familiares muito felizes. Tanto me influenciaram que ainda pequena eu já fazia Ballet Clássico, porque já apreciava a música, a dança, as diversas formas de expressão. Quando cresci, estudei Teatro com Emílio Fontana. Depois fiz vários outros cursos de interpretação, com Marcelo Travesso e Wolf Maia. Depois que me formei como atriz, fiz Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu, e fui qualificando na área de Cinema e TV. Fiz Curso de direção de fotografia em Película; porque eu queria aprender o básico para interagir com um diretor de fotografia na hora de dirigir um filme por exemplo. E também fiz curso de direção de cinema, na Academia Internacional de Cinema. E é assim, a gente não pode parar, sempre há o que aprender, e é isso o que me alimenta e motiva.

    3. Um trabalho realizado por você no cinema é "A Travessia da Serra que Chora", dirigido pelo Zeca Portela. Pode contar aos leitores da FIANDEIRA essa sua experiência e falar algo sobre o filme?
    Foi uma produção grande, realizada por meio de uma parceria entre a TV Aparecida e a TV Século 21. Eu fiz a produção executiva do filme, e posso afirmar que foi uma experiência única, inesquecível para todos que participaram deste processo. Éramos uma equipe técnica com mais de 60 pessoas, além dos atores. Foram 20 dias de gravação entre externas e locações fixas. O início das captações ocorreu na cidade de Itanhandu, MG. Depois seguimos pelo caminho da fé, percorrendo uma boa parte do trajeto realizado pelos romeiros. Terminamos as gravações com locações no Gomeral, em Guaratinguetá, e em Aparecida, SP. Foi uma jornada fascinante, porque em nosso íntimo, fizemos também uma caminhada interior paralelamente ao filme. O nome do filme A Travessia da Serra que Chora se deu por conta da Lenda da Serra que Chora, e que fala da origem das cachoeiras no meio das serras de Minas Gerais. Conta a lenda que havia uma princesa encantada da Brava Tribo Guerreira do Povo Tupi, e que ela se apaixonou pelo Sol. Proibida de viver esse amor, ela foi aprisionada pelo Tupã nas montanhas. Ela chorou rios de lágrimas, Rio Verde, Rio Passa-Quatro, Rio Quilombo, Rios de águas límpidas. Seu povo esqueceu seu nome, mas chamou de Amantigir, a “Serra-que-chora”, Mantiqueira, a montanha que a cobriu…Conta a lenda que foi assim… Neste link, algumas informações sobre essa linda lenda. http://www.serraquechora.com.br/a-pousada/lenda-mantiqueira-que-chora/ A história do filme narra a trajetória de uma família quase destruída pelos acasos da vida. Até que o personagem central dessa família, o Zé, em busca de uma solução para os problemas em casa, faz um pedido a Nossa Senhora, e promete ir a pé de sua cidade até o Santuário de Aparecida, caso seu pedido seja ouvido. Sua oração é atendida de maneira surpreendente, então ele precisa começar sua jornada. O que ele não imaginava é que esta caminhada mudaria sua vida para sempre. Gravado em meio à natureza exuberante da Serra da Mantiqueira, o filme conta a história emocionante onde a fé e a perseverança resgatam os valores mais importantes da vida. Uma história de fé, linda e muito humana. Tivemos o apoio da Prefeitura de Itanhandu, em Minas Gerais, e de várias marcas regionais, como a Cibal que produz o guaraná chamado Guaranita e investiu uma verba em dinheiro, além de outras marcas que nos apoiaram com permutas, como por exemplo a Ecila Laticínios, além de Restaurantes e Hotéis que nos acolheram. O filme está disponível no Youtube.
    4. É atriz. Atua nos palcos. Tem algum personagem, entre todos, que possa ter deixado em você uma predileção ou uma impressão marcante?
    Todos os trabalhos foram muito importantes, porque marcaram um momento profissional e um caminho de aprendizado. Mas creio que o primeiro trabalho em TV, no programa de humor dirigido por Newton Travesso, o “Só Risos na Praça”, na TV Bandeirantes, foi marcante, por iniciar-me no universo da TV. E, ao longo da minha trajetória profissional, gostei muito da oportunidade de fazer no teatro a personagem Luíza, adaptação da Obra de Eça de Queiroz, O Primo Basílio. Uma montagem linda, que exigiu muito preparo para ficar 1 hora 40 minutos no palco o tempo todo... Eu não saía de cena. Essa peça e personagem marcaram tanto, que em 2014, retorno com esse espetáculo, outra montagem, outro diretor. Uma nova fase, após 12 anos! 


5. É responsável por um quadro na Paulinas no qual entrevista personalidades do mundo literário. Pode nos falar sobre esse trabalho?
    O programa de entrevista, anteriormente, era um quadro dentro de um programa de TV. Era exibido na TV Aparecida. Mas antes de virar um quadro de entrevistas, era um quadro formato de merchandising, no qual a apresentadora, no caso eu, falava diretamente sobre o produto que seria divulgado no dia. Foi então, que fiz a proposta de mudarmos esse formato e fazermos um programa de entrevista, no qual escritores, ilustradores e produtores, falassem sobre suas obras, mas principalmente, sobre suas histórias de vida e pensamento. Uma forma de mostrar a pessoa por trás do trabalho. Para conferir basta entrar no site da Paulinas TV, e lá, buscar Dica Paulinas. Ou no meu canal no Youtube.
Cartunista Fê entrevistado por Paula Oliveira ©
    6. Tem um projeto de longa-metragem. Quando teremos esse grande acontecimento em sua vida?
    O filme vai apresentar situações cotidianas, rotineiras, porém, profundamente humanísticas e existenciais... Um filme otimista, que terá humor, sensibilidade e emoção...creio que as pessoas vão se identificar bastante e por meio dessa história, repensar valores de vida. Tem muito da minha história, mas não é autobiográfico. Não posso falar muito ainda sobre esse projeto porque ainda não terminei o roteiro! Mas é um projeto que pretendo realizar em 2015!
    7. É também coordenadora de projetos audiovisuais na TV APARECIDA? Como é esse seu trabalho?
    Trabalhei durante três anos como coordenadora de projetos audiovisuais na TV Aparecida. Mas atualmente, estou na Editora Paulinas.

    8. Além do teatro e do cinema, tem uma terceira paixão, que é o jornalismo. Em que medida as três se entrelaçam em sua vida?
    Na minha cabeça, tudo está interligado. A jornalista faz a pesquisa, busca a informação e escreve a história. A atriz atua nas diversas áreas *(TV, teatro, cinema) e essa formação ampla, me permite tanto ser melhor como entrevistadora ou apresentadora, como inclusive dirigir um filme com mais propriedade, porque entendo o lado do ator e da roteirista. Também desenvolvo trabalho musical há muitos anos. O grupo do qual faço parte se chama MB (Modo Brasileiro). São músicas regionais, estilo MPB, porém o trabalho que desenvolvemos ainda é mais de Raiz. Eu creio que na arte e na comunicação não existem fronteiras. Porque tudo na vida comunica... tudo é comunicação. E a arte, sem a menor sombra de dúvidas, foi a forma que eu escolhi, ou fui escolhida, para expressar-me. Sempre que aceito um desafio profissional ou escolho uma tarefa penso: tem de haver o amor e envolvimento: eu não consigo realizar nada sem essa entrega. É como me sinto feliz...

    9. Também atua como publicitária. Poderia nos expôr como ingressou nesse universo da publicidade?
    Trabalhei em uma agência de Publicidade, chamada Aspas Comunicação. Muito do aprendi em publicidade veio da prática nesta agência, em 2006. Lá tive a oportunidade de fazer o roteiro do filme Institucional e comemorativo dos 50 anos da Scania no Brasil, narrado por Paulo Goulart. Foi o primeiro roteiro significativo que fiz. Depois passei a trabalhar com televisão, eu fazia coordenação de projetos audiovisuais. O campo ampliou-se, e naturalmente, passei a criar filmes e roteiros para comerciais de TV, e dirigir as gravações dos filmes publicitários. Esse filme está no meu canal do You tube!
    Comercial de Natal na Paulinas
    10. Pergunta já datada: de acordo com o avanço e consolidação da era tecnológica, acredita no fim da era do livro de papel?
    Não. Acho que apesar de toda a tecnologia, não existe relação que apague o contato com o papel, o ler folheando as páginas. Com os livros digitais apenas ampliam-se as possibilidades da leitura.

    11. Você é muito fiel aos amigos. A amizade é, para você, um tesouro na vida? Diante dessa questão, ainda é insuperável uma amizade na vida real?
    Os amigos de verdade são para todos os momentos: alegres e tristes. Eles te consolam quando você perde um emprego, um parente, te consolam quando uma relação termina. E comemoram as vitórias ao seu lado. Acho que o laço entre os verdadeiros amigos é um laço puro, sem interesses. Assim como a relação familiar, o amor de pai, mãe e irmãos. Amigos são familiares que a gente escolhe. E sempre nos surpreendemos com eles. Ter amigos de verdade é uma dádiva e te dão o calor humano e tranquilidade de sentir-se em casa!


    12. Tem uma estreia para o início de 2014. Qual é a peça? E qual sua expectativa para esse trabalho?
    Entro em cartaz com a peça O Primo Basílio, dia 27 de fevereiro. No Teatro ETA, rua Major Diogo, 547. Já deixo meu convite a todos os leitores da PALAVRA FIANDEIRA. Aguardo vocês lá!

    13. Deixe aqui a sua mensagem final. Qual a sua PALAVRA FIANDEIRA?
    Viver com amor, simplicidade, aberto ao novo, não acomodar-se com o que não faz feliz, e não deixar de acreditar e buscar os sonhos... Sempre valorizar cada momento vivido. E principalmente, pensar COLETIVO. Porque não estamos sós. Felicidade é pra todos.
Na estreia do filme Diário de Um Simples Poeta, no Cine Olido ©



Com o escritor José Arrabal ©



PALAVRA FIANDEIRA
Publicação de divulgação literária e artística
ANO 5 — 142 — EDIÇÃO PAULA OLIVEIRA
DEZEMBRO DE 2013
PALAVRA FIANDEIRA:
Fundada pelo escritor Marciano Vasques

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